domingo, 22 de abril de 2012

Emoções de Deus - Série no Youtube em 9 partes

 Esse é o primeiro de uma série de nove videos que analisam a ideia de deus do ponto de vista das emoções atribuídas a ele na Bíblia. Para quem gosta de psicologia é excelente, mas qualquer pessoa pode tirar proveito da análise. A linguagem é simples e didática. Recomendo que assista tudo.
Uma das conclusões é de que precisamos entender como funcionam as nossas próprias emoções para melhor entender porque as pessoas tendem a atribuir certas características às divindades.

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sábado, 21 de abril de 2012

A 'obrigação' de sofrer

 Na minha postagem anterior, A vida sem vida , reproduzi a opinião de Patrícia Pranke publicada na Zero Hora sobre a questão da interrução da gravidez em casos de anencefalia.

Hoje apareceu uma outra postagem, "Há vida sem vida?", por Flavio Mansur, Médico, apresentando a opinião contrária à dela. O que vi ali foi nada mais nada menos que a mesma coisa que já tinha observado antes, ou seja, para certas pessoas o feto é mais importante que a mulher e a mulher tem obrigação de sofrer.

Destaco algumas passagens:


"Parece que a confusão da professora é entre a gestante que preza o que carrega no ventre, lhe dá a dignidade humana, e a mulher que prefere resolver vicissitudes na forma de apagá-las da sua existência."

"Temos duas possibilidades. Há uma gestante, que pretendia ser mãe de um filho saudável, e recebeu a pior notícia possível – que seu filho não sobreviverá – e se prepara para seu funeral durante a gestação, funeral este a ser realizado após o nascimento.

E há uma mulher que eventualmente estava grávida, recebeu a mesma notícia, e a entendeu como sendo não um filho, mas um “tumor” que crescia no seu útero, e a solução prática é extirpá-lo sem delongas."
 A primeira é uma mãe, a segunda uma mulher que estava grávida, categorias completamente diversas.

Fica muito evidente a tentativa de demonizar as mulheres que não estão dispostas a continuar sofrendo, sendo que esse sofrimento é inútil e não terá nenhum resultado positivo ou prático.

E fica evidente que vivemos em uma sociedade de mentalidade misógina, que exige da mulher esse sofrimento inútil; não só nestes casos mas em muitos outros. E não estou dizendo que são só os homens que tem essa mentalidade, muitas mulheres a incorporam também.

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Abaixo o artigo na íntegra:

Professora da UFRGS e pesquisadora de células-tronco emitiu suas opiniões sobre o caso do abortamento de anencéfalos – usando o eufemismo de interrupção da gestação – na ZH de 18/04/12.

Inicia preocupada com ter a gestante que se preparar para o velório do filho, ao invés de uma nova vida. Que meses de gestação significam um funeral prolongado.

Segue dizendo que o debate filosófico e legal é questão de opiniões, mas cientificamente 20 profissionais não podem estar enganados ao enxergar um tumor, e que se pode fazer a analogia com anencéfalos.

Não seria de esperar opinião diversa, haja vista que pesquisa com células-tronco significa em grande parte destruição de embriões humanos. É um pequeno passo a mais destruir um embrião “mais crescidinho” e localizado no útero.

Todavia, o que me chamou a atenção foi o fato de dizer que a gestante se prepara para o funeral do filho caso prossiga com a gestação. Enterra-se, vela-se, o que nunca teve vida? Ou se descarta no balde da sala cirúrgica o “tumor”? Há vida sem vida?

Parece que a confusão da professora é entre a gestante que preza o que carrega no ventre, lhe dá a dignidade humana, e a mulher que prefere resolver vicissitudes na forma de apagá-las da sua existência.

Temos duas possibilidades. Há uma gestante, que pretendia ser mãe de um filho saudável, e recebeu a pior notícia possível – que seu filho não sobreviverá – e se prepara para seu funeral durante a gestação, funeral este a ser realizado após o nascimento.

E há uma mulher que eventual- mente estava grávida, recebeu a mesma notícia, e a entendeu como sendo não um filho, mas um “tumor” que crescia no seu útero, e a solução prática é extirpá-lo sem delongas.

Ambas estão certas, não é possível criticar a segunda por querer ver-se livre do “tumor”. Contudo, há uma diferença, fundamental, entre uma e outra. A primeira é uma mãe, a segunda uma mulher que estava grávida, categorias completamente diversas. Quem tem ou teve mãe – e infelizmente nem todos a têm – sabe do que falo.

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

A vida sem vida - por Patricia Pranke*

 "No mundo ocidental aceitamos que uma pessoa está morta, mesmo com o coração batendo, frente ao diagnóstico de morte encefálica. Podemos manter o coração da pessoa funcionando por alguns dias graças aos equipamentos a ela ligados. Da mesma forma, um feto anencéfalo pode manter os batimentos cardíacos enquanto estiver ligado ao “aparelho materno”, e até mesmo por algumas horas após o nascimento."
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Na sexta feira dia 13 de abril fui convidada pelo Jean Paulo a participar de um programa da RadioVlogs para debater sobre a recente decisão da STF quanto à interrupção da gravidez em casos de anencefalia. Houve também opiniões contrárias, mas me pareceu que a argumentação se resumia a repetir, como se fosse um mantra: "é uma vida, é uma vida". Perguntei, "mas porque a mulher tem que sofrer?" e não consegui uma resposta clara. A impressão que dá é que um feto, mesmo sem cérebro, é mais importante que a mulher. Isso reflete uma mentalidade geral da sociedade, infelizmente. As pessoas nem se dão conta de que a sua compaixão e empatia estão extremamente mal direcionadas; em vez de se dirigir à mulher, um ser que de fato sofre e tem consciência de tudo, se direciona a um ser sem consciência e que não sofre. Parece reinar um tipo de "misoginia cultural", a mulher é sistematicamente desprezada em favor de uma abstração.

Hoje encontrei um artigo no jornal Zero Hora que expressa com bastante exatidão o que eu penso.

A vida sem vida, por Patricia Pranke*

A decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a interrupção da gestação de anencéfalos envolveu também uma questão científica que está sendo pouco mencionada nos debates sobre o assunto.

A parte legal e de preservação do equilíbrio emocional da mãe parece-nos óbvia. Colocando-me na pele de uma mãe, vejo uma situação dramática: em vez de se preparar para receber uma nova vida, ela se prepara para o velório do filho. Além de já ser uma tortura psicológica cruel para a mulher, que está gestando um feto sem vida, o momento do parto e o enterro do filho são a consumação de uma dor alimentada durante os meses de gestação. Esse período, que deveria ser um momento feliz, significará um funeral prolongado.

Quando se avalia esse fato sob o ponto de vista legal ou filosófico, até podemos entender que seja uma questão de opinião ou ponto de vista. Porém, olhando do ponto de visto científico, não há o que questionar. Quem questionaria se 20 especialistas diagnosticassem que um determinado paciente tem um tumor em um órgão, uma vez que os mesmos estão enxergando o tumor? É pouco provável que algum paciente diria que isso é apenas uma questão de ponto de vista.

A analogia é a mesma em relação ao feto anencéfalo. Posicionar-se contrário à interrupção da gestação de um feto anencéfalo é o mesmo que ser contra a doação de órgãos. Claro que as pessoas têm o direito de se opor à doação de órgãos. Mas apoiar a doação de órgãos e ser contra a interrupção da gestação em caso de anencefalia é uma enorme contradição.

No mundo ocidental aceitamos que uma pessoa está morta, mesmo com o coração batendo, frente ao diagnóstico de morte encefálica. Podemos manter o coração da pessoa funcionando por alguns dias graças aos equipamentos a ela ligados. Da mesma forma, um feto anencéfalo pode manter os batimentos cardíacos enquanto estiver ligado ao “aparelho materno”, e até mesmo por algumas horas após o nascimento.

Mas não pode haver questionamentos. Sem o funcionamento cerebral, a pessoa está morta e a doação de órgãos pode ser procedida. No caso dos anencéfalos, ocorre uma peculiaridade desconcertante: durante a gestação, o corpo permanece vivo, mas a morte encefálica já se consumou.

*Professora da UFRGS e pesquisadora do Instituto de Pesquisa com Células-Tronco

segunda-feira, 16 de abril de 2012

AVON: A nova tendência é o conservadorismo? [Por Marcelo Gerald]

 AVON: A nova tendência é o conservadorismo?

A Avon Brasil está no meio de uma polêmica que coloca em risco a imagem da marca de 125 anos no país. O motivo é o fato da empresa disponibilizar em seu catálogo mais de 400 títulos de livros de Silas Malafaia, pastor que mostra ter orgulho de ser o inimigo número um dos ativistas que lutam por direitos e pela igualdade de homossexuais no Brasil.
Segundo o pastor existe um plano do ativismo Gay para instaurar a “ditadura gay” (sic) no Brasil. A falácia é apoiada por parlamentares como Magno Malta e o atual ministro nomeado por Dilma, Marcelo Crivella.
 A polêmica acirrou depois que a editora do pastor trouxe para o Brasil o livro, “A estratégia: o plano dos homossexuais para transformar a sociedade’’. O livro escrito pelo pastor Louis Sheldon é uma proposta pseudo-científica contra a causa LGBT. A obra usa de charlatanismo e conclusões baratas para colocar a população contra homossexuais. Sheldon Chega ao desatino de incluir a homossexualidade como o maior dos problemas em bairros mais pobres. Esse é o tipo de absurdo que teocratas falam e parece que ninguém levará  a sério. Mas infelizmente sempre tem que leva. Aqui no Brasil, Crivella com discurso bem parecido com o de Malafaia foi nomeado ministro pela presidenta, tornando-se dessa forma mais influente no Planalto.
 No Brasil, embora a Constituição Federal não permita discursos e apologia a práticas que firam a dignidade humana, vem crescendo entre grupos conservadores a reivindicação por uma suposta liberdade absoluta de expressão, no caso a deles, pois todos que pensam diferente devem ser processados. Apesar de se orgulhar em ser inimigo número um do PLC122 e da causa Gay, hoje em seu programa, o pastor ameaçou processar quem o chama de homofóbico.
 O que a Avon ganha promovendo livros de um autor que dedica a maior parte de sua vida contra o direito de uma minoria?
 Se estivesse analisando programas de TVs eu diria que se ganha polêmica e provavelmente audiência, mas estou falando da imagem de uma marca e quando uma mulher compra batons, maquiagens ou produtos anti-idade ela compra junto esta imagem.
 Fica então a pergunta, que conceito a empresa terá vendendo maquiagem e apoiando alguém que se dedica a pregar contra uma minoria?
 Alguns podem dizer que tudo isso é bobagem, que protestar contra a  AVON seria radicalismo de ativistas, que ela apenas revende os livros do pastor, mas vamos imaginar que uma grande livraria colocasse como destaque em suas vitrines o livro de Adolf Hitler, Mein Kampf como grande sugestão de leitura. Alguém diria que isso é liberdade de expressão? Alguém ousaria dizer que essa livraria vende apenas o livro e que as opiniões escritas por Hitler não representam a filosofia da empresa? Pois é, quando a obra contra judeus foi escrita o autor estava apenas se expressando, o massacre que veio depois nós hoje conhecemos.
 O Brasil está em primeiro lugar do mundo em assassinatos de LGBTs e nem mesmo isso parece sensibilizar a Multinacional AVON, No exterior a empresa foi premiada por promover a igualdade. Parece que por aqui prefere focar no público conservador, mas será que associar maquiagem à dogmas religiosos é mesmo um bom negócio?
 O mercado de cosméticos é um dos que mais cresce no mundo e o Brasil é o segundo consumidor, um erro estratégico pode ser fatal pra permanência de uma marca no mercado. Mesmo que o livro citado não apareça no catálogo da AVON é estranho a empresa apoiar outra que promove este tipo de ideologia.
 Eu conversei com o maquiador Emanuel Silva, que trabalha com diversas marcas internacionais e é consultor estrela na AVON. Ele declarou:
 “Assim que soube que a Avon não pretendia retirar o livro de Silas Malafaia do catálogo, apesar de toda campanha anti-gay que ele vem fazendo publicamente, decidi que precisava me manifestar. Escrevi para a empresa demonstrando minha indignação e pedi cancelamento do meu cadastro. (…) é uma empresa que está no mercado há mais de 125 anos e sempre prezou pelo bom nome, mas enquanto isso não acontece, não cooperarei com a emrpesa.”
 Confira abaixo a resposta genérica que a AVON tem dado a vários ativistas:
 “A Avon tem como um de seus mais importantes pilares o respeito à diversidade, em todos os seus aspectos, e busca atender de forma ampla e democrática aos consumidores de mais de 100 países, oferecendo uma ampla variedade de cosméticos e outros produtos – entre eles os livros -, para atender à pluralidade de preferências, ideias e estilos de vida.
 No que se refere aos livros, oferecemos títulos já consagrados pelo público que espelhem essa diversidade, ainda mais forte em um país multicultural de dimensões continentais. Entendemos que não nos cabe questionar posicionamentos religiosos, políticos ou ideológicos dos autores dessas publicações, mas estamos sempre atentos a opiniões e pontos de vista como os seus, que serão considerados por nossa equipe para aperfeiçoar nossa seleção. Agradecemos por compartilhar sua opinião conosco.”
 Para ler o abaixo-assinado elaborado por ativistas LGBTs. Clique aqui.
A campanha não é contra a marca , mas sim um apelo para que a empresa reveja o seu catálogo

Abaixo-assinado AVON, não promova nem financie indivíduos que disseminam discursos discriminatórios

 http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N23354

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Jardim de Lilith - O samba do machista

Muito bom!


 [...]Como assim, a mulher pode se negar a estar na presença de um homem como ele? Como ela pode preferir outro? Como ela pode ousar escolher?[...]

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