segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A cortina de fumaça de Silas Malafaia

Na minha postagem anterior eu apontei para onde de fato o discurso de Silas Malafaia leva. É um discurso de ódio que infunde pavor na mente daqueles que não tem elementos suficientes para lidar com esse discurso de forma crítica e cética. Ele promove a desunião das famílias na medida em que as induz a rejeitar e maltratar os seus próprio filhos e filhas homossexuais. Mas sem um propósito seria um discurso vazio, mesmo que muito destrutivo. Ontem uma amiga e aluna (obrigada, Jaqueline!) me passou uma postagem de Rogério Beier que dá uma perspectiva mais ampla da questão:
- Silas Malafaia contra a laicização do Estado brasileiro
"Bertone Sousa, professor do curso de História da Universidade Federal do Tocantins, acaba de escrever um texto bastante interessante em seu blog sobre a entrevista de Silas Malafaia ao programa da Marília Gabriela, neste último domingo (03/02).

Em seu texto, Sousa faz inicialmente uma breve diferenciação entre Malafaia e os principais líderes e televangelistas brasileiros (Edir Macedo, R. R. Soares e Valdemiro Santiago), passa em seguida a falar de onde veio Silas Malafaia e para qual público ele fala, menciona suas alianças e estratégias para se diferenciar de outros líderes evangélicos com perfil semelhante ao seu (Estevam Hernandes e R. R. Soares), toca no assunto vital da necessidade dos holofotes estarem sempre voltados para si e, por isso, seu foco no discurso anti-homosexual como forma de ganhar projeção nacional, para finalmente falar de seu principal objetivo, isto é, “alcançar poder para intervir diretamente nas decisões políticas do país”.

Neste ponto ele insere o texto de Bertoni de Oliveira Souza, do qual vou postar apenas alguns trechos:
"Para ele, estar na mídia é uma questão de sobrevivência no ramo. Por isso ele precisava de algo que fizesse os holofotes estarem constantemente voltados para ele. E encontrou isso no discurso anti-homossexual. Comprando uma briga com o movimento LGBT (outro segmento que também ascendeu junto com os neopentecostais), Malafaia pretendia não apenas estar na mídia, mas fazer algo que nenhum outro líder protestante ainda conseguiu: unir os evangélicos em torno de um líder. E você apenas pode unir segmentos tão heterogêneos criando um inimigo, uma ameaça comum. Não importa que o inimigo seja imaginário, o importante é que as pessoas comprem a ideia. Nesse sentido, ele segue o exemplo de Pat Robertson nos Estados Unidos que, na década de 1960, criou a Maioria Moral (Moral Majority) para combater o feminismo, o divórcio, o aborto, o homossexualismo, a cultura secular."


"Malafaia usa o discurso contra o homossexualismo como plataforma para conseguir essa projeção em nível nacional entre os evangélicos. O objetivo vai além: alcançar poder para intervir diretamente nas decisões políticas do país, criando um grupo forte e coeso para fazer lobby junto ao Congresso, ao Senado e à própria presidência da República. A Igreja Católica sempre fez isso, mas nunca deram muita atenção. Suas idas a Brasília para discursar na Câmara ou na Esplanada dos Ministérios tem por objetivo criar essa ponte entre o público evangélico e o poder. Por isso ele tem criticado outros líderes religiosos por não o apoiarem em sua cruzada contra a legalização do casamento homossexual."


"Embora tenha conseguido avançar bastante em seus objetivos, Malafaia tem esbarrado na resistência dos evangélicos brasileiros de se unirem em torno de um líder. Por outro lado, à medida que ele e outros líderes protestantes avançam, ocupando vagas na Câmara junto à bancada evangélica e legislando em torno de princípios religiosos, a democracia e a laicidade do Estado tendem a perder com isso. A nova classe média brasileira é predominantemente desescolarizada e conservadora e tem sido interpelada por esses discursos a tornar-se militante de causas antisseculares. Após as eleições de 2010, esses líderes têm percebido a força de sua atuação junto a esses segmentos. A médio e longo prazo, as consequências sociais da ação de Malafaia e de outros líderes pentecostais no Brasil podem ser devastadoras. A junção de religião e política historicamente sempre foi uma ameaça às liberdades individuais e na jovem democracia brasileira é um fantasma que está sempre por perto."

 [Texto completo aqui:   "O que quer Silas Malafaia" ]
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 Também não podemos esquecer do livro
"A Estratégia" que ele traduziu, divulgou e distribuiu, e que é uma verdadeira "teoria de conspiração", atribuindo aos homossexuais a intenção de "dominar o mundo", algo muito similar ao que se fez com "Os Protocolos dos Sábios de Sião" (uma falsificação da polícia secreta russa) com relação aos judeus.
Vejam uma ótima refutação a esse livro feita por Sergio Viula.

 
O assunto foi abordado no site Eleições Hoje em  Por trás da cortina de fumaça homofóbica do Silas Malafaia :

 "Na edição Nº 84 referente ao mês de Maio/2012 da “Revista Fiel”, distribuída pela Editora Central Gospel que pertence à Associação Vitória em Cristo, o Pastor Silas Malafaia utiliza-se do seu habitual terrorismo psicológico para convencer os seus fiéis a pagarem a quantia de R$ 50 por um livro homofóbico e emprestarem tal livros para conhecidos e familiares.
Trata-se do livro “A Estratégia: O plano dos homossexuais para transformar a sociedade”, uma adaptação/tradução do livro “The Agenda”, do reverendo norte-americano Louis P. Sheldon."
"Assim como o reverendo Louis Sheldon que fazia sua cruzada homofóbica nos EUA e recebia “atrás das cortinas” dinheiro de corrupto, o que esconderá o Pastor Silas Malafaia atrás desta cortina de fumaça da sua cruzada homofóbica?"

[Leia Mais Em: http://www.eleicoeshoje.com.br/por-tras-da-cortina-de-fumaca-homofobica-do-silas-malafaia/#ixzz2Kalc0b9o  ]
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2 comentários:

  1. Ótimo, Asa!
    Sobre o Protocolos, ele é na verdade uma reedição de outro livro fraudulento, "Diálogos infernais entre Montesquieu e Maquiavel", que tinha outro grupo como alvo, não os judeus.
    Beijos.

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  2. Muito bom! Concordo plenamente. Escrevi sobre a relação entre o discurso de Malafaia, a liberdade de expressão e o relativismo de araque que serve como meio de interromper debates racionais: http://www.sandrodecott.blogspot.com.br/2013/02/silas-malafaia-e-o-relativismo-barato.html

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