sábado, 28 de dezembro de 2013

Ghiraldelli e Sheherazade

Bem, muito já foi dito a respeito e um bom resumo de tudo pode ser encontrado aqui, neste artigo da Veja:

O curioso caso de Ghiraldelli contra Sheherazade

O que achei curioso foi que de repente começaram a cobrar que feministas e grupos feministas se pronunciassem a respeito do assunto. A isso eu respondi no Facebook da seguinte forma:
- Não acho que feministas precisem opinar a respeito do assunto. Foi algo meio pessoal entre os dois, e é o 'óbvio ululante' que alguém dizer que deseja que uma mulher seja estuprada é errado em qualquer circunstância.
Comparando, se alguém dissesse que um certo jogador merecia ter seus dentes quebrados por jogar muito mal, será que algum movimento pelos direitos dos negros tem obrigação de falar alguma coisa só porque o jogador em questão é negro?

- MUITA gente já se pronunciou a respeito. O que ele disse é tão obviamente escroto que qualquer pessoas normal repudia.

- Na verdade o que o Ghiraldelli fez foi apenas confirmar a 'cultura do estupro' - quando se discorda de uma mulher é esse tipo de ataque que se faz a ela. Isso é tipo 'feijão-com-arroz' para mulheres em geral.
Eu mesma há poucos dias recebi um hatemail que falava exatamente isso, que seria até muito bom se eu fosse estuprada.

Mas se é tão importante assim que uma feminista se pronuncie, eu faço isso então, já que sou feminista. Lá vai:


Por mais que eu discorde de praticamente TUDO que a Rachel Sheherazade diz, e não goste dela, é absolutamente INACEITÁVEL uma declaração como a de Ghiraldelli, de que 'deseja que ela seja estuprada'. 

Repito, INACEITÁVEL!

Ameaças de estupro, insinuações que uma mulher 'merece' ser estuprada (como mencionei acima) é comum e recorrente e me arrisco a dizer que já aconteceu com TODAS as mulheres que se destacam de alguma forma que desagrade a algum grupo masculino.

Se for para discordar da Sheherazade, que seja com argumentos embasados, não com xingamentos vulgares e com declarações tão nojentas como a desse Ghiraldelli. 




domingo, 1 de dezembro de 2013

Você continuaria?

- Você vê uma mulher bonita na rua e resolve que tem que dizer alguma coisa para ela. Percebe que ela anda rápido, olhando para baixo. Quando percebe que um homem se aproxima, apressa o passo e parece nervosa.

Você continuaria?

- Você diz 'linda' para ela. Ela faz de conta que não ouviu. Você fica com raiva, afinal foi só um elogio. Você repete, 'linda!'. Ela te olha com cara de assustada.

Você continuaria?

- Você está na balada e vê uma mulher dançando. Ela usa roupas que você considera provocantes. Quando se aproxima dela percebe que ela se afasta e não parece estar à vontade com a sua presença.

Você continuaria?

- Você resolve passar a mão nela, afinal ela está na balada para isso mesmo. Ela se afasta, pede para você parar.

Você continuaria?

Você está beijando uma mulher que conheceu na festa. Ela começa a dar sinais de que não está com vontade de ir além disso. Mostra resistência. Diz 'não'.

Você continuaria?

Você está em uma festa na casa de um amigo e encontra uma moça deitada em um dos quartos. Está sozinha. Você começa a acariciá-la mas ela pede que você páre.

Você continuaria?

Você acha que ela está fazendo jogo duro e continua. Ela começa a chorar e resistir, implora que páre.

Você continuaria?

Você encontra uma moça desmaiada de tão bêbada deitada sozinha num quarto da casa. Ela não consegue reagir por estar muito fraca e tonta, mas você a ouve dizer 'não' com uma voz bem fraquinha.  

Você continuaria?

Você percebe que ela apagou e nem sabe mais o que está acontecendo. Está inerte e não reage a nada do que você faz?

Você continuaria?

Você encontra uma mulher andando na rua tarde da noite, sozinha. Você acha ela bonita e que gostaria de fazer sexo com ela. Quando chega perto dela ela fica com medo e apressa o passo. Você vai atrás e agarra ela. Ela começa a gritar e a implorar que você páre.

 Você continuaria?

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Em qualquer das situações descritas acima, a roupa ou o comportamento anterior da mulher é realmente relevante diante da reação dela?

Se você é do tipo que continuaria em qualquer uma das situações acima, você é um assediador e/ou estuprador que não respeita mulheres.

Se você é do tipo que não continuaria, mas acha que um sujeito que 'não se segura' está certo e justificado, você é cúmplice.



Se você não continuaria e nem justificaria que outro fizesse, mas também não levanta a voz para dizer que isso é errado, você não está ajudando em nada a terminar com esse estado de coisas.

Se você for capaz de levar a sério as reclamações das mulheres, nunca culpar a vítima e ainda falar para os homens do seus circulos familiares e sociais que está errado tratar mulheres assim em qualquer circunstância, PARABÉNS! Você é um aliado.

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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Quase que só vejo pessoas cis falando quem são as pessoas trans*

por Daniela Andrade

"Quase que só vejo pessoas cis falando quem são as pessoas trans*, como vivem, o que comem, como se reproduzem (estilo Globo Repórter). Quase que só vejo as pessoas cis nos definindo, sequestrando nossas vozes, tomando-nos como objeto e não sujeito do discurso.

E via de regra, estão falando QUEM SÃO as pessoas trans*, mas E O QUE PRECISAM as pessoas trans*? As políticas públicas para que essas pessoas sejam alçadas à condição de cidadãs e cidadãos, onde estão? São raras, esparsas, difíceis de se encontrar.

Sinto muito a falta das pessoas trans* na academia. Sinto a falta de que sejam empoderadas, pois por via de regra, as pessoas jogam a culpa da invisibilidade trans* nas próprias pessoas trans*; seria o mesmo que eu culpar os negros por eles serem escravos, durante o período escravagista - pessoas que, diga-se de passagem, não detém o poder social.

Participei de um debate em uma universidade em que, esperei os palestrantes acabarem de falar para chegar a minha vez. Então, comecei perguntando:

Quantas pessoas trans* fazem parte aqui do quadro de professores da universidade? Tomando as duas identidades trans* mais conhecidas de vocês: travestis e transexuais, quantos professores e professoras são travestis e transexuais? E nessa universidade, suponho que tenha centenas de alunos, quantos desses alunos são travestis e transexuais que vocês conhecem? E na administração, quantas estão trabalhando no administrativo que vocês saibam ser travesti ou transexual? E na área de limpeza, vocês tem alguma notícia de que uma pessoa travesti ou transexual esteja trabalhando limpando a faculdade? Em quantos lugares vocês vêem travesti e transexual e que lugares são esses? Quantas vezes foram atendidas por uma médica ou médico travesti ou transexual? Um dentista ou uma dentista? Um ou uma balconista em loja de shopping talvez? Quantas travestis e transexuais vocês conhecem que dirigem uma empresa? Quantas veterinárias ou veterinários atenderam seu animal de estimação e que era travesti ou transexual? E nas agências de publicidade, nas empresas de informática, na indústria farmacêutica, nas empresas de engenharia, nas padarias, nos restaurantes, no serviço público quem sabe, em quantos desses espaços vocês sabem que há travesti ou transexual trabalhando?

Geralmente ouço: ah, eu conheço uma que é minha cabeleireira, ou, eu conheço uma que é maquiadora (...) se fugir da área da prostituição, automaticamente cai dentro do salão de beleza e estética, como se nós não pudéssemos ter outro destino.

Vocês algum dia pararam para pensar nessa população como... gente? Como pessoas que tem necessidades, dificuldades, pagam contas e também realizam muitas coisas boas como qualquer um? Quantas vezes vocês se perguntaram o motivo de não verem travestis e transexuais ocupando os bancos da universidade? O que a universidade, a sociedade, o governo, vocês têm feito para que esse lugar seja realmente inclusivo, em particular, em relação à essa população? Quantos são os cientistas e as cientistas, os pesquisadores acadêmicos, os bolsistas de iniciação científica, os mestres e doutores brasileiros que são travestis e transexuais?

Geralmente quando falo desse público: travestis e transexuais, só se lembram de prostituição e cirurgias. Já tentaram responder o motivo? E se tentaram, chegaram a uma resposta diferente do que sempre se ouve: de que nos prostituímos sempre é por que na verdade sempre queremos?

Pois bem, refletiremos"

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Can't Hold Us Down [Não podem nos controlar] - com letra e tradução


Versão sem legenda -



Versão com legenda:





Can't Hold Us Down
Christina Aguilera


So what am I not supposed to have an opinion
Should I be quiet just because I'm a woman
Call me a bitch cause I speak what's on my mind
Guess it's easier for you to swallow if I sat and smiled

When a female fires back
Suddenly big talker don't know how to act
So he does what any little boy will do
Making up a few false rumors or two

That for sure is not a man to me
Slanderin' names for popularity
It's sad you only get your fame through controversy
But now it's time for me to come and give you more to say

This is for my girls all around the world
Who've come across a man who don't respect your worth
Thinking all women should be seen, not heard
So what do we do girls?
Shout louder!
Letting them know we're gonna stand our ground
Lift your hands high and wave them proud
Take a deep breath and say it loud
Never can, never will, can't hold us down

Nobody can hold us down
Nobody can hold us down
Nobody can hold us down
Never can, never will

So what am I not supposed to say what I'm saying
Are you offended by the message I'm bringing
Call me whatever cos your words don't mean a thing
Guess you ain't even a man enough to handle what I sing

If you look back in history
It's a common double standard of society
The guy gets all the glory the more he can score
While the girl can do the same and yet you call her a whore

I don't understand why it's okay
The guy can get away with it; the girl gets named
All my ladies come together and make a change
Start a new beginning for us everybody sing

This is for my girls all around the world
Who've come across a man who don't respect your worth
Thinking all women should be seen, not heard
What do we do girls?
Shout louder!
Letting them know we're gonna stand our ground
Lift your hands high and wave 'em proud
Take a deep breath and say it loud
Never can, never will, can't hold us down

[Lil' Kim:]
Check it - Here's something I just can't understand
If the guy have three girls then he's the man
He can either give us some head, sex her off
If the girl do the same, then she's a whore
But the table's about to turn
I'll bet my fame on it
Cats take my ideas and put their name on it
It's aiight though, you can't hold me down
I got to keep on movin'
To all my girls with a man who be tryin to mack
Do it right back to him and let that be that
You need to let him know that his game is whack
And Lil' Kim and Christina Aguilera got your back

But you're just a little boy
Think you're so cute, so coy
You must talk so big
To make up for smaller things
So you're just a little boy
All you'll do is annoy
You must talk so big
To make up for smaller things

This is for my girls...
This is for my girls all around the world
Who've come across a man who don't respect your worth
Thinking all women should be seen, not heard
So what do we do girls?
Should out loud!
Letting them know we're gonna stand our ground
Lift your hands high and wave 'em proud
Take a deep breath and say it loud
Never can, never will, can't hold us down

This is for my girls all around the world
Who've come across a man who don't respect your worth
Thinking all women should be seen, not heard
So what do we do girls?
Shout louder!
Letting them know we're gonna stand our ground
Lift your hands high and wave 'em proud
Take a deep breath and say it loud
Never can, never will, can't hold us down
Spread the word, can't hold us down





Tradução:
Ninguém pode nos controlar

Então eu não não posso ter uma opinião?

Devo ficar calada só porque sou uma mulher?
Me chama de vaca porque eu falo o que está na minha cabeça
Talvez seja mais fácil pra você quando eu apenas sento e sorrio...


Quando uma mulher responde
Logo os sabichões não sabem o que fazer
E aí eles fazem o que todo garotinho faria
Inventam uma ou duas mentiras


Óbvio que pra mim isso não é ser homem
Rotulando todos pra chamar a atenção
É triste, você só consegue fama por meio de invenções
Mas agora é a minha vez de vir e dar a eles o que dizer


Isto é pra todas as minhas garotas no mundo inteiro
Que tiveram um homem que não respeita o seu valor
Achando que as mulheres devem ser vistas e não escutadas
Então o que fazemos garotas?
Gritamos bem alto!
Falamos para eles que nós vamos marcar nosso território
Levem as mãos ao alto com orgulho
Respire fundo e diga bem alto:
Nunca podem, nunca irão, não podem nos controlar


Ninguém pode nos controlar
Ninguém pode nos controlar
Ninguém pode nos controlar
Nunca podem, nunca irão


Então o que é que eu não deveria dizer e estou dizendo?
Você está ofendido com a mensagem que estou trazendo?
Me chame de qualquer coisa porque a sua palavra não vale nada
Acho que você nem é homem suficiente para me entender


Se você olhar pra trás na história
Há um duplo padrão normal de sociedade
Os garotos ganham toda a glória e quanto mais pontos fizerem
Enquanto as mulheres fazem o mesmo e a chamam de prostituta


Eu não entendo por que todos acham que está tudo bem
O garoto fica numa boa e ela que fica com a fama
Todas minhas amigas, juntem-se e façam a diferença
Que faremos um novo começo para nós, todas cantem


Isto é pra todas as minhas garotas no mundo inteiro
Que tiveram um homem que não respeita o seu valor
Achando que as mulheres devem ser vistas e não escutadas
Então o que fazemos garotas?
Gritamos bem alto!
Falamos para eles que nós vamos marcar nosso território
Levem as mãos ao alto com orgulho
Respire fundo e diga bem alto:
Nunca podem, nunca irão, não podem nos controlar


Tem algo que eu não consigo entender
Se um cara tem 3 garotas ele é um garanhão
Ele pode enganá-las e usá-las como quiser
Mas se uma garota faz o mesmo ela é uma prostituta
Mas a discussão nao acabou
Eu aposto minha reputação nisso
Os caras roubam minhas idéias e levam os créditos por isso
Já chega, vocês não podem me controlar
E eu nao vou ceder
Pra vocês garotas que têm um homem machista
Respondam à altura e deixe assim
Vocês têm que dizer a eles que o jogo deles é furada
E Lil'Kim e Christina Aguilera te ajudarão


Você é apenas um garotinho
Que pensa que é bonitinho e gracioso
Você deve falar tanto
Pra compensar coisinhas pequenas
Diga que você é um garotinho
Tudo o que você sabe fazer é aborrecer
Você deve falar tanto
Pra compensar coisinhas pequenas


Isto é pra todas as minhas garotas...
Isto é pra todas as minhas garotas no mundo inteiro
Que tiveram um homem que não respeita o seu valor
Achando que as mulheres devem ser vistas e não escutadas
Então o que fazemos garotas?
Gritamos bem alto!
Falamos para eles que nós vamos marcar nosso território
Levem as mãos ao alto com orgulho
Respire fundo e diga bem alto:
Nunca podem, nunca irão, não podem nos controlar


Isto é pra todas as minhas garotas no mundo inteiro
Que tiveram um homem que não respeita o seu valor
Achando que as mulheres devem ser vistas e não escutadas
Então o que fazemos garotas?
Gritamos bem alto!
Falamos para eles que nós vamos marcar nosso território
Levem as mãos ao alto com orgulho
Respire fundo e diga bem alto:
Nunca podem, nunca irão, não podem nos controlar
Pode espalhar, não podem nos controlar

Link: http://www.vagalume.com.br/christina-aguilera/cant-hold-us-down-traducao.html#ixzz2ifBInxU5

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

E em algum lugar do Facebook...







Na Marcha das vadias, Paula Berlowitz com o cartaz dela,
 e eu com o meu polêmico cartaz.



Em uma postagem colocando em discussão o cartaz que usei na Marcha da Vadias, coletei as seguintes 'pérolas' nos comentários (mantive a grafia do jeito que estava):

- "Dona, se a senhora , do cartaz, levar uma cantada não é assédio... é milagre !"
- "alguém meche com essa véia? hahaha"
- "Quem cantaria uma anciã dessa ai?"
- "caminha na rua tropeçando nas tetas e ainda acha que leva elogio"
- "Quem vai cantar uma baranga dessas???????"
- "Normalmente as mulheres feias, velhas ou gordas são contra cantadas de rua, por um simples motivo: Como ninguem as elogia, não querem que elogiemos mais ninguém!"
- "Essa senhora é tão assediada assim? Faça-me o favor..."
- "elesa pode caminhar tranquila que nao receber nem um fiu fiu"
- "véi, na boa, quem dá cantada nisso?"
- "quem vai cantar esta merda?"
- "Tem que estar muito necessitado pra cantar essa senhora."

https://www.facebook.com/IconoclastiaIncendiaria/posts/490970384344016

[Postagem no blog dele - http://iconoclastia.org/2013/05/27/toda-cantada-de-rua-e-assedio/]

Respondi:


"Eu sou a 'velha', 'baranga', etc, que segura o cartaz. Fiz uma 'pequena' coletânea dos comentários sobre mim só aqui nesta postagem, o que já dá uma boa ideia do nível mental de quem acha que estou errada.

Quer dizer, tudo se resume a criticar a minha aparência/idade e achar que estou ressentida, mal amada, etc.
Na verdade eu represento mais de CINCO MIL pessoas que curtem a página  
Cantada de rua - conte o seu caso.
Se querem saber mesmo o que as mulheres sentem e pensam, vão lá dar uma olhada.

Para finalizar, se eu levo ou não cantada, não vem ao caso. Não é isso que está em discussão."


Alguém em solidariedade me disse para não levar em consideração; a minha resposta foi:

"Eu não levo em consideração, estou só mostrando até onde vai a falta de civilidade dessas pessoas. Se cantam mulheres do jeito que me trataram aqui, as reclamações são plenamente justificadas. Não acha?"


Mais adiante acrescentei:

"Interessante MESMO é observar como o autor da postagem permite essas tentativas de me insultar. Digo tentativas, porque elas dizem tudo sobre a pessoa que tentou me insultar, e nada sobre mim."


Update:
Depois ele me esclareceu que não censurou porque achou (com razão) que as ofensas jogavam contra quem as fez. Disse que tiraria se eu quisesse mas eu disse que podia deixar lá.

Mas mesmo assim ele não se convence que o problema é mais sério do que ele pensa, e insiste que 'tem que saber separar cantada de assédio.'  Na verdade sabemos separar, mas eu continuo insistindo que um estranho não devia falar nada para uma estranha na rua a menos que ela dê algum sinal de que está receptiva a algum tipo de abordagem.

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Feminismo quase 200 anos atrás

Por ocasião das comemorações do 20 de Setembro no Rio Grande do Sul, vi um artigo interessante que falava sobre a participação das mulheres na Revolução.

Chama especial atenção a seguinte parte, sobre Nísia Floresta:
"Para combater a submissão feminina ao mantenedor, traduziu ousada obra feminista, Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens.
Nela sobressaem duas reivindicações basilares para a História de Gênero: o direito ao estudo e ao trabalho remunerado, que capacitem a mulher gerir sua vida, pois ela é potencialmente capaz de advogar, de ministrar justiça, de exercer ensino universitário.
A imprensa silenciou, como forma de minimizar os efeitos da ousadia."

Isso é para quem pensa que feminismo começou na década de 60 e era sobre 'queimar soutiens'.

Na verdade sempre houve vozes se levantando, pedindo o direito de estudar, de ter um trabalho remunerado, de ter controle sobre as suas vidas. Se não sabemos mais sobre isso, é porque não houve interesse em manter isso registrado.

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terça-feira, 22 de outubro de 2013

SOBRE A PALAVRA 'FEMINISMO'


Sabiam que na época em que as mulheres lutavam pelo direito ao voto, o termo 'feminismo' não existia? Se chamavam 'sufragistas'. Essas mulheres eram esculachadas e chamadas, entre outras coisas, de 'mal amadas'.

Na década de 60 ainda, o movimento era chamado de "Womens' Liberation." Adivinha? Eram chamadas de 'sapatões', 'mal amadas', etc.

A verdade é que é a luta das mulheres que é mal vista, tenha o nome que tiver. O feminismo é visto desse jeito porque foi muito demonizado.


Por quê a luta contra o racismo pode se chamar de 'Movimento Negro' e não é demonizado da mesma forma, dizendo que os brancos tem que ser incluídos nisso? 


Por quê a luta LGBT pode se chamar assim, e o pessoal em geral não reclama que tem que incluir os héteros.

O feminismo foca nos problemas específicos das mulheres, e os homens deviam tentar entender o que as mulheres passam antes de opinar. 


Em vez de reclamar, informe-se.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Além do ateísmo


Me perguntaram no Facebook porque eu não postava mais sobre ateísmo. 

Bem, há vários motivos. Um deles é que de certa forma já falei tudo que eu tinha para falar sobre isso. Continuar com isso seria andar em círculos a essas alturas. É como se chegássemos a uma rótula e, em vez de escolher um caminho para continuar, ficássemos andando em volta da rótula eternamente (essa comparação foi feita pelo Eli Vieira, e achei bem pertinente).

Em abril de 2010 postei um texto - Ateísmo é só uma negação?   - onde eu tento explicar como eu passei a enxergar além do ateismo.


Tem também um texto que saiu no Bule Voador - "Sou ateu!" Tudo bem, mas e daí? - que mostra de forma bem clara que ser ateu/ateia em si mesmo não é uma qualidade nem defeito, apenas uma característica. E até pode ser qualificado com um tipo de crença, de acordo com Gregory Gaboardi em sua série Por quê o ateísmo é uma crença  em sete partes.

Enfim, para mim o humanismo se tornou mais importante há bastante tempo (até por isso deixei de lado a 'ateia de bom humor' e passei a me denominar 'Uma Ateia Humanista')

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sábado, 19 de outubro de 2013

Que família? [por Maria Berenice Dias]

"Não é mais possível viver 
em um mundo que exclua pessoas 
do direito à felicidade"




Que família?, por Maria Berenice Dias*

Soa no mínimo estranho ter sido instituído o dia 21 de outubro como Dia Nacional de Valorização da Família. Claramente mais uma das tantas tentativas de formatar os vínculos afetivos dentro de um único modelo conservador: matrimonializado, patriarcal, patrimonial, indissolúvel, hierarquizado e heterossexual.

O fato é que, tanto o Estado quanto todas as religiões, credos e crenças sempre tentaram amarrar e eternizar os vínculos afetivos. Para isso, foi criado o casamento. Simples contrato considerado uma instituição, um sacramento, com a só finalidade de impor ao par o dever de se multiplicar até a morte.

A sacralização do matrimônio como única forma de constituir família sempre teve – e ainda tem – efeitos nefastos. Durante mais de meio século, as uniões extramatrimoniais, chamadas de marginais ou ilegítimas, não eram consideradas família. Com isso, a Justiça fez legiões de mulheres famintas, pois nunca lhes concedeu nem alimentos, nem direito a qualquer bem.

As uniões paralelas são outro exemplo. Batizadas mais recentemente com o nome de poliamor ou uniões poliafetivas, continuam alijadas do sistema legal, na vã tentativa de fazê-las desaparecer. Mas condenar à invisibilidade, negar efeitos jurídicos, acaba por chancelar o enriquecimento injustificado do homem que mantém duplo relacionamento.

De igual modo, as uniões formadas por pessoas do mesmo sexo, que são alvo da mais perversa exclusão social e legal. A saída foi criar a expressão homoafetividade, que ressalta mais a natureza afetiva do que meramente sexual do relacionamento. Certamente foi o que levou a Justiça a reconhecer as uniões homoafetivas como entidade familiar e assegurar acesso ao casamento.

Mas não basta a construção jurisprudencial. Há a necessidade de uma legislação, não só para conceder direitos, mas também para criminalizar a homofobia. Este foi o compromisso assumido pela OAB ao elaborar o Estatuto da Diversidade Sexual e coordenar um movimento nacional de coleta de assinaturas para apresentá-lo por iniciativa popular.

Mas o que se vê no Dia Nacional de Valorização da Família são comemorações promovidas por igrejas evangélicas afrontando até o que preconiza a Constituição Federal, que reconhece como entidade familiar, merecedora da especial proteção do Estado, não só o casamento como também a união estável e a família monoparental.

Na realidade dos dias de hoje, é indispensável ter uma visão plural das estruturas vivenciais, inserindo no conceito de entidade familiar todos os vínculos afetivos que, por imperativo de ordem ética devem gerar direitos e impor obrigações.

Não é mais possível viver em um mundo que exclua pessoas do direito à felicidade. Afinal, esta é a finalidade da sociedade e a razão de ser do Estado. Por mais piegas que possa parecer, é só isso que todos queremos: o direito de ser feliz.

*Advogada

sábado, 28 de setembro de 2013

Qual o sentido da cantada-de-rua?


Agora muitos homens estão argumentando que as mulheres 'precisam' entender a diferença entre uma cantada 'educada' e as grosserias e assédios.E que as mulheres tem que entender o lado dos homens, que só querem fazer um comentário inofensivo, um elogio. 

Não. Elas não tem que fazer isso. As mulheres passaram muito tempo caladas, 'entendendo' o lado dos homens. Está na hora de os homens tentarem entender o lado das mulheres. Muitos estão entendendo, mas outros estão teimosamente ainda insistindo que 'cantada' é muito diferente de 'assédio' e que portanto as 'cantadas' tem que continuar sendo toleradas?

Na verdade são vocês que tem que entender a diferença entre 'cantada' e abordagem.

Vamos lá.

Ok, você vê uma mulher desconhecida em algum local público (na rua, no ônibus, no trem, etc) e acha bonita.  

Não dá para simplesmente olhar discretamente sem encarar?
(Sabia que um olhar ostensivo em si já é percebido como uma ameaça? Já dá uma sensação de que há algo de errado com você, causa desconforto. Basta pensar em como vocês homens se sentiriam se algum outro homem olhasse para vocês de forma contínua e ostensiva.)

Aí você sentiu vontade de dizer a ela que a acha bonita (ou gostosa, ou qualquer outra coisa). 

Com que objetivo? Porque acha que ela vai gostar ou porque quer satisfazer o seu próprio impulso? No primeiro caso, você lê pensamentos? Tem certeza que ela vai gostar? No segundo caso, não acha que está sendo egoísta?
Então, exceto no caso de realmente querer conhecer aquela mulher, na dúvida é melhor deixá-la em paz.

Está de fato interessado em conhecê-la melhor para um possível futuro relacionamento? 

Que tal olhar para ela como uma pessoa e tratá-la como tal ao abordá-la, e não com um 'elogio' superficial? Há muitas formas de abordar uma mulher de forma respeitosa sem recorrer a 'cantadas'. E tem que ficar atento aos sinais. Se a mulher apressa o passo, desvia o olhar e parece apreensiva, esquece. Deixe-a em paz. Se houver um contato ocular, um pequeno sorriso, a mulher provavelmente estará receptiva a alguma conversa. Respeitosa.

As mulheres estão nas ruas atualmente para cuidar de suas vidas. Estão indo ao trabalho, ao supermercado, academia, buscar os filhos. Falar alguma coisa para qualquer pessoa desconhecida na rua sem um bom motivo é uma forma de invadir a privacidade dela. Afinal, está tentando chamar atenção dela por quê?

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A incompetência de uma certa operadora de telefonia e internet

No dia 13 de setembro o nosso telefone fixo amanheceu com um forte ruído e não fazia nem recebia chamadas. A conexão com a internet também não funcionava. 


Telefonamos imediatamente à Operadora (não direi qual é, só que ela muito provavelmente receberá um sonoro 'Tchau' em breve), que prometeu resolver o problema em 24 horas.  No outro dia, sábado, ligamos novamente (aí o telefone estava mudo, simplesmente, e a internet idem) e prometeram novamente resolver em 24 horas. 

No domingo, nada. Segunda, nada. Terça, nada. 

Na quarta ligamos novamente, e conseguimos falar com alguém na terceira vez, porque nas duas primeiras a ligação caiu enquanto esperávamos, tendo que aguentar um música horrorosa tocando na linha. Falaram que davam novamente o prazo de 24 horas MAS que como parecia ser um problema mais sério, um problema geral envolvendo mais linhas, poderia demorar mais. Na verdade ele afirmou que era um problema geral.

Na quinta, nada. Sexta, nada, Sábado, nada.

Até então havíamos só reclamado do telefone fixo, porque só há a opção de reclamar OU do telefone OU da internet, mas não as duas coisas. Era óbvio que a internet não estava funcionando por causa do telefone e que as duas coisas estavam interligadas.
Uma semana antes ligamos avisando que um fio havia caído do poste na frente da nossa casa, e aí vieram arrumar em 24 horas. Aparentemente a gente tem que dar o diagnóstico pronto, senão não sabem o que fazer...

No domingo decidimos reclamar da internet, já que reclamar do defeito do telefone não parecia sensibilizar ninguém. Prometeram enviar um técnico em 24 horas. Passado o prazo, conseguimos finalmente falar diretamente com o supervisor da equipe da tal Operadora na nossa cidade, às 11:00 da manhã de segunda (hoje, 23 de setembro), já tendo ficado sem telefone e internet por 10 dias. Ele acionou a equipe que veio à tarde e descobriu muito rapidamente que o problema era um fusível queimado na caixa de controle em um poste na esquina da nossa rua. 

Um problema fácil de resolver, mas a Operadora não foi capaz de enviar ninguém para verificar o problema no poste, sendo que já havia acontecido antes problemas com a fiação. (No mês de agosto já havíamos ficado 8 dias sem telefone e internet devido a problemas com fios rompidos.) 

Por quê a Operadora não acionou a equipe? Por quê nós só conseguimos uma solução quando entramos em contato pessoalmente com o supervisor?

Dá para confiar em uma Operadora assim?

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Afinal, qual o problema com a cantada-de-rua?

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Venho acompanhando essas discussões faz tempo, e uma das coisas que sempre surge é que há uma diferença entre um galanteio e uma cantada inofensiva para as cantadas grosseiras e o assédio. 

É verdade, tem mesmo. 

E por causa disso muitos homens não conseguem entender quando dizemos que é preferível não dizer nada a menos que a mulher tenha dado sinais muito claros que está receptiva. Abordar uma mulher desconhecida na rua, sem nenhum sobreaviso, para dizer algo como 'linda' ou 'gostosa' hoje é uma experiência assustadora para muitas. E há um bom motivo para isso.

Há uns 30 ou 40 anos, uma menina que ignorasse e não respondesse a um 'psiu' ou qualquer outra tentativa de chamar a atenção dela na rua ganhava 'pontos' com isso; ela era vista com admiração e considerada uma 'moça direita'. As regras eram claras, era só ignorar que ficava tudo certo. Eu imagino que seja por isso que até hoje muitas mães dão esse conselho às filhas, "ignore, faz de conta que não ouviu."

Só que isso não funciona mais.

Atualmente o que se vê é que as regras mudaram, e de forma bem arbitrária. Já são vários relatos de mulheres que contam que ignoraram uma cantada e foram xingadas e até agredidas por isso. O mesmo pode acontecer se ela deixa claro que não gostou. 

Ou seja, não há mais nenhuma garantia que um certo tipo de reação vai ter o resultado desejável.

Aquilo que começou como um 'galanteio' pode acabar em agressão em alguns casos, e o problema é que não há como saber quando e como isso vai acontecer. Por isso qualquer cantada, por mais inofensiva, se torna assustadora. 

Se você é o tipo de homem que não tem intenção de ofender ou agredir, ainda assim você precisa entender que muitas mulheres hoje sofrem de algo muito parecido com Síndrome de Stress Pós-Traumático. De tanto serem agredidas de forma arbitrária e inesperada, se sentem mal com qualquer tipo de abordagem. 

Vale a pena insistir nisso, com a desculpa de que 'algumas gostam', agora que sabem que estão causando grande sofrimento a uma significativa parcela de mulheres?

Vale a pena ignorar todos os relatos das mulheres que insistem em dizer que não gostam?

Recomendo a leitura:
Chega de Fiu Fiu: resultado da pesquisa

 De acordo com ela, 83% das mulheres não gosta.


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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Guest post - As causas da violência contra a mulher

[por Marison Lacerda]







Oportunidade para fazer do meu primeiro post no Facebook algo relevante. Vai ficar extenso, mas acho que devo. Provavelmente não será o típico post de Facebook, mas não quero que a sociedade continue funcionando dessa forma típica que vemos.

Esse número, 7 em 10 mulheres sofrerão alguma violência em suas vidas, assusta demais. Já o conhecia, mas vendo essa imagem novamente voltei a pensar no quanto gostaria de ter uma garantia que minha esposa estivesse nesses 30%. E minha sobrinha que não tem nem um ano. Minhas mãe, sogra, tias, outra sobrinha, cunhadas, colegas de trabalho...

Infelizmente algumas das mulheres que citei já passaram por isso, já engrossaram a estatística. Nem sempre saberemos, mas seria muito bom que não venham a sofrer nada novamente. A luta continua para todas e por todas. É constante.

O que fazer para diminuir esse número?

Ajudar a reformar a sociedade. Mudar o pensamento. Mulheres não são objetos. Claro, ninguém acha isso, não é?

Quando a única característica de uma cientista que conseguiu um novo tratamento é salientar que ela é bonita (ou feia), você está desvalorizando todas as outras características. A única que se destaca para mim é o fato de ser muito inteligente. O mesmo ocorre para uma contratação baseada apenas na beleza. E existirão mulheres inteligentes e belas assim como existem homens. Não confundam. Só para exemplificar, um grupo de cientistas composto por mulheres curaram um recém-nascido com Aids recentemente.

Podemos perder um objeto. Quando deixamos de ter o convívio com uma mulher por qualquer motivo, não a perdemos da mesma forma. Infelizmente, vários homens sentem assim e matam e ferem ex-mulheres. Ou atuais. Ocorre muito. Devem ser parte bem significativa nessas estatísticas.

Mulheres serem tratadas como vacas ou putas fazendo referência a como se vestem ou se comportam sexualmente é outra faceta dessa forma de pensar que tenta limitar o que uma mulher pode fazer, mas normalmente não se tem uma preocupação similar com os homens. Você só limita (ou deveria), o que é seu. Se você acha que tem direito de fazê-lo com todas mulheres, você está contribuindo para a violência.

Fora que tratar mulheres como descrito acima ainda serve para justificar a violência sexual. É uma vaca mesmo, é feita para isso, está querendo e coisas do tipo, permeiam a mente do pré-estuprador que não precisa ser e quase nunca é uma pessoa doente. Só é muito mal alimentado mentalmente. Pode ser namorado, marido. A mulher pode estar bêbada, desmaiada, sem vontade, ser uma criança ou, mais raro e sempre atormentador, estar andando numa rua qualquer. Não temos o direito de deixar acuadas constantemente metade de nossa população por mantermos ideias preconceituosas.

Toda vez que uma filha é tratada diferente de um filho, que se entende que isso é coisa de mulher ou de homem, que se faz uma piadinha sobre mulher não saber dirigir, loiras serem burras, que ser sensível é coisa de mulher ou qualquer dessas besteiras, estamos caminhando para entender a mulher em nossa sociedade de uma forma diferente, irreal, que serve de justificativa para essa violência e outros tratamentos que sempre a prejudicam. Não apoiem isso. Pense em cada coisa que vão curtir ou compartilhar. Pode parecer engraçado, mas estamos só distribuindo conceitos antigos e sem nenhuma base na realidade, exceto a criada culturalmente, que devem parar por aqui.

E a culpada de um estupro ou violência qualquer nunca é a vítima. Nunca é por serem consideradas bonitas, por como se vestem, por como se comportam. Mulheres vestidas com burcas são estupradas, de vestidos até o pé, até o joelho, de microssaias, de calças jeans. Mulheres que olham para a frente o tempo todo, mulheres que olham para trás para verem se estão sendo seguidas, mulheres que olham para todas pessoas e dão sorrisos. Que não sorriem. Consideradas feias ou bonitas. Nenhuma escapa por nada que possa fazer ou ser. Muito injusto.

Na rua, não ache que é alguma vantagem para uma mulher receber cantadas de todos os desconhecidos. Uma ou outra pode até gostar, pode ajudar em sua autoestima, o que não é errado também, mas a maioria vai se sentir com receio de que numa situação em que um possível agressor pudesse sair impune ou sem um flagrante, ela correria grandes riscos. E corre mesmo, pois os números são altos. Mesmo uma olhada insistente pode ser ruim. E para quê mesmo é isso? Que sentido tem? Você tem o direito de aterrorizar alguém?

Escrevo muito por preocupar demais com minha esposa. Ela está próxima. Convivemos todos os dias um bocado. Ontem não assistimos nada por mais que uns minutos para ajudar a relaxar para dormir. Ficamos discutindo um pouco esse assunto e como sempre foi bom e me inspirou. Quero um mundo mais seguro para ela.

Desejo a todas as pessoas um bom dia para refletir no que desejam para essa mulherada tão legal que existe nesse nosso planeta. No mínimo, todas merecem respeito e não conviverem com o medo constante. — com Gi Lacerda.

sábado, 17 de agosto de 2013

Minha participação no X Seminário LGBT em Brasilia









Em 14 de maio de 2013 aconteceu o X Seminário LGBT promovido pelo Deputado Jean Wyllys. Logo antes da minha fala o Deputado Jean Wyllys anunciou que o CNJ havia regulamentado o casamento igualitário para todo o Brasil. Logo em seguida falei sobre a importância do Estado Laico em relação às liberdades de crença e de direitos individuais.

Mais:
http://ateiadebomhumor.ligahumanista.org/2013/05/x-seminario-nacional-lgbt.html
http://ateiadebomhumor.ligahumanista.org/2013/05/x-seminario-nacional-lgbt-fotos.html
http://ateiadebomhumor.ligahumanista.org/2013/05/jornal-da-camara-de-brasilia.html

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sábado, 3 de agosto de 2013

Desabafo de uma trans*

Acabei de ver isso no Facebook e pedi permissão à autora, Daniela Andrade, para divulgar aqui.

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Tantas pessoas trans* confessam para mim que querem se matar, que estão pensando em suicídio, que chego à conclusão de que talvez não haja uma pessoa trans* que não tenha cogitado essa hipótese ao longo da sua vida.

Os motivos sempre se encontram:

"Meus pais não me aceitam".
"A sociedade não me aceita".
"Eu queria fazer todas as cirurgias para que ninguém descobrisse que sou trans*".
"Eu estou enlouquecendo sem poder me hormonizar".
"Eu não vou conseguir viver essa vida sem essa cirurgia".
"Ninguém vai gostar mesmo de mim, por que eu sou trans*".
"Ninguém vai mesmo se importar se eu me matar, quem se importa para as pessoas trans*?"

Essa semana uma mulher trans* me confessou que não aguentava mais trabalhar onde trabalhava, ela é obrigada a usar o banheiro de deficientes físicos pois as mulheres cis reclamaram da presença dela no banheiro feminino. E outros funcionários perguntam para a chefe dela: "O que essa daí é? Não é mulher por que se parece com homem, mas também não pode ser homem por que homem não tem seios". Fazem piadas, ridicularizam, e ela disse que chegou a um ponto que não aguenta mais. Está entregando os pontos.

Uma outra mulher trans* adolescente me disse que está pensando em suicídio, pois foi proibida de se hormonizar pelos seus pais e sente que não aguentará a vida vendo seu corpo transformar-se em algo que ela não reconhece como seu.

Onde encontrar força com o peso do mundo desabando sobre você? Com toda uma sociedade dizendo que você não tem direito de ser um ser humano? Tratando você como ser abjeto?

Eu já pensei muito em suicídio, a vida toda, tentei também o suicídio o que fez meus pais me levarem (mais uma vez) no macumbeiro, no padre, no psicólogo, no psiquiatra. Uns diziam que era encosto, outros diziam que era frescura, outros diziam que era um trauma, outros diziam que era falta de certa substância no cérebro.

Não era nada disso, era apenas a vontade de continuar a ser eu mesma: negada e repreendida.

Penso em suicídio muitas vezes, da última vez pensei em me jogar da janela do sétimo andar onde eu moro; aí procurei o psiquiatra e zás, empanturrei-me com mais uma marca de mais um antidepressivo e mais outro ansiolítico. Parece que para eles tudo se resolve com medicação. A realidade é muito opressiva? Temos a droga certa para resolver isso.

De vez em sempre não sinto vontade de sair de casa, nem para ir para mais uma entrevista de emprego onde sei que o fato de eu ser trans* vai pesar consideravelmente - e na maioria dos casos, fator impeditivo. Não dá para negar isso quando vejo homens cis na mesma área e cargo desempregarem-se hoje e encontrarem uma vaga amanhã nessa área em que estou, mesmo com menos currículo. A falta de vontade é por saber que não haverá surpresas, a transfobia está em toda parte e é sempre preciso fingir ou encontrar outros artifícios para tentar fugir ou enfentrar.

Com o tempo passei a fazer adaptações: andar com fone de ouvido para não precisar ouvir as piadinhas e os traquejos transfóbicos da claque: "olha o traveco", "isso aí é mulher ou homem?" e óculos escuro para lidar melhor com os olhares inquisidores e acusatórios. Muitos não conseguem disfarçar do incômodo que é para eles estarem respirando o mesmo ar de uma pessoa trans* em um mesmo espaço. Algumas vezes cheguei a usar óculos escuro até à noite - deveriam pensar que eu estava muito louca de droga. Mas aí o óculos quebrou e não quis comprar outro, passei a fingir que as pessoas não me olhavam, mas se o olhar se fixava, encarava. E não são poucas! É preciso uma coragem hercúlea de quem sai pronta para enfrentar o exército transfóbico.

Às vezes, pensar em suicídio é como uma brisa, uma terapia para os dias mais difíceis. E não recrimino o suicídio em si, pois acho que o suicídio é também uma coerção social, como analisou Durkheim em sua obra sobre esse fenômeno. Como não pensar em suicídio quando a sociedade está o tempo todo colocando em xeque o seu gênero, a sua humanidade? Como não pensar em suicídio sabendo que as mais simples tarefas para as demais pessoas, como por exemplo, esperar ser tratado pelo nome que você diz que é seu, se torna um fardo quando você é trans*? Como não pensar em suicídio vivendo em uma sociedade que genitaliza as pessoas e transforma homens em pênis e mulheres em vaginas?

Não dá para não pensar e proibir as pessoas trans* de fazê-lo - e, sequer, é uma surpresa pra mim quando mais uma pessoa trans* me diz que está pensando em se matar. Como não se matar quando tantas vezes você de fato já está morta, vivendo uma vida em que todos olham através de você, fazendo o máximo possível para fingir que você não existe, repudiando a sua identidade, negligenciando seus direitos e simplesmente não falando sobre as opressões cissexistas tão enormes contra as pessoas trans*? Como não pensar em suicídio quando parece que não há para onde você virar ou onde buscar ajuda para que consiga se entender, e onde possa obter empatia - a mesma que todo ser humano precisa. Onde não seja recriminada, onde seja acolhida, onde parem de questionar por que você se diz ser isso ou aquilo.

Pensar em suicídio faz parte da vida de muitas pessoas trans*, muitas realmente o levam a cabo, nos EUA 42% das pessoas trans* já tentaram o suicídio. No Brasil não sabemos, não há quaisquer dados sobre a população trans*, o IBGE perguntou em sua pesquisa sobre pessoas homossexuais na casa, mas nenhuma pergunta sobre pessoas trans*, somos invisíveis para o governo, para a sociedade: nossos suicídios também são invisíveis, sobretudo os diários, que nos matam à conta-gotas, diariamente.
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Até quando essa insensibilidade para com quem é trans*? 
Cadê a compaixão?


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Guest post - Desafio lançado: Como seu preconceito digere essa?

[por Marison Lacerda]






Katie é uma mulher que possui os cromossomos sexuais X e Y, como um homem típico teria. A aparência é feminina pois parte do seu desenvolvimento durante a gestação não ocorreu. Todo feto de homem é indistinguível de uma mulher no início da gravidez. Lá pela 7ª semana que começa a se diferenciar, mas externamente não se notará nada até depois da 10ª semana. Homens adultos que se desenvolveram normalmente possuem vestígios de útero e vagina.

"Para mim ela é homem então, não adianta parecer mulher, por que você está falando que ela é mulher?"

Porque é assim que ela se sente. É como ela se identifica. O mais importante é sempre respeitar a vontade da pessoa. A aparência é secundária. Se ela parecesse homem e se sentisse mulher, deveria ser tratada como mulher. Faça assim que não erra, a menos que a pessoa peça para ser tratada de forma diferente.

A sociedade funciona muito baseada em classificar pessoas, situações, comportamentos, objetos. Fica mais fácil para vender ideias, para controlar, para manter a ordem que beneficia uns poucos e prejudica muita gente. Você não precisa ser assim. Não precisa ter só duas caixinhas com uma etiqueta marcada com o texto "homem" numa e noutra "mulher" e tentar encaixar cada pessoa que conhece em uma caixinha dessas.

Besteira isso. As pessoas são muito mais únicas e precisam ser tratadas de forma única também. É melhor para todo mundo, inclusive para você que pode não se sentir diferente da Katie, e se a indústria, o marketing, os governantes e outros grupos que usam disso se ajustarem, será bom para toda a espécie humana.

"E se a pessoa resolveu se diferenciar depois de nascida, maquiando, vestindo saia, falando fino forçado? Acho feio, não gosto."

Não gosta por que? Provavelmente não te afeta em nada, exceto talvez por não ser fácil colocá-la numa das duas caixinhas que descrevi acima. Liberte-se dessa necessidade e pare de associar quem faz isso com coisas negativas. A pessoa pode ser motivada por se sentir mais mulher, ou mais homem, que sua aparência indica. Pode ter outro motivo. Respeite-a assim mesmo e trate-a bem que você não erra.

"E se for pior ainda, ela fizer uma cirurgia para mudar de sexo e até tomar hormônio?"

Mesma ideia. Ela está fazendo o que está a seu alcance para ficar mais parecida com a forma como se identifica. Em essência ela pode estar fazendo isso apenas para se sentir melhor consigo mesma. Não é possível uma diferença no desenvolvimento uterino mudar uma aparência que estaria "escrita nos genes". E se a pessoa tem essa aparência "escrita", mas não se identifica com ela. Não seria uma opção para ela mudar?

"Estou até concordando com tudo isso. Sou besta mesmo de ter pensado de outra forma. Existem outras diferenças que dificultam ainda mais usar só duas caixinhas para tratar gênero?"

Claro que tem. Uma coisa é o par de cromossomos sexuais que uma pessoa tem, outra como ela se identifica e ainda temos a questão de como é a aparência que possui atualmente que pode querer ou não mudar.

Por outro lado, tem uma outra bem importante, provavelmente mais comum, mas que merece respeito da mesma forma. O interesse sexual também pode variar muito. Ela pode se interessar por pessoas do mesmo sexo, de sexos diferentes, ser do tipo "tanto faz" e pode até não se interessar nada ou muito pouco por sexo. Essas situações são normais, acontecem desde sempre, acontecem com outros animais. Tem animal que até muda de sexo de acordo com a necessidade, não precisa ser tão complicado com o Homo Sapiens só por causa da necessidade de encaixar em poucas caixinhas.

E ainda pode haver combinações dessas várias situações. Uma mulher como a Katie, com cromossomos XY e aparência "feminina", pode gostar de outras mulheres sexualmente. Uma pessoa geneticamente homem, mas transgênero pode se sentir atraído por mulheres, mesmo tendo feito cirurgia e ser reconhecido como uma mulher se olharmos para uma foto.

"Puxa, vou precisar de caixinhas demais para encaixar essas variações todas, não?"

Pare de encaixar então. Simples assim. Se você considerar que nem gêmeos idênticos geneticamente são iguais, que há etapas do desenvolvimento uterino e principalmente coisas que acontecem depois que podem mudar muito como a pessoa enxerga o mundo, precisamos mesmo é de uma caixinha para cada pessoa. Ou então coloque todo as pessoas independente do sexo numa caixinha só marcada de "humano". E o mais importante, trate-os todos de forma igual. Ainda melhor, não precisamos de caixinhas.

Desejo que essa história do link e o restante do texto dê um nó no cérebro dos preconceituosos. Depois, aos poucos, esse nó pode ir sendo desfeito e com ele parte ou todo o preconceito acumulado até aqui.

Não precisa mudar hoje totalmente, ser uma pessoa sem preconceito nenhum já, mas pelo menos não transpareça mais seu preconceito, não aja em função dele, não prejudique ou ofenda ninguém mais. Ele ficar aí dentro de você vai ser danoso só para você, mas é melhor que assim seja pois ninguém mais deve sofrer por isso.

Ainda que ser preconceituoso esteja ligado a baixo QI como já postei antes, não tenho preconceito contra você e acredito mesmo que possa mudar. O motivo do seu preconceito pode ser outro. Podemos ser preconceituosos por assim o serem nossos pais, os grupos que participamos, o que recebemos de informação da mídia. Mudei muito ao longo da vida nesse aspecto e continuo mudando. Todos podem.

Tentar classificar as pessoas pelo sexo, cor, condição econômica e social, aparência física, o que acredita ou não acredita só serve para fazer vários grupos sofrerem. Podemos achar que estamos num grupo favorecido e achar isso uma vantagem, mas para um determinado grupo sempre podemos ser considerados inferiores, errados, que fazemos coisas feias. Vamos parar com isso. Não ajude a construir o que pode te prejudicar no futuro.

Usar termos como "aparência feminina" pode inclusive ser considerado desrespeitoso, pois muito do aparência feminina (ou masculina) vem da forma como a sociedade entende a mulher. E isso muda a cada cultura. Homens vestem saias, maquiam, usam vestidos em culturas diferentes da nossa. Ser musculoso não é característica masculina, é apenas característica de quem faz muitos exercícios físicos, podendo ser geneticamente homem ou mulher. É possivelmente mais comum termos homens musculosos pois homens são colocados na caixinha dos agressivos e fortes e mulheres na das sensíveis e fracas. Isso os molda para procurar profissões e forma de vida que os levem a ficarem musculosos, mas isso não vale para todo mundo. Eu sou um banana, sensível, fraco e sem músculos! E estou feliz assim como minha esposa está. Percebam o quanto é melhor não tentar encaixar ninguém em uma classificação?

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Link para a notícia -
http://saude.ig.com.br/minhasaude/americana-descobre-que-geneticamente-e-um-homem/n1597272252864.html

 
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no Facebook - https://www.facebook.com/photo.php?fbid=497489773660846&set=a.439811626095328.1073741826.100001994823142&type=1

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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Pelo direito de NÃO ter filhos

Há tempos que vejo isso sendo discutido, e sempre vejo as reclamações dos que não querem ter filhos por causa da pressão familiar e social por causa disso. Hoje me deparei com um desabafo muito contundente, e achei uma boa ideia divulgar. Foi postado no Facebook por Marison Lacerda.





Não querer filhos, espermograma solidário, câncer de próstata e respeitar as diferenças







Giselle e eu nunca quisemos ter filhos. Gostamos de crianças, crianças gostam de nós, tratamos bem, mas nunca de fato tivemos vontade.

Entendemos bem o que significa ser pai ou mãe, sabemos que há coisas boas e ruins no meio, não temos medo de desafio. Só não temos é interesse mesmo.

Só que isso é constantemente cobrado por familiares, amigos, colegas de trabalho e ultimamente, médicos. Mesmo que não venhamos a mudar pela vontade alheia, ainda é um pouco chato escutar algumas coisas de tempos em tempos e ainda pior quando o modo de pensar dos outros impede que façamos algo que julgamos importante para nós.

Uma das cobranças mais pesadas das recentes foi a Giselle escutar que está doente pois não cumpriu com o papel de mulher que é ser mãe. Além de desagradável, desnecessário, não solicitado, e preconceituoso, é machista.

Há um ano e meio Giselle descobriu que tem esse problema de saúde. Passamos por diversos médicos, uns 5. Ninguém a quis operar e as únicas propostas de tratamento foram coisas como "vá levando a dor e os efeitos colaterais" ou "vamos trocar seu anticoncepcional que deve melhorar um pouquinho". E foi só um pouquinho mesmo. Uma das ginecologistas ainda a tratou como um nada pela possibilidade de não ter filhos. Como se a invalidasse como um ser humano. Felizmente, meio que por instinto, a primeira coisa que falei depois dela comentar do diagnóstico foi que é muito mais que a possibilidade de ser mãe. E é mesmo: é uma profissional competente, se formou com bastante mérito e esforço, é uma excelente filha além de ser uma pessoa maravilhosa que me faz querer ser melhor para merecê-la pelo máximo de tempo. Foram algumas das coisas que apontei. Felizmente ajudou um pouco a ela se recompor.

Fui recentemente ao urologista para fazer o preventivo de câncer de próstata. Não tinha certeza de quando era indicado, já havia ouvido falar que é a partir dos 35 e de muitos que dos 40 anos, mas como um tio teve recentemente e passou pelas dificuldades típicas do tratamento, preferi não arriscar e fui fazer com 38. O médico mesmo falou que operou um paciente com 34 anos, mas todos os homens da família, incluindo filhos mais velhos, tiveram câncer. De qualquer forma, façam o exame quando fizerem 40, parem de achar que afeta a sexualidade e temer algo tão besta, tão rápido.

O urologista perguntou se tinha e se queria ter filhos. Respondi não para ambas, ele não concordou, mas não insistiu muito. Ao propor os exames, disse que normalmente indica um espermograma numa primeira consulta. Falei que não era necessário, mas poucos segundos depois voltei atrás e falei que faria. Pensei que se por acaso fosse infértil, facilitaria todas as decisões em relação ao tratamento da Giselle um bocado. Teríamos mais argumentos para combater o grande receio dos médicos em fazer uma cirurgia que possa afetar a fertilidade. Fora que a cobrança não cairia apenas sobre a minha esposa. Mulheres sofrem ainda mais com isso, como se não fossem necessário ambos sexos para uma gravidez e como se os homens fossem sempre férteis. Descobri que sou estéril. Mais que isso, sou surround 5.1!

Felizmente, o meu PSA está bem baixo e não tenho câncer de próstata. A questão da minha infertilidade não tem importância alguma, exceto por agora minha esposa não ser automaticamente culpada sozinha por não termos filhos.

Na sexta, Giselle vai passar por cirurgia incapacitando-a de ter filhos também. Para mim, a única coisa importante é ela sair melhor do que está agora. Parar de sentir dor a todo momento, ter mais ânimo para viver, dormir melhor, se livrar de vários dos efeitos colaterais que possui pelo tratamento que vem fazendo.

Portanto, decidimos expor nossa vida aqui para que as pessoas entendam que não teremos filhos, cessem as cobranças e entendam que estamos bem com essa situação.

Entendemos até as cobranças, somos cobrados normalmente por pessoas que se importam conosco. Sei que podem ser com boa intenção e sabemos que muitas pessoas adoram ter filhos e por isso acreditam que é o melhor para todos. Nunca assumam isso. Não funciona assim e sempre poderá gerar problemas e incomodar os outros.

Respeitar as diferenças é fundamental e inclusive indispensável para a humanidade continuar a se desenvolver. Avançamos muito mais graças a todos que pensaram diferente que por seguirmos regras, leis, dogmas e ideias alheias. A humanidade não será condenada por isso. Sempre teremos novos seres humanos sendo gerados, pois pessoas também pensarão diferente de nós.

E respeito não pode ter pré-requisito. Não deve estar ligado ao fato de você concordar ou não com a pessoa. Respeite pessoas que preferem ficar sozinhos, com parceiros, com vários parceiros, com parceiros de outros sexos. Não importa e provavelmente não afetará sua vida em nada, então aproveite e respeite todos mesmo. Sempre temos algo diferente em nós. Gostaria de ser desrespeitado por ter aquela manchinha que só você tem debaixo do seu queixo?

Podem compartilhar. De repente mais pessoas com decisões parecidas serão respeitadas. Conhecemos pelo menos três casais que decidiram o mesmo e também escutam demais. — com Gi Lacerda.



sábado, 13 de julho de 2013

Alerta de golpe por celular


Hoje recebi CINCO torpedos informando que eu havia ganhado em uma tal de 'Mega Bolada', na qual nunca me inscrevi. O SMS diz:

” Inf Vivo: Parabens!Voce ganhou R$ 100.mil reais na promocao MEGA BOLADA! Envie.gratis p/6060 ou ligue ja e garanta seu premio p/ 0158581391454 senha:99982″

O número de onde veio o SMS é +5511973924095, parece ser de São Paulo.

Encaminhei para 133028 como recomendado aqui: 
http://www.vivoblog.com.br/alerta-saiba-como-se-proteger-de-sms-falso-enviado-em-nome-da-vivo.html 

Vale o alerta: sempre que algo para 'bom demais para ser verdade', provavelmente é mesmo.

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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Sexo frágil? / Cultura Machista

Hoje saiu na Zero Hora [Opinião ZH, página 16] um excelente artigo de Maria Berenice Dias* , Sexo frágil?


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É chegada a hora
de as mulheres
deixarem de ser
tratadas como
pessoas frágeis que
estão protegidas no
recinto do lar!


" É o que todo mundo diz, que a mulher é o sexo frágil! Talvez porque sua compleição física seja menor. Quem sabe, porque sangra todos os meses e precisa de algum resguardo enquanto grávida. Mas o certo é que foram os homens que criaram este mito. E o pior, as mulheres acreditaram. Afinal, é uma situação de conforto. Dá uma certa tranquilidade ter alguém responsável pela gente. E, se eles são o sexo forte, assumem o dever de cuidar, de proteger. Não é por outro motivo que o homem tem que sempre ser mais: mais velho, mais alto, ganhar mais, tudo sempre mais...

Dessa condição de provedor, de superior, ao sentimento de propriedade, é um passo. Então, ele passa a mandar e ela a obedecer. Tem que se submeter. Ora, é dela a responsabilidade de cuidar da família, dos filhos, da casa. Ela é a rainha do lar!

Será que não está nesta assimetria a origem da violência doméstica? Uma realidade invisível, até o advento da Lei Maria da Penha. Ela chegou desacreditada, mas acabou empoderando as mulheres, que passaram a não mais se submeter ao jugo masculino. Começaram a ter coragem de denunciar, da buscar a proteção legal.

Pela vez primeira, passou a ser quantificada a violência contra as mulheres, e os números se revelaram assustadores. Com certeza não existe lei que tenha uma efetividade mais imediata. Concede medidas protetivas e autoriza a prisão de quem as desobedece.

Só que nem a Justiça, nem os poderes públicos estão conseguindo dar conta desta realidade. Basta atentar que, em oito dias, seis mulheres foram mortas.
Mas o mais surpreendente ainda é a cultura que parece conceder ao homem o direito sobre a mulher que _ pelo que todos ainda reconhecem _ é a mulher dele. Basta atentar que só depois de 20 horas a polícia de Sapucaia agiu. A determinação da autoridade policial foi ter paciência (ZH 5/6, p. 40). Mas até quando teremos paciência? Quantas mortes, quantas mulheres violadas e violentadas será preciso contabilizar até que as autoridades assumam a sua responsabilidade de assegurar proteção a quem se encontra em situação de vulnerabilidade?

É chegada a hora de as mulheres deixarem de ser tratadas como pessoas frágeis que estão protegidas no recinto do seu lar doce lar!"

*Advogada
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"É chegada a hora de as mulheres deixarem de ser tratadas como pessoas frágeis que estão protegidas no recinto do seu lar doce lar!"
Essa frase é especialmente ilustrativa porque já ficou muito claro que a mulher muito frequentemente  não está segura e protegida em casa.

Na mesma edição, na mesma página, tem um ótimo editorial - Cultura Machista - que tem muito a acrescentar à discussão. 


"O mais recente e mais rumoroso caso de violência doméstica, em que uma mulher foi encontrada desacordada em Sapucaia do Sul depois de ter sido mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro, acende um sinal de alerta no Estado em relação a uma cultura machista que resiste a mudanças. O elevado número de casos indica a necessidade de uma abordagem mais ampla do problema, que expõe falhas na rede pública de proteção, exige a adoção de providências há muito tempo adiadas e recomenda a intensificação de campanhas educativas voltadas para o respeito mútuo dentro de casa.

O recrudescimento das agressões _ são pelo menos seis mortes violentas de mulheres no Estado só nos últimos dias _ volta a chamar a atenção para o quanto a sociedade ainda precisa evoluir em relação a aspectos como esse. Já avançamos, é verdade. Há quase sete anos, por exemplo, a Lei Maria da Penha tornou muito mais rigorosa a punição contra quem pratica qualquer ato de violência contra o sexo feminino. A questão, mais uma vez, é que continuam faltando providências adicionais do poder público para garantir a aplicação do texto legal.

Normalmente, o assassinato de uma mulher pelo companheiro ou ex-companheiro é precedido de uma série de fatos que indicam a iminência de uma tragédia. A questão é que, sem a adoção de providências elementares como os Centros de Atendimento, poucas mulheres se animam a denunciar os responsáveis, temerosas das consequências.

Se o poder público falha, por razões culturais como as que movem os agressores, é preciso que a sociedade faça a sua parte, tanto na área educativa quanto na fiscalização. Cobrar providências e não fechar os olhos ao problema já podem ser consideradas duas contribuições importantes."

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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Cantada-de-RUA!


   Pois é, volto a abordar o tema. Dessa vez por causa do que aconteceu em resultado de eu ter levado um cartaz na Marcha das Vadias em Porto Alegre



 Um sujeito foi 'argumentar' comigo no Facebook que eu não poderia ter usado e expressão 'cantada', que o cartaz estava errado. Conforme expliquei na página Cantada de rua - conte o seu caso :


"..primeiro foi no meu perfil reclamar que eu não podia ter usado a palavra 'cantada', que estava errado. Primeiro eu pedi gentilmente que ele lesse os relatos desta página, mas ele não quis. Pedi que ele tentasse entender como as mulheres se sentem, e ele disse que isso não era o ponto, o ponto era o uso errado da palavra. Por fim eu disse que ele estava falando de algo que ele, como homem, não podia entender porque ele não passava por isso. Neste ponto ele me chamou de 'femista' e aí eu deletei esse comentário dele e o bloqueei; expliquei que não admito ofensas e ataques a mim na minha timeline.
Eu penso que a expressão "Cantada de rua" já mudou de significado há muito tempo. Hoje quando uma mulher ouve esta expressão, o que vem automaticamente à cabeça dela são todas as grosserias que ela ouve na rua todos os dias. Eu poderia ter explicado a ele que o que ele chama de 'cantada', hoje seria chamado de 'galanteio', se ele não tivesse me ofendido. E mesmo o galanteio é algo que um homem devia ter bastante cuidado ao usar. Já tivemos discussões aqui na página sobre abordagens educadas, mas pela falta de boa vontade dele, não deu nem para conversar sobre isso."

Então primeiro quero esclarecer que eu não disse que toda cantada é assédio. Eu disse que cantada-de-rua é assédio. Daqui pra frente vai ser escrito assim, com hífen, para que fique claro que se trata de uma expressão inteira. Assim como rabo-de-cavalo não se refere a qualquer tipo de rabo mas a um jeito específico de arrumar o cabelo, a cantada-de-rua não se refere a qualquer tipo de cantada. Se refere especificamente àquilo que muitas mulheres passam todos os dias quando andam na rua. 

Se perguntar a qualquer mulher o que lhe vem à cabeça quando ouve a expressão CANTADA-DE-RUA, 99% ou mais vai dizer que só se lembra de todas as coisas desagradáveis e mesmo assustadoras que ouvem e passam quando saem de casa.

 Usar a definição de dicionário e discutir o assunto sob o ponto de vista da 'fria lógica' não resolve o assunto. Palavras e expressões mudam de significado com o tempo e as circunstâncias, e num caso como este seria ao menos de bom tom tentar entender e escutar as mulheres sobre o assunto, já que são elas as diretamente atingidas.

Achei engraçado que o sujeito que discordou de mim se considera um 'iconoclasta'. Pois eu digo que iconoclasta sou eu, quando quebro com os estereótipos tão caros a certas pessoas, que insistem em manter a ideia ultrapassada do significado de certas palavras e ações. A sociedade muda, o significado de palavras e ações também mudam, e devemos escutar quem é diretamente atingido, não os que preferem ignorar a realidade para poder manter o seu privilégio.

O que se pretende ao chamar a atenção para esse problema? Principalmente chamar a atenção das pessoas para o que é praticamente invisível para quem não está diretamente envolvido. 

As pessoas circundantes precisam se conscientizar de que a mulher vítima desse tipo de assédio precisa de apoio e proteção. Ela definitivamente não precisa ouvir conselhos como "Ignore!" ou "Não use esse tipo de roupa". Quando há repúdio social a um determinado tipo de comportamento, ele tende a diminuir muito; é por isso que as pessoas geralmente não arrotam ou soltam gases em público. Não há lei que proíba, é a reprovação dos circundantes que constrange.

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Cantada de rua - conte o seu caso

Também foi abordado em um podcast do Bule Voador sobre feminismo:
 Bulecast 07 – FEMINISMO

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domingo, 19 de maio de 2013

PARA SAIR DA GUERRA [por Marcos Rolim]



  Reproduzo aqui alguns trechos do artigo de Marcos Rolim. Para ler na íntegra, acesse o link no final.





"A discussão sobre política de drogas envolve enorme complexidade, razão pela qual o caminho mais curto para o erro é a simplificação.

Recentemente, um magistrado e uma psiquiatra publicaram artigos em ZH, chamando atenção para os malefícios do uso da maconha.
 [.......]
Ocorre que o debate não se resolve pela constatação dos malefícios do uso de drogas. Caso contrário, o magistrado e a psiquiatra estariam defendendo que as bebidas alcoólicas e o tabaco fossem ilegais. Os efeitos associados ao álcool e ao tabaco são devastadores. Mortes no trânsito e violência doméstica, por exemplo, estão fortemente correlacionados ao hábito de beber. Tanto o álcool, quanto a nicotina produzem dependência química severa e respondem por 96,2% dos óbitos por uso de todas as drogas no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2006 e 2010, a bebida matou 34.573 pessoas (84,9% das mortes por uso de drogas no Brasil), o fumo matou outras 4.625 (11,3%), enquanto a cocaína matou 354.
 [......]
Os interessados deveriam assistir ao documentário “Quebrando o Tabu, de Fernando Andrade, com Fernando Henrique Cardoso, Drauzio Varella, Bill Clinton e muitos outros, em um diálogo com as experiências internacionais sobre o tema. O filme está no YouTube em: http://www.youtube.com/watch?v=tKxk61ycAvs e termina com a frase: “Em 1971 os EUA declararam guerra às drogas, 40 anos depois, é hora do mundo declarar paz”. "
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 Leia o artigo na íntegra aqui.

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