quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Can't Hold Us Down [Não podem nos controlar] - com letra e tradução


Versão sem legenda -



Versão com legenda:





Can't Hold Us Down
Christina Aguilera


So what am I not supposed to have an opinion
Should I be quiet just because I'm a woman
Call me a bitch cause I speak what's on my mind
Guess it's easier for you to swallow if I sat and smiled

When a female fires back
Suddenly big talker don't know how to act
So he does what any little boy will do
Making up a few false rumors or two

That for sure is not a man to me
Slanderin' names for popularity
It's sad you only get your fame through controversy
But now it's time for me to come and give you more to say

This is for my girls all around the world
Who've come across a man who don't respect your worth
Thinking all women should be seen, not heard
So what do we do girls?
Shout louder!
Letting them know we're gonna stand our ground
Lift your hands high and wave them proud
Take a deep breath and say it loud
Never can, never will, can't hold us down

Nobody can hold us down
Nobody can hold us down
Nobody can hold us down
Never can, never will

So what am I not supposed to say what I'm saying
Are you offended by the message I'm bringing
Call me whatever cos your words don't mean a thing
Guess you ain't even a man enough to handle what I sing

If you look back in history
It's a common double standard of society
The guy gets all the glory the more he can score
While the girl can do the same and yet you call her a whore

I don't understand why it's okay
The guy can get away with it; the girl gets named
All my ladies come together and make a change
Start a new beginning for us everybody sing

This is for my girls all around the world
Who've come across a man who don't respect your worth
Thinking all women should be seen, not heard
What do we do girls?
Shout louder!
Letting them know we're gonna stand our ground
Lift your hands high and wave 'em proud
Take a deep breath and say it loud
Never can, never will, can't hold us down

[Lil' Kim:]
Check it - Here's something I just can't understand
If the guy have three girls then he's the man
He can either give us some head, sex her off
If the girl do the same, then she's a whore
But the table's about to turn
I'll bet my fame on it
Cats take my ideas and put their name on it
It's aiight though, you can't hold me down
I got to keep on movin'
To all my girls with a man who be tryin to mack
Do it right back to him and let that be that
You need to let him know that his game is whack
And Lil' Kim and Christina Aguilera got your back

But you're just a little boy
Think you're so cute, so coy
You must talk so big
To make up for smaller things
So you're just a little boy
All you'll do is annoy
You must talk so big
To make up for smaller things

This is for my girls...
This is for my girls all around the world
Who've come across a man who don't respect your worth
Thinking all women should be seen, not heard
So what do we do girls?
Should out loud!
Letting them know we're gonna stand our ground
Lift your hands high and wave 'em proud
Take a deep breath and say it loud
Never can, never will, can't hold us down

This is for my girls all around the world
Who've come across a man who don't respect your worth
Thinking all women should be seen, not heard
So what do we do girls?
Shout louder!
Letting them know we're gonna stand our ground
Lift your hands high and wave 'em proud
Take a deep breath and say it loud
Never can, never will, can't hold us down
Spread the word, can't hold us down





Tradução:
Ninguém pode nos controlar

Então eu não não posso ter uma opinião?

Devo ficar calada só porque sou uma mulher?
Me chama de vaca porque eu falo o que está na minha cabeça
Talvez seja mais fácil pra você quando eu apenas sento e sorrio...


Quando uma mulher responde
Logo os sabichões não sabem o que fazer
E aí eles fazem o que todo garotinho faria
Inventam uma ou duas mentiras


Óbvio que pra mim isso não é ser homem
Rotulando todos pra chamar a atenção
É triste, você só consegue fama por meio de invenções
Mas agora é a minha vez de vir e dar a eles o que dizer


Isto é pra todas as minhas garotas no mundo inteiro
Que tiveram um homem que não respeita o seu valor
Achando que as mulheres devem ser vistas e não escutadas
Então o que fazemos garotas?
Gritamos bem alto!
Falamos para eles que nós vamos marcar nosso território
Levem as mãos ao alto com orgulho
Respire fundo e diga bem alto:
Nunca podem, nunca irão, não podem nos controlar


Ninguém pode nos controlar
Ninguém pode nos controlar
Ninguém pode nos controlar
Nunca podem, nunca irão


Então o que é que eu não deveria dizer e estou dizendo?
Você está ofendido com a mensagem que estou trazendo?
Me chame de qualquer coisa porque a sua palavra não vale nada
Acho que você nem é homem suficiente para me entender


Se você olhar pra trás na história
Há um duplo padrão normal de sociedade
Os garotos ganham toda a glória e quanto mais pontos fizerem
Enquanto as mulheres fazem o mesmo e a chamam de prostituta


Eu não entendo por que todos acham que está tudo bem
O garoto fica numa boa e ela que fica com a fama
Todas minhas amigas, juntem-se e façam a diferença
Que faremos um novo começo para nós, todas cantem


Isto é pra todas as minhas garotas no mundo inteiro
Que tiveram um homem que não respeita o seu valor
Achando que as mulheres devem ser vistas e não escutadas
Então o que fazemos garotas?
Gritamos bem alto!
Falamos para eles que nós vamos marcar nosso território
Levem as mãos ao alto com orgulho
Respire fundo e diga bem alto:
Nunca podem, nunca irão, não podem nos controlar


Tem algo que eu não consigo entender
Se um cara tem 3 garotas ele é um garanhão
Ele pode enganá-las e usá-las como quiser
Mas se uma garota faz o mesmo ela é uma prostituta
Mas a discussão nao acabou
Eu aposto minha reputação nisso
Os caras roubam minhas idéias e levam os créditos por isso
Já chega, vocês não podem me controlar
E eu nao vou ceder
Pra vocês garotas que têm um homem machista
Respondam à altura e deixe assim
Vocês têm que dizer a eles que o jogo deles é furada
E Lil'Kim e Christina Aguilera te ajudarão


Você é apenas um garotinho
Que pensa que é bonitinho e gracioso
Você deve falar tanto
Pra compensar coisinhas pequenas
Diga que você é um garotinho
Tudo o que você sabe fazer é aborrecer
Você deve falar tanto
Pra compensar coisinhas pequenas


Isto é pra todas as minhas garotas...
Isto é pra todas as minhas garotas no mundo inteiro
Que tiveram um homem que não respeita o seu valor
Achando que as mulheres devem ser vistas e não escutadas
Então o que fazemos garotas?
Gritamos bem alto!
Falamos para eles que nós vamos marcar nosso território
Levem as mãos ao alto com orgulho
Respire fundo e diga bem alto:
Nunca podem, nunca irão, não podem nos controlar


Isto é pra todas as minhas garotas no mundo inteiro
Que tiveram um homem que não respeita o seu valor
Achando que as mulheres devem ser vistas e não escutadas
Então o que fazemos garotas?
Gritamos bem alto!
Falamos para eles que nós vamos marcar nosso território
Levem as mãos ao alto com orgulho
Respire fundo e diga bem alto:
Nunca podem, nunca irão, não podem nos controlar
Pode espalhar, não podem nos controlar

Link: http://www.vagalume.com.br/christina-aguilera/cant-hold-us-down-traducao.html#ixzz2ifBInxU5

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

E em algum lugar do Facebook...







Na Marcha das vadias, Paula Berlowitz com o cartaz dela,
 e eu com o meu polêmico cartaz.



Em uma postagem colocando em discussão o cartaz que usei na Marcha da Vadias, coletei as seguintes 'pérolas' nos comentários (mantive a grafia do jeito que estava):

- "Dona, se a senhora , do cartaz, levar uma cantada não é assédio... é milagre !"
- "alguém meche com essa véia? hahaha"
- "Quem cantaria uma anciã dessa ai?"
- "caminha na rua tropeçando nas tetas e ainda acha que leva elogio"
- "Quem vai cantar uma baranga dessas???????"
- "Normalmente as mulheres feias, velhas ou gordas são contra cantadas de rua, por um simples motivo: Como ninguem as elogia, não querem que elogiemos mais ninguém!"
- "Essa senhora é tão assediada assim? Faça-me o favor..."
- "elesa pode caminhar tranquila que nao receber nem um fiu fiu"
- "véi, na boa, quem dá cantada nisso?"
- "quem vai cantar esta merda?"
- "Tem que estar muito necessitado pra cantar essa senhora."

https://www.facebook.com/IconoclastiaIncendiaria/posts/490970384344016

[Postagem no blog dele - http://iconoclastia.org/2013/05/27/toda-cantada-de-rua-e-assedio/]

Respondi:


"Eu sou a 'velha', 'baranga', etc, que segura o cartaz. Fiz uma 'pequena' coletânea dos comentários sobre mim só aqui nesta postagem, o que já dá uma boa ideia do nível mental de quem acha que estou errada.

Quer dizer, tudo se resume a criticar a minha aparência/idade e achar que estou ressentida, mal amada, etc.
Na verdade eu represento mais de CINCO MIL pessoas que curtem a página  
Cantada de rua - conte o seu caso.
Se querem saber mesmo o que as mulheres sentem e pensam, vão lá dar uma olhada.

Para finalizar, se eu levo ou não cantada, não vem ao caso. Não é isso que está em discussão."


Alguém em solidariedade me disse para não levar em consideração; a minha resposta foi:

"Eu não levo em consideração, estou só mostrando até onde vai a falta de civilidade dessas pessoas. Se cantam mulheres do jeito que me trataram aqui, as reclamações são plenamente justificadas. Não acha?"


Mais adiante acrescentei:

"Interessante MESMO é observar como o autor da postagem permite essas tentativas de me insultar. Digo tentativas, porque elas dizem tudo sobre a pessoa que tentou me insultar, e nada sobre mim."


Update:
Depois ele me esclareceu que não censurou porque achou (com razão) que as ofensas jogavam contra quem as fez. Disse que tiraria se eu quisesse mas eu disse que podia deixar lá.

Mas mesmo assim ele não se convence que o problema é mais sério do que ele pensa, e insiste que 'tem que saber separar cantada de assédio.'  Na verdade sabemos separar, mas eu continuo insistindo que um estranho não devia falar nada para uma estranha na rua a menos que ela dê algum sinal de que está receptiva a algum tipo de abordagem.

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Feminismo quase 200 anos atrás

Por ocasião das comemorações do 20 de Setembro no Rio Grande do Sul, vi um artigo interessante que falava sobre a participação das mulheres na Revolução.

Chama especial atenção a seguinte parte, sobre Nísia Floresta:
"Para combater a submissão feminina ao mantenedor, traduziu ousada obra feminista, Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens.
Nela sobressaem duas reivindicações basilares para a História de Gênero: o direito ao estudo e ao trabalho remunerado, que capacitem a mulher gerir sua vida, pois ela é potencialmente capaz de advogar, de ministrar justiça, de exercer ensino universitário.
A imprensa silenciou, como forma de minimizar os efeitos da ousadia."

Isso é para quem pensa que feminismo começou na década de 60 e era sobre 'queimar soutiens'.

Na verdade sempre houve vozes se levantando, pedindo o direito de estudar, de ter um trabalho remunerado, de ter controle sobre as suas vidas. Se não sabemos mais sobre isso, é porque não houve interesse em manter isso registrado.

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terça-feira, 22 de outubro de 2013

SOBRE A PALAVRA 'FEMINISMO'


Sabiam que na época em que as mulheres lutavam pelo direito ao voto, o termo 'feminismo' não existia? Se chamavam 'sufragistas'. Essas mulheres eram esculachadas e chamadas, entre outras coisas, de 'mal amadas'.

Na década de 60 ainda, o movimento era chamado de "Womens' Liberation." Adivinha? Eram chamadas de 'sapatões', 'mal amadas', etc.

A verdade é que é a luta das mulheres que é mal vista, tenha o nome que tiver. O feminismo é visto desse jeito porque foi muito demonizado.


Por quê a luta contra o racismo pode se chamar de 'Movimento Negro' e não é demonizado da mesma forma, dizendo que os brancos tem que ser incluídos nisso? 


Por quê a luta LGBT pode se chamar assim, e o pessoal em geral não reclama que tem que incluir os héteros.

O feminismo foca nos problemas específicos das mulheres, e os homens deviam tentar entender o que as mulheres passam antes de opinar. 


Em vez de reclamar, informe-se.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Além do ateísmo


Me perguntaram no Facebook porque eu não postava mais sobre ateísmo. 

Bem, há vários motivos. Um deles é que de certa forma já falei tudo que eu tinha para falar sobre isso. Continuar com isso seria andar em círculos a essas alturas. É como se chegássemos a uma rótula e, em vez de escolher um caminho para continuar, ficássemos andando em volta da rótula eternamente (essa comparação foi feita pelo Eli Vieira, e achei bem pertinente).

Em abril de 2010 postei um texto - Ateísmo é só uma negação?   - onde eu tento explicar como eu passei a enxergar além do ateismo.


Tem também um texto que saiu no Bule Voador - "Sou ateu!" Tudo bem, mas e daí? - que mostra de forma bem clara que ser ateu/ateia em si mesmo não é uma qualidade nem defeito, apenas uma característica. E até pode ser qualificado com um tipo de crença, de acordo com Gregory Gaboardi em sua série Por quê o ateísmo é uma crença  em sete partes.

Enfim, para mim o humanismo se tornou mais importante há bastante tempo (até por isso deixei de lado a 'ateia de bom humor' e passei a me denominar 'Uma Ateia Humanista')

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sábado, 19 de outubro de 2013

Que família? [por Maria Berenice Dias]

"Não é mais possível viver 
em um mundo que exclua pessoas 
do direito à felicidade"




Que família?, por Maria Berenice Dias*

Soa no mínimo estranho ter sido instituído o dia 21 de outubro como Dia Nacional de Valorização da Família. Claramente mais uma das tantas tentativas de formatar os vínculos afetivos dentro de um único modelo conservador: matrimonializado, patriarcal, patrimonial, indissolúvel, hierarquizado e heterossexual.

O fato é que, tanto o Estado quanto todas as religiões, credos e crenças sempre tentaram amarrar e eternizar os vínculos afetivos. Para isso, foi criado o casamento. Simples contrato considerado uma instituição, um sacramento, com a só finalidade de impor ao par o dever de se multiplicar até a morte.

A sacralização do matrimônio como única forma de constituir família sempre teve – e ainda tem – efeitos nefastos. Durante mais de meio século, as uniões extramatrimoniais, chamadas de marginais ou ilegítimas, não eram consideradas família. Com isso, a Justiça fez legiões de mulheres famintas, pois nunca lhes concedeu nem alimentos, nem direito a qualquer bem.

As uniões paralelas são outro exemplo. Batizadas mais recentemente com o nome de poliamor ou uniões poliafetivas, continuam alijadas do sistema legal, na vã tentativa de fazê-las desaparecer. Mas condenar à invisibilidade, negar efeitos jurídicos, acaba por chancelar o enriquecimento injustificado do homem que mantém duplo relacionamento.

De igual modo, as uniões formadas por pessoas do mesmo sexo, que são alvo da mais perversa exclusão social e legal. A saída foi criar a expressão homoafetividade, que ressalta mais a natureza afetiva do que meramente sexual do relacionamento. Certamente foi o que levou a Justiça a reconhecer as uniões homoafetivas como entidade familiar e assegurar acesso ao casamento.

Mas não basta a construção jurisprudencial. Há a necessidade de uma legislação, não só para conceder direitos, mas também para criminalizar a homofobia. Este foi o compromisso assumido pela OAB ao elaborar o Estatuto da Diversidade Sexual e coordenar um movimento nacional de coleta de assinaturas para apresentá-lo por iniciativa popular.

Mas o que se vê no Dia Nacional de Valorização da Família são comemorações promovidas por igrejas evangélicas afrontando até o que preconiza a Constituição Federal, que reconhece como entidade familiar, merecedora da especial proteção do Estado, não só o casamento como também a união estável e a família monoparental.

Na realidade dos dias de hoje, é indispensável ter uma visão plural das estruturas vivenciais, inserindo no conceito de entidade familiar todos os vínculos afetivos que, por imperativo de ordem ética devem gerar direitos e impor obrigações.

Não é mais possível viver em um mundo que exclua pessoas do direito à felicidade. Afinal, esta é a finalidade da sociedade e a razão de ser do Estado. Por mais piegas que possa parecer, é só isso que todos queremos: o direito de ser feliz.

*Advogada