segunda-feira, 28 de maio de 2012

Marcha das Vadias, Violência e Feminismo



A Marcha das Vadias - "SlutWalk" - começou no Canadá depois que um policial recomendou às mulheres de uma universidade que não se vestissem "como vadias" para não serem estupradas. Isso gerou uma enorme revolta e as mulheres decidiram fazer uma marcha em protesto a essa ideia.

O que me encanta no SlutWalk foi que a inversão do conceito, de modo a derrubar completamente a possibilidade de continuar aplicando-o. Se todas somos "vadias" de uma forma ou de outra, então isso não vem mais ao caso. Todas merecem respeito, porque o conceito de "respeitabilidade" foi posto em cheque.

Reportagem sobre a Marcha das Vadias em Porto Alegre:



E a verdade é que qualquer mulher, por qualquer detalhe, poderá ser classificada como "vadia". Se deu, é vadia; se não deu, está de frescura e é vadia também; se usa roupa curta, é vadia; se usa roupa discreta, está "se fazendo de santa", mas no fundo é vadia também; e por aí vai.

É de uma coragem tremenda dizer "Se ser livre é ser vadia, então somos todas vadias!" Essa é a mudança de foco que precisava acontecer. E tem outro detalhe: se o estupro fosse realmente algo provocado por usar-se pouca roupa, o caminho de volta das praias teria recorde de casos de estupro.

Eu também sou classificada de "vadia" por uma certa pessoa. Não nestes exatos termos, mas a ideia é a mesma. Não importa que eu seja casada com o mesmo homem há mais de 37 anos em regime de monogamia e fidelidade, não importa que eu não seja lésbica, não importa que eu nunca tenha feito um aborto, não importa que eu não use drogas, nada disso importa.

Sou "vadia" por ser ateia, por ser a favor dos direitos LGBT, por ser a favor da legalização do aborto, por ser feminista. Então, já que eu também sou "vadia", essa marcha também tem a ver comigo.

Aqui algumas fotos das marchas pelo Brasil afora.

O único incidente destoante foi quando um grupo de pessoas tentou entrar em uma igreja e uma das mulheres tirou a blusa no pátio da igreja. Esse ato não fazia parte do roteiro, e eu lamento que algumas pessoas tenham tido essa falta de noção.

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Na Zero Hora de domingo teve uma reportagem sobre a violência contra mulheres.




Sempre tem gente que diz que "o feminismo não é mais necessário". Acontece que é sim!

O foco mudou, não precisamos mais lutar pelo direito de votar, mas ainda há muita coisa a melhorar, principalmente no tocante à mentalidade da sociedade que ainda não está levando a sério a questão da violência contra as mulheres:





Ainda temos o longo caminho pela frente.

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6 comentários:

  1. "Estava o cordeiro a beber água num córrego, quando apareceu um lobo esfaimado, de horrendo aspecto.
    ─ Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber? ─ disse o monstro, arreganhando os dentes. ─ Espere que vou castigar tamanha má-criação!...
    O cordeirinho, trêmulo de medo, respondeu com inocência:
    ─ Como posso turvar a água que o senhor vai beber se ela corre do senhor para mim?
    Era verdade aquilo e o lobo atrapalhou-se com a resposta, mas não deu o rabo a torcer.
    ─ Além disso ─ inventou ele ─ sei que você andou falando mal de mim no ano passado.
    ─ Como poderia falar mal do senhor o ano passado, se nasci este ano?
    Novamente confundido pela voz da inocência, o lobo insistiu:
    ─ Se não foi você foi seu irmão mais velho, o que dá no mesmo.
    ─ Como poderia ser seu irmão mais velho, se sou filho único?
    O lobo, furioso, vendo que com razões claras não venceria o pobrezinho, veio com razão de lobo faminto:
    ─ Pois se não foi seu irmão, foi seu pai ou seu avô!
    E ─ nhoque ─ sangrou-o no pescoço."

    (Esopo, "O lobo e o cordeiro", adap. Monteiro Lobato)

    E se você não é vadia, vadia é sua irmã ou sua mãe ou sua avó. Não tem saída.

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  2. Fiquei sabendo da falta respeito que aquele doente teve contigo minha querida.

    A parte positiva que lhe inspirou ainda mais à apoiar a causa. :D

    Parabéns pelo post, muito bom.

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  3. Eu também sou uma "Vadia"!

    Excelente texto e material. Obrigado por compartilhar.

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  4. Não que ache uma mulher vadia(no sentido de ela não ter pudor)por ela vestir uma roupa curta mas é comum,aonde moro,ver mulheres quase seminuas.

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  5. Minha esperança em novos tempos revolucionários se reinflamam com recentes acontecimentos reminiscentes dos saudosos anos 1960s. E ainda que muitos julguem que isso tudo é excessivo, eu acho que falta muito para chegar sequer ao nível de ultraje e quebra de tabus que eu considero o mínimo necessário. Não podemos e não devemos descer ao nível da barbárie islâmica e cristã que pune mulheres por gostarem de sexo e por sentirem prazer. Sou homem e dou 100% de apoio a todas as mulheres que lutam para se libertar da opressão machista e fascista.

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  6. Harold

    " E ainda que muitos julguem que isso tudo é excessivo, eu acho que falta muito para chegar sequer ao nível de ultraje e quebra de tabus que eu considero o mínimo necessário."
    O mínimo?Não é nem um pouco excessivo uma mulher sair à rua com uma roupa curta e não dar o direito de alguém achar aquilo vulgar?Nossa!Então,partindo desse principio,centenas de outros "dogmas" éticos/estéticos são também tabus e dispensáveis para o convivo social.Aliás,vá para a rua de tanguinha e me processe,caso vê-lo,e adjetiva-lo.

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