sábado, 28 de setembro de 2013

Qual o sentido da cantada-de-rua?


Agora muitos homens estão argumentando que as mulheres 'precisam' entender a diferença entre uma cantada 'educada' e as grosserias e assédios.E que as mulheres tem que entender o lado dos homens, que só querem fazer um comentário inofensivo, um elogio. 

Não. Elas não tem que fazer isso. As mulheres passaram muito tempo caladas, 'entendendo' o lado dos homens. Está na hora de os homens tentarem entender o lado das mulheres. Muitos estão entendendo, mas outros estão teimosamente ainda insistindo que 'cantada' é muito diferente de 'assédio' e que portanto as 'cantadas' tem que continuar sendo toleradas?

Na verdade são vocês que tem que entender a diferença entre 'cantada' e abordagem.

Vamos lá.

Ok, você vê uma mulher desconhecida em algum local público (na rua, no ônibus, no trem, etc) e acha bonita.  

Não dá para simplesmente olhar discretamente sem encarar?
(Sabia que um olhar ostensivo em si já é percebido como uma ameaça? Já dá uma sensação de que há algo de errado com você, causa desconforto. Basta pensar em como vocês homens se sentiriam se algum outro homem olhasse para vocês de forma contínua e ostensiva.)

Aí você sentiu vontade de dizer a ela que a acha bonita (ou gostosa, ou qualquer outra coisa). 

Com que objetivo? Porque acha que ela vai gostar ou porque quer satisfazer o seu próprio impulso? No primeiro caso, você lê pensamentos? Tem certeza que ela vai gostar? No segundo caso, não acha que está sendo egoísta?
Então, exceto no caso de realmente querer conhecer aquela mulher, na dúvida é melhor deixá-la em paz.

Está de fato interessado em conhecê-la melhor para um possível futuro relacionamento? 

Que tal olhar para ela como uma pessoa e tratá-la como tal ao abordá-la, e não com um 'elogio' superficial? Há muitas formas de abordar uma mulher de forma respeitosa sem recorrer a 'cantadas'. E tem que ficar atento aos sinais. Se a mulher apressa o passo, desvia o olhar e parece apreensiva, esquece. Deixe-a em paz. Se houver um contato ocular, um pequeno sorriso, a mulher provavelmente estará receptiva a alguma conversa. Respeitosa.

As mulheres estão nas ruas atualmente para cuidar de suas vidas. Estão indo ao trabalho, ao supermercado, academia, buscar os filhos. Falar alguma coisa para qualquer pessoa desconhecida na rua sem um bom motivo é uma forma de invadir a privacidade dela. Afinal, está tentando chamar atenção dela por quê?

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A incompetência de uma certa operadora de telefonia e internet

No dia 13 de setembro o nosso telefone fixo amanheceu com um forte ruído e não fazia nem recebia chamadas. A conexão com a internet também não funcionava. 


Telefonamos imediatamente à Operadora (não direi qual é, só que ela muito provavelmente receberá um sonoro 'Tchau' em breve), que prometeu resolver o problema em 24 horas.  No outro dia, sábado, ligamos novamente (aí o telefone estava mudo, simplesmente, e a internet idem) e prometeram novamente resolver em 24 horas. 

No domingo, nada. Segunda, nada. Terça, nada. 

Na quarta ligamos novamente, e conseguimos falar com alguém na terceira vez, porque nas duas primeiras a ligação caiu enquanto esperávamos, tendo que aguentar um música horrorosa tocando na linha. Falaram que davam novamente o prazo de 24 horas MAS que como parecia ser um problema mais sério, um problema geral envolvendo mais linhas, poderia demorar mais. Na verdade ele afirmou que era um problema geral.

Na quinta, nada. Sexta, nada, Sábado, nada.

Até então havíamos só reclamado do telefone fixo, porque só há a opção de reclamar OU do telefone OU da internet, mas não as duas coisas. Era óbvio que a internet não estava funcionando por causa do telefone e que as duas coisas estavam interligadas.
Uma semana antes ligamos avisando que um fio havia caído do poste na frente da nossa casa, e aí vieram arrumar em 24 horas. Aparentemente a gente tem que dar o diagnóstico pronto, senão não sabem o que fazer...

No domingo decidimos reclamar da internet, já que reclamar do defeito do telefone não parecia sensibilizar ninguém. Prometeram enviar um técnico em 24 horas. Passado o prazo, conseguimos finalmente falar diretamente com o supervisor da equipe da tal Operadora na nossa cidade, às 11:00 da manhã de segunda (hoje, 23 de setembro), já tendo ficado sem telefone e internet por 10 dias. Ele acionou a equipe que veio à tarde e descobriu muito rapidamente que o problema era um fusível queimado na caixa de controle em um poste na esquina da nossa rua. 

Um problema fácil de resolver, mas a Operadora não foi capaz de enviar ninguém para verificar o problema no poste, sendo que já havia acontecido antes problemas com a fiação. (No mês de agosto já havíamos ficado 8 dias sem telefone e internet devido a problemas com fios rompidos.) 

Por quê a Operadora não acionou a equipe? Por quê nós só conseguimos uma solução quando entramos em contato pessoalmente com o supervisor?

Dá para confiar em uma Operadora assim?

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Afinal, qual o problema com a cantada-de-rua?

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Venho acompanhando essas discussões faz tempo, e uma das coisas que sempre surge é que há uma diferença entre um galanteio e uma cantada inofensiva para as cantadas grosseiras e o assédio. 

É verdade, tem mesmo. 

E por causa disso muitos homens não conseguem entender quando dizemos que é preferível não dizer nada a menos que a mulher tenha dado sinais muito claros que está receptiva. Abordar uma mulher desconhecida na rua, sem nenhum sobreaviso, para dizer algo como 'linda' ou 'gostosa' hoje é uma experiência assustadora para muitas. E há um bom motivo para isso.

Há uns 30 ou 40 anos, uma menina que ignorasse e não respondesse a um 'psiu' ou qualquer outra tentativa de chamar a atenção dela na rua ganhava 'pontos' com isso; ela era vista com admiração e considerada uma 'moça direita'. As regras eram claras, era só ignorar que ficava tudo certo. Eu imagino que seja por isso que até hoje muitas mães dão esse conselho às filhas, "ignore, faz de conta que não ouviu."

Só que isso não funciona mais.

Atualmente o que se vê é que as regras mudaram, e de forma bem arbitrária. Já são vários relatos de mulheres que contam que ignoraram uma cantada e foram xingadas e até agredidas por isso. O mesmo pode acontecer se ela deixa claro que não gostou. 

Ou seja, não há mais nenhuma garantia que um certo tipo de reação vai ter o resultado desejável.

Aquilo que começou como um 'galanteio' pode acabar em agressão em alguns casos, e o problema é que não há como saber quando e como isso vai acontecer. Por isso qualquer cantada, por mais inofensiva, se torna assustadora. 

Se você é o tipo de homem que não tem intenção de ofender ou agredir, ainda assim você precisa entender que muitas mulheres hoje sofrem de algo muito parecido com Síndrome de Stress Pós-Traumático. De tanto serem agredidas de forma arbitrária e inesperada, se sentem mal com qualquer tipo de abordagem. 

Vale a pena insistir nisso, com a desculpa de que 'algumas gostam', agora que sabem que estão causando grande sofrimento a uma significativa parcela de mulheres?

Vale a pena ignorar todos os relatos das mulheres que insistem em dizer que não gostam?

Recomendo a leitura:
Chega de Fiu Fiu: resultado da pesquisa

 De acordo com ela, 83% das mulheres não gosta.


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