quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Um amor sem causa

Zero Hora, 19 de janeiro de 2013, Caderno Vida - 

PALAVRA DE MÉDICO | J. J. CAMARGO

 

Um amor sem causa

A disposição para ajudar os outros, qualquer que seja a circunstância, é um poderoso divisor do comportamento de indivíduos aparentemente assemelhados.

Trabalhar com pessoas doentes significa uma senha de acesso permanente a esse mundo insuspeitado, onde uma variedade de atitudes podem revelar índoles doces e generosas, ou delatar insuspeitadas distorções de caráter.

Também nem todos os que ajudam são iguais. Um olhar mais minucioso consegue perceber, entre os voluntários, aqueles que agem sem entusiasmo, apenas porque conhecem o necessitado e não querem ser constrangidos pela acusação futura de egoísmo e insensibilidade. Não há neles o prazer genuíno de ajudar, e a máscara da generosidade nunca parece bem ajustada na cara. Mas, de qualquer modo, ajudam.

Uma pena que esses nunca conhecerão a energia euforizante dos que se sentem estimulados pela gratidão do ajudado, nem serão atingidos pelo encanto indescritível de descobrir-se demoradamente abraçados por quem não consegue dizer mais do que obrigado.

Na curva da estrada, entre marcas de pneus e cacos de vidro, motoristas abandonaram seus carros no acostamento, e correram em direção a um amontoado de gente assustada e motos recostadas em ferros retorcidos.

Minutos depois chegou a ambulância e o ferido mais grave foi acomodado na maca enquanto recebia oxigênio por uma máscara. Com alguém ainda tentando pegar uma veia, a sirene foi ligada e partiram.

Entre os menos feridos, um rapazinho com uma laceração na perna, já envolta em gazes e compressas. Ele, gemente de dor, parecia conformado em esperar a volta da ambulância, quando alguém perguntou a um senhor que estacionara uma camionete BMW a três metros do local, se ele se importaria em remover o rapaz para o hospital, a uns 15 quilômetros dali.

“E sujar meus tapetes de sangue? Nem pensar!”

Manobrou o carro devagar e então acelerou, provocando uma rajada de pedregulhos no acostamento.

Acima do para-brisa traseiro havia um adesivo com um coração, em vermelho:

“Eu amo Jesus”

É o que dá esses amores exclusivos!




 

 

“Em nome de Jesus, é um assalto!”

CRIME EM IGREJA

Bandidos roubam fiéis durante culto

“Em nome de Jesus, é um assalto!” Assim, segundo uma testemunha, um dos três criminosos que invadiram a Igreja Pentecostal Deus é Amor durante culto na noite de sábado, em Caxias do Sul, anunciou o crime para os fiéis. Havia cerca de 40 pessoas no templo, que fica no bairro Santo Antônio.

Conforme o pastor Angelo Rodrigues Varela, às 21h30min seria iniciada a oração que encerraria a celebração quando os homens, armados com revólver, chegaram. Eles encostaram a porta e exigiram que todos se deitassem no chão e ficassem em silêncio, sem olhar para eles. O objetivo dos assaltantes, conforme testemunhas, era roubar veículos estacionados do lado de fora. Sabendo que um dos fiéis era dono de uma Strada, um ladrão se dirigiu até ele e pediu a chave. O fiel entregou, mas os bandidos não foram embora até conseguir um Vectra. Eles, então, renderam uma criança de 12 anos e a obrigaram a levá-los até o dono do veículo. Ao ouvir ameaças, o homem entregou o carro, que tinha a cadeirinha do filho, um GPS e um cartão de crédito.

– Tentei dar uma segurada, mas eles disseram que atirariam nas pernas das pessoas – afirmou a vítima.

Prejuízo semelhante tiveram os proprietários da Strada. A família havia negociado a venda do veículo na quinta-feira. Faltava apenas a assinatura dos documentos para a transferência. Na picape estavam as chaves da casa, um GPS, cartões de crédito, documentos do proprietário e a chave de outro veículo que obtido em um negócio.

Os criminosos levaram dinheiro dos fiéis e tentaram roubar um terceiro carro, mas desistiram. Ao término do assalto, que durou poucos minutos, eles desejaram que as pessoas ficassem “na paz do Senhor Jesus” e provocaram:

– Quantos minutos vocês precisam para chamar a polícia? O rádio (na frequência da Brigada Militar) está aqui com nós. Voltamos e matamos todos.

Os assaltantes afirmaram que retornariam caso a Brigada Militar fosse acionada pelas vítimas em menos de 20 minutos.



Fonte: Zero Hora, 21 de janeiro de 2013

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domingo, 6 de janeiro de 2013

Falácia do escocês não se aplica ao feminismo.


Já cansei de ver gente dizendo que estamos usando a 'Falácia do escocês' quando dizemos que certos grupos ou pessoas não são realmente feministas, mesmo quando se intitulam como tal. Vou tentar explicar porque isso é falso.

A 'Falácia do escocês' original é assim -
 “Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau”. Você contra-argumenta dizendo que seu amigo Angus gosta de açúcar no mingau. Então eu digo “Ah, sim, mas nenhum escocês de verdade coloca”.
Outro exemplo seria se eu dissesse que "Todo gaúcho gosta de churrasco". Se alguém diz que conhece vártios gaúchos que não gostam de churrasco, a resposta poderia ser "Mas esses não são gaúchos de verdade". Isso também se encaixa na 'falácia do escocês'.

Porque isso não se aplica ao feminismo? A razão é simples. Ser gaúcho ou escocês não é um comportamente escolhido ou uma filosofia adotada, você simplesmente não tem escolha quanto ao lugar em que nasce.

Mas suponhamos que alguém diga que conhece um ateu que acredita em divindades. Seria 'falácia do escocês' dizer que este não é um ateu de verdade? Ou alguém que se diz honesto mas age de forma desonesta, seria falácia dizer que essa pessoa não é verdadeiramente honesta?

Feminismo parte da premissa de que as mulheres devem ter os mesmos direitos, dignidade e respeito na sociedade que os homens. Se uma pessoa ou organização agem de forma contrária a isso, defendendo a supremacia das mulheres, misandria e matriarcado, então posso sim dizer que não são feministas de verdade, porque não estão agindo de acordo com a premissa básica do feminismo, que é a igualdade de gêneros.



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Roberto Takata teve a gentileza de corrigir e complementar a minha postagem. Vou postar abaixo na íntegra o seu comentário:


Acho que a aplicação ou não do "ser/não ser um de verdade" não depende de se ter ou não escolha quanto a se pertencer ao grupo em questão.

A questão do ateu crente é que *por definição* um ateu não crê em divindades.

Já colocar açúcar em mingau ou gostar de churrasco não é uma propriedade *por definição* de escocês ou de gaúcho.

Por exemplo, ser cientista ou não não é uma questão de nascimento. As pessoas escolhem se querem ser e trabalham para isso. Se alguém diz: "nenhum cientista acredita em deus" e se apresentar vários cientistas que acreditam em deus, teremos a falácia do escocês se disserem que "nenhum cientista de verdade acredita em deus".

[]s,

Roberto Takata



Meus agradecimentos, Roberto.

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A História de Melissa - uma solução para o assédio de rua!


Existe um site - Hollaback - que estimula as mulheres a reagir ao assédio de rua de várias maneiras. Uma delas é registrar um ato obsceno fotografando ou filmando com o celular ou câmera, outra é essa abaixo:

"Finalmente entreguei o meu primeiro cartão essa noite. Durante um mês e meio eu estava com eles mas nada aconteceu de fato, eu realmente não sofri assédio por quase um mês; agora que eu estava preparada, nada veio.

Então um dia eu estava caminhando perto de um prédio à minha direita, e conforme eu ia andando, caminhava tão rente quanto possível a ele para não precisar desviar das pessoas, eles caminhariam à minha esquerda. Mas teve um sujeito que estava fazendo a mesma coisa e eu simplesmente presumi que ele parecia uma pessoa normal então ele vai desviar de mim, mas ele não fez isso, ele dá um encontrão em mim e quase me derruba, tenta me beijar e depois diz "você estava caminhando bem na minha direção, achei que me amava e queria um beijo". Tudo aconteceu tão rápido, tudo que pude fazer foi tacar o cotovelo no peito dele e dizer: me larga, você é nojento. Em situações assim simplesmente não dá tempo de entregar um cartão.

Mas essa noite, foi mais do tipo normal de assédio que sofro quase todos os dias. Eu os vi chegando mais ou menos a uma quadra de distância, eram dois. Quando é mais de um eu sempre sei que será pior, eles incentivam um ao outro. Eles dão aopio um ao outro em seus assédios.

Enquanto eu olhava diretamente para a frente, um deles disse, 'Ei, linda' e quando passei por eles um diz 'Ei cara, acho que ela estava olhando para você' como uma risada e um sorriso. Então eu paro, penso que se essa não a hora perfeita para entregar esse cartão, não sei qual seria. E quando eu paro ele automaticamente se aproxima de mim e repete o que disse antes e eu olho para ele e digo "isso é para você" e entrego o cartão a ele. Saio caminhando. Não espero por uma reação. Na verdade eu nunca vou esperar por uma reação, porque a história prova que homens não reagem bem à rejeição. E nesta cidade eu aprendi a presumir que todos são loucos, e não falar besteira e começar alguma encrenca. Não iria acabar bem.

Eu só quero passar a minha mensagem da forma mais clara possível. E talvez ele o tenha lido e jogado fora imendiatamente ou talvez ele o tenha mostrado ao seu amigo e eles riram, mas eu espero que ele o tenha colocado no bolso, e que ele esqueça dele e que depois o encontre de novo e de novo e de novo."



[Tradução livre-
"Você recebeu esse cartão porque cometeu um ato de assédio sexual não desejado comigo. 'Oi linda', 'oi querida', barulho de beijo,comentários sobre o meu corpo ou qualquer outra forma de "cantada" não são elogios. Isso pode ser constragedor para você, já que você antes não tinha consciência do quanto esses comentários são degradantes, mas agora você sabe.

Não vou falar com você já que não o conheço e não quero conhecê-lo. Por favor respeite a minha escolha de não querer conversar com você."]


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Texto original em - http://nyc.ihollaback.org/2013/01/03/melissas-story-a-street-harassment-solution/

A tradução pode por vezes não estar inteiramente de acordo com o original, mas o sentido foi mantido.


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