sábado, 17 de maio de 2014

Alistamento Militar


Argumento muito usado - "As feministas deviam lutar para que o serviço militar fosse obrigatório para mulheres também".

Vamos analisar mais de perto como seria isso na prática.

Para começar, quem teria que entrar com uma demanda do tipo? Seriam mulheres que já tivessem mais de 18 anos, não? Quer dizer, nenhuma delas teria que prestar o serviço militar, mesmo que ele passasse a ser obrigatório também para mulheres. As únicas que teriam que fazer isso seriam as que hoje não tem ainda 18 anos. Faz sentido as feministas lutarem para impor uma obrigação a OUTRAS mulheres, mas que não atingiria a elas mesmas?

E nos quartéis, haveria condições de oferecer alojamentos, vestiários e banheiros separados para as mulheres, e com toda segurança, garantindo que elas não correriam o risco de serem molestadas de nenhuma forma pelos homens?

As mulheres sempre foram impedidas de aprender a lutar e a se defender, para depois serem tachadas de fracas e incapazes. Isso é como impedir uma pessoa de tomar banho e depois culpá-la por estar suja. Hoje muitas mulheres gostariam de entrar para o exército. Nem sei bem como funciona, mas pelo que entendo elas tem opções bem mais limitadas que os homens nesse campo. Tudo isso me faz duvidar muito de que as mulheres fossem sequer bem vistas se realmente o Alistamento Militar se tornasse obrigatório a elas. 

Atualmente me parece que apenas 10% dos homens em idade de prestar o serviço militar de fato o fazem, e a razão é econômica, não há recursos para sustentar mais que isso. De modo que é bem razoável supor que a maioria dos que usam o argumento contra as feministas sequer prestaram o serviço militar. 

Porque os homens não lutam para que o serviço militar seja voluntário para todos, homens e mulheres? Seria porque eles estão pouco se lixando, já que eles mesmos já se livraram disso servindo ou sendo dispensados, e agora não se importam mais porque isso só beneficiaria os rapazes que ainda não tem 18 anos?



terça-feira, 13 de maio de 2014

Ódio online [Editorial da Zero Hora]


"As redes sociais multiplicaram vertiginosamente a comunicação entre pessoas e facilitaram o acesso a informações, mas também se transformaram em vitrines de maus instintos. Há muita bravata, é verdade, pois as pessoas sentem-se encorajadas a manifestar na rede posições que normalmente não assumiriam em público. Mas há, também, preocupantes incitações ao ódio, notadamente por parte de grupos neonazistas, misóginos ou que apregoam o justiçamento. Essa visão autoritária não chega a ser uma novidade digital. Sempre existiu. Só que agora o risco de contágio é maior, porque as mensagens se propagam rapidamente e atingem pessoas sem preparo psicológico e intelectual para repeli-las."

Leia o artigo completo AQUI


domingo, 11 de maio de 2014

A incitação à intolerância religiosa


Não é de hoje que eu vejo uma crescente incitação ao preconceito às religiões afro. Ninguém me contou, eu mesma vi quando em um desses programas na TV um dos 'pastores' anunciou que haveria distribuição de 'sapatilhas abençoadas' para usar dentro dos sapatos. Motivo - os fiéis são levados a acreditar que se pisarem em um local onde foi feita uma oferenda a algum orixá (mesmo que não exista mais nenhum sinal dessa oferenda no local) os 'maus espíritos' poderiam de alguma forma 'entrar' na pessoa e lhe causar muitos problemas. 

Creio que não é muito difícil de imaginar o nível de medo e pânico que esse tipo de afirmação pode causar na mente de pessoas que confiam no 'pastor' ali em cima do palco. E a confirmação do problema social que isso está causando fica bastante evidente ao vermos notícias sobre invasões de terreiros por evangélicos, como esta tentativa em Olinda, esta outra em Santa Catarina, e ainda esta na cidade de Cachoeira, Bahia (se fizer uma busca no Google encontra mais notícias do tipo). 

Então o linchamento de uma mulher acusada de praticar bruxaria vai na mesma tendência, e está mais do que na hora das pessoas acordarem para o enorme perigo que esse tipo de incitação representa.

Abaixo dois artigos que saíram no jornal Zero Hora no Rio Grande do Sul sobre o problema dos linchamentos em geral, e sobre o caso da mulher acusada de bruxaria em particular. 


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Por que os linchamentos persistem na nossa sociedade

Morte de dona de casa em São Paulo desperta a discussão sobre por que ainda se cometem justiçamentos



"Neste maio de 2014, em Guarujá (SP), uma mulher falsamente suspeita de sequestrar crianças para rituais de magia negra, a partir de um retrato-falado difundido na internet, foi caçada por centenas de vizinhos, massacrada com pauladas na cabeça, arrastada agonizante pelo chão. Era Fabiane Maria de Jesus, que morreu aos 33 anos, pela barbárie de uma multidão sem lei."

http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2014/05/por-que-os-linchamentos-persistem-na-nossa-sociedade-4496508.html

Linchamentos põem a nu fragilidades da democracia

Recurso à violência expõe má compreensão, por parte da população, do processo democrático

"Gravado em vídeo, o massacre público cometido por homens, mulheres e até crianças contra a dona de casa Fabiane Maria de Jesus teve seu horror amplificado pela constatação de que a vítima confundida com uma sequestradora de crianças, a partir de um retrato-falado difundido em redes sociais, era completamente inocente das acusações.
Mas, e se ela fosse culpada, o linchamento seria justificável?"
http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2014/05/linchamentos-poem-a-nu-fragilidades-da-democracia-4496521.html
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