domingo, 30 de dezembro de 2012

Por um feminismo que pense na condição da mulher trans*

Por Daniela Andrade








"Quando o feminismo incitou as mulheres a lutarem pela igualdade de gêneros, pela destruição da opressão que transforma a mulher em um ser inferior ao homem e que, nessa condição, deveria se recolher ao seu karma quase cósmico de alguém que deve obediência e resignação à superioridade masculina em diversos aspectos – as mulheres trans* não conseguiram entender, já que até hoje são vistas como inferiores inclusive às próprias mulheres (ou àquilo que a sociedade petrificou na significação do que é ser mulher). Inferiores ao humano e, portanto, tratadas como seres a quem ninguém é obrigado a ouvir as reinvindicações.

Infelizmente, ainda hoje em dia, parece difícil acabar com a manipulação muitas vezes quase criminosa de um determinismo biológico que concretizou fatos que parecem rasos diante de tantas e tão diversas ciências que estudam a sexualidade humana. Aquela meia-verdade, que grita pela boca do cientificismo, que mulheres são seres com vagina, útero e cromossomos XX. Quanto às mulheres trans*? Essas são imitações mal feitas, essas são produtos inacabados de um engodo, uma enganação. Quando o feminismo eclodiu como um sistema de ideologias que visam propagar a igualdade entre mulheres e homens, muitas das trans* não puderam compartilhar da luta, pois estavam tentando demonstrar ao mundo que eram seres humanos, algo ainda anterior a possuir ou não possuir um gênero. E, seres humanos genuínos, donos de verdades diversas, e antes de tudo, agredidas diariamente, a todo instante, por toda uma sociedade que não vê qualquer humanidade diante de uma mulher trans*.

Nesse ano de 2012, dados parciais do GGB (Grupo Gay da Bahia) nos dão conta que 126 mulheres trans* foram assassinadas em todo o país. Debruçando-se sobre esses números e o que eles representam, faz-se importante exibir um cenário em que as mulheres trans* não só são agredidas e mortas, mas também desrespeitadas inclusive pela mídia e sociedade após os homicídios e, antes deles, o que inclusive é explicação para a causa dos mesmos. Importante aqui notar que o governo brasileiro não possui qualquer censo da transexualidade no país, que nos dêem com precisão dados de quantas mulheres trans* possuímos, ou mesmo dos crimes de motivos transfóbicos – a transfobia não é tipificação criminal para o estado brasileiro (talvez, por ter nenhuma importância perante as autoridades).

Comece pelo fato de que não são vistas como mulheres, ante isso, homens travestidos – grande maioria das vezes, gays com roupas de mulher. O mesmo preconceito que em vida matou-as diariamente, que nega a identidade feminina que elas assumem perante a sociedade e nega-lhes o direito básico e primitivo de possuirem um nome que atenda à uma dignidade atacada, um nome que não seja sinônimo de humilhação, como muitas o são diariamente por meio do comportamento sistemático da sociedade que prefere ver essas mulheres como quase cidadãs, quase homens, quase mulheres, quase gente.

Uma sociedade que não se importa em espezinhá-las e destruir a pouca ou rara auto-estima que podem possuir, no mais profundo de qualquer ser humano; e faz questão de ignorar o nome social (aquele que elas escolheram por trazer respeito e significação para o gênero que exercem). A prova disso é o que a grande mídia nos traz ao exibir as mulheres trans* em seus noticiários, há uma necessidade quase que embasada em um fanatismo cego ao dar nomes pelos quais essas mulheres foram registradas quando nasceram – como se isso fosse necessário para entendermos e compreendermos quaisquer que fossem os dados apresentados. Uma necessidade de demonstrar para a sociedade que se está diante de uma fraude, é isso, para essa mídia, ser mulher trans* é tentar fraudar um sistema sexual aprisionado e que aprisiona. Não tente lutar contra ele, pois exibirão a todos, quase que como castigo, que você nasceu e foi designada como homem, recebeu um registro de gênero masculino e ostenta em seu RG um nome que na maioria dos casos só lhe causa constrangimento, pouco importando para o anunciante o sofrimento que isso venha causar.

É quase uma celebração por um crime, tal e qual faziam e fazem em diversas sociedades, esquartejando e expondo em praça pública os restos mortais dos criminosos, a fim de que sirva de lição e medo para o restante da sociedade. É isso que fazem com as mulheres trans*, expõem aquilo que de mais precioso possuem, que é a própria identidade e significação, para em seguida demonstrar para todos: “Vejam, apesar dela se dizer mulher, é homem. Tem nome de homem, foi registrada como homem, mas continuem a ouvir o que essa figura exótica tem a dizer, para que aprendam o que acontecerá caso você ou alguém que você conheça, resolva lutar contra o que silenciosamente escreveram em uma lei não escrita: a que impede que seres humanos sejam respeitados por serem trans*”.

Quando o feminismo passou a lutar para que as mulheres saíssem de casa e fossem assumir postos de trabalho que só a um homem era possível, muitos viram nisso a destruição da unidade familiar, que até então incumbia às mulheres apenas e tão somente as funções domésticas – funções essas que a um homem era vedado, isso definitivamente só podia ser feito por mulheres. Hoje em dia, esse feminismo luta pela equiparação salarial entre mulheres e homens ocupando o mesmo cargo – é importante nesse caso frisar o exercício da presidência da república brasileira por uma mulher. Isso seria um disparate até poucas décadas atrás, loucura das maiores!

Nada disso as mulheres trans* conseguiram saborear, ainda são expulsas das escolas pelas grandes e microagressões diárias de alunos e professores que fazem questão de gritar que não são mulheres. Rejeitadas do mercado de trabalho, já que foram desde logo associadas ao roubo, ao crime. Raras mulheres trans* conseguiram destruir os grilhões que sempre as prenderam e as transformaram em subproduto da espécie humana e, nesse ponto também é importante salientar conquistas dignas de uma presidência da república. Luma Andrade, travesti nordestina que conseguiu um diploma de doutorado no ano de 2012 – sua história de vida é um caso exemplar de quem nunca foi vista como mulher, de quem sofreu todos os reveses da negação de uma humanidade que chegou tardiamente aos olhos da sociedade, que resolve só privilegiar como gente aquelas que não se prostituíram ou largaram a prostituição. Palmas para Luma Andrade, que sozinha mostrou-nos ser um exército, e que sozinha simboliza milhares de mulheres trans* por todo o país que poderiam (e podem) também chegar lá. Palmas a todas as mulheres trans* que não saíram no noticiário, pois não conseguiram um diploma de mestrado ou doutorado ou por quê não foram acusadas de qualquer crime, mas que mesmo assim trabalham dignamente e superam diariamente agressões vindas de todos os lados daqueles que não as reconhecem como mulheres (frisando nesse ponto o fato de que a mídia diariamente prefere é mostrar que ser trans* é ser criminosa, nos diversos documentários e noticiários que demonstram o envolvimento da marginalidade trans* com os crimes – raramente se dá notícia de algo que fuja a isso)."

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Leia o resto em - http://www.transexualidade.com.br/2012/12/29/por-um-feminismo-que-pense-na-condicao-da-mulher-trans/




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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A qualidade da educação na Finlândia

[Reportagem publicada na Zero Hora]

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O professor é o grande segredo

A Finlândia não atrai a atenção do mundo só por apresentar os melhores resultados em avaliações internacionais, mas por desprezar políticas colocadas em prática em outros países

Um país pequeno, com metade da população do Rio Grande do Sul, ostenta um dos melhores sistemas educacionais do mundo. Na Finlândia, estuda-se menos horas do que no Brasil, o ensino enfatiza a arte e a criatividade, não há avaliação externa das escolas e a ideia de premiar professores por desempenho é considerada nociva.

Recentemente, o modelo nórdico foi eleito o melhor em um ranking no qual o Brasil ficou na 39ª posição e à frente apenas da Indonésia. Mas o paradoxo finlandês começou a chamar atenção quando ficou entre os líderes da primeira edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que mede o conhecimento de alunos desde 2000. A partir daí, o país europeu é o mais bem colocado em rankings educacionais junto a asiáticos como a Coreia do Sul.

Boa parte dos jovens coreanos, porém, estuda mais de 10 horas por dia. Os finlandeses, como ZH testemunhou ao circular por escolas daquele país, têm uma das menores cargas letivas do planeta, aprendem em colégios públicos gratuitos e descontraídos – onde tratam os professores pelo primeiro nome – e têm tempo generoso para lições de arte e trabalhos manuais. Instituições da capital Helsinque, como a Viikki ou a Helsingin Normaalilyseo, mais parecem galerias de arte onde se expõem obras produzidas por alunos.

Os professores colam fotos sorridentes nas portas de suas salas, e sentam ao lado dos alunos para a refeição diária a que todos têm direito. As aulas se baseiam em resoluções de problemas e na interatividade, como nas lições de inglês do professor Riku Mäkelä.

– Formem duplas. Um lê o texto que está no quadro, memoriza e dita para o colega escrever – orienta.

Mäkelä, que tem doutorado, conta com liberdade para planejar as aulas e fazer adaptações no currículo, podendo alterar a ordem ou a ênfase de conteúdos. Países orientados pelo modelo americano investem em um perfil mais próximo ao mundo dos negócios, com controle sobre a gestão escolar e o currículo, aposta em avaliações padronizadas de alunos, classificação de escolas e oferta de prêmios ou sanções aos professores. Os finlandeses seguem a crença de que não se cria um país bem-educado à força.

– Não desistimos das pessoas. Damos tempo aos professores para trabalharem e temos um bom sistema de apoio aos alunos – afirma o conselheiro do Ministério da Educação da Finlândia Aki Tornberg.

O pilar que sustenta o aparente milagre finlandês é a qualidade dos educadores. Os melhores alunos se candidatam aos cursos de formação igualmente públicos e gratuitos, onde devem alcançar o nível de mestrado. Com essas credenciais, não são submetidos a qualquer inspeção externa – embora sejam feitos testes por amostragem para monitorar a qualidade do sistema em geral. Alunos recebem atenção individualizada ao primeiro sinal de dificuldade.

A repetência caiu de 50% nos anos 1970 para menos de 2%. Na Finlândia, o investimento por aluno é 30% inferior ao dos americanos, por exemplo. Uma questão em aberto é o quanto do surpreendente modelo nórdico pode ser adaptado a outras culturas e dimensões nacionais. Essa pergunta, porém, cabe ao resto do mundo responder.

*O repórter viajou a convite da Embaixada da Finlândia no Brasil

marcelo.gonzatto@zerohora.com.br
MARCELO GONZATTO* | Helsinque, Finlândia

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Como aprender com o modelo finlandês

O governo gaúcho tem intenção de se aproximar da Finlândia para conhecer melhor o sistema nórdico. Embora ainda não exista um projeto formalizado de intercâmbio, a Secretaria Estadual da Educação (SEC) se interessa principalmente pela forma como os europeus lidam com as avaliações – utilizando-as como referência, mas não para estabelecer rankings ou pagar professores.

– Temos interesse em conhecer melhor o funcionamento desse sistema, principalmente a avaliação, que é muito diferente da nossa. Não valorizam os testes como elemento definidor da qualidade. O definidor é a capacidade do indivíduo de resolver problemas, enfrentar desafios e liderar – afirma o titular da SEC, Jose Clovis Azevedo.

O estímulo à iniciativa pode ser exemplificado por estudantes da escola Viikki como Ida Virta e Nelli Wiksten, 16 anos. A fim de custear um passeio escolar a Berlim (Alemanha), as colegas usam espaços do colégio secundário onde estudam como oficina para a produção de cartões natalinos que serão vendidos na comunidade. Com o recurso, pretendem fazer a viagem.

– Dá bastante trabalho, mas é bom – conta Nelli.

Criatividade, arte e trabalhos manuais fazem parte do currículo finlandês. Mas, para que o ensino das disciplinas mais tradicionais não seja comprometido, o modelo depende de figuras como a professora em treinamento Gutta Laaksonen, 25 anos. Ela já tem um mestrado e agora busca sua segunda pós-graduação para lecionar para as séries iniciais. Na adolescência, pensou em seguir outras carreiras, mas a admiração que a profissão de educador desperta na sociedade finlandesa e sua história familiar foram determinantes:

– Minha mãe, minha avó e uma tia escolheram ser professoras. O que me move não é o dinheiro, mas o fato de ser uma profissão muito admirada.

A representação diplomática do Brasil na Finlândia afirma que está em fase inicial um projeto para enviar alunos universitários de pedagogia brasileiros para complementar os estudos naquele país. Porém, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) se limita a informar de que ainda não foi tomada nenhuma iniciativa oficial.

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Construindo pontes (Artigo na ZH)



por PATRÍCIA RECH DE OLIVEIRA*

Existe um adágio
popular que diz
que somos
responsáveis
por aquilo que
falamos e não
por aquilo que os
outros entendem


Sempre recordo uma frase que dizia aos meus alunos durante nossas aulas de língua portuguesa (e por que não dizer também de cidadania), nos constantes esforços para educá-los em relação ao uso de termos politicamente corretos: "Existem maneiras e maneiras de se dizer a mesma coisa; o que muda é tão somente a forma como nos manifestamos".


Dessa forma, uma expressão grosseira como um "Cale a boca" tem o mesmo objetivo que um "Por favor, faça silêncio". O que se modifica, porém, é a intenção e cortesia (ou falta dela) na comunicação: a abordagem em si pode causar um efeito transformador ou devastador, sobretudo se levarmos em consideração as funções da linguagem: referente (assunto), mensagem (a conversa), emissor (quem fala), receptor (quem ouve), código (linguagem, ou seja, a própria língua portuguesa em si) e canal (o meio, o contexto). Sem esquecer, é claro, do fato cultural, pois todo ser humano acumula conhecimento porque criou e emprega a linguagem, dentro de um contexto social no qual o sujeito esteja inserido, uma vez que a linguagem humana está sempre em processo contínuo de evolução e, por essa razão, em constante mudança.


Segundo Faraco & Moura (in Língua e Literatura _ 4º volume), entende-se por cultura "todo fazer humano que pode ser transmitido de geração a geração, através da linguagem. A cultura é a soma de todas as realizações do homem". Nessa perspectiva, há de se considerar que a problemática da falha de comunicação não está propriamente contida na forma como nos manifestamos, mas, sim, na forma como os outros recebem aquilo que é dito. Existe um adágio popular que diz que somos responsáveis por aquilo que falamos e não por aquilo que os outros entendem. Nesse contexto, venho refletindo há algum tempo sobre levantar muros (vivermos isolados em defesa daquilo em que acreditamos e defendemos com veemência) e construir pontes (mediar nosso conhecimento e aceitarmos a visão do próximo em busca do equilíbrio de ideias e da boa convivência em grupo).


Essa inquietação de professora (ou educadora, se o termo for mais apropriado e socialmente aceito) irrompeu de maneira tal, que ultrapassou a barreira do pensamento íntimo, ao acompanhar a recente "gafe" cometida pela presidente Dilma Rousseff, durante seu pronunciamento na 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O equívoco na troca do termo "pessoa" por "portadora" desencadeou uma reação de protesto por parte do público, só desfeita por uma autocorreção em tempo, seguida de aplausos após o reconhecimento do erro pela própria presidente. Certamente, Dilma não teve intenção de ofender ninguém, até porque essas expressões vêm sofrendo modificações ao longo do tempo que mesmos os eruditos obedientes à norma culta podem se confundir. O atual contexto social denota uma era de avanços tecnológicos cada vez mais amiúde, fora do alcance das camadas populares, bem como da recente reforma ortográfica e da linguagem internauta. Há uma linha tênue que separa o conhecimento empírico daquele que é oriundo de teorias e conceitos universais (muitos deles já caracterizados como obsoletos), e a ruptura desses paradigmas que nos fazem temer o emprego inadequado de expressões que possam ser interpretadas como discriminatórias ainda é um processo em construção para a maioria das pessoas.


Talvez a palavra em si não seja o essencial. Talvez os gestos, as atitudes, a empatia e a certeza de que todos somos iguais nas diferenças é que seja o verdadeiro canal de comunicação... A forma como nos tratamos mútua e reciprocamente é que definirá se realmente vivemos em um contexto que exclui e aprisiona ao levantar muros ou nos aproxima e liberta ao construir pontes.

*Professora de língua portuguesa





http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2012/12/14/artigo-construindo-pontes/

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O que querem os antifeministas?

Vejo tantas página e blogs e fóruns que se opõem ao feminismo que acabei ficando curiosa. 
Afinal, o que eles realmente desejam que aconteça?


Querem que as mulheres - 

- deixem de ter o direito de votar e se candidatar?

- não tenham mais o direito de estudar e trabalhar?

- sejam obrigadas a se dedicar só à casa, filhos e tarefas domésticas?

- não andem mais nas ruas para não ter que ouvir todas as grosserias que muitas ouvem atualmente?

- que andem vestidas com há cem anos, ou de burca de preferência?

- que as que não se casarem tenham como única alternativa ser sustantada pelo pai, tio ou irmão, ou então tenham que entrar para um convento?

- não tenham acesso a métodos anticoncepcionais, sendo as únicas alternativas o casamento e quantos filhos vierem, ou a castidade?

- tenham que aguentar um marido (ou pai, ou irmão) autoritário, que possa bater nelas sem que elas tenham o direito a qualquer defesa?

Enfim, tem muitas outras possiblidades, mas não vou me estender mais.

Fica a indagação. Se alguém quiser responder, fique à vontade.

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domingo, 2 de dezembro de 2012

"Legítima Defesa da Honra" - versão 2012


No passado foi muito comum homens matarem as esposas em casos de adultério e depois saírem livres no julgamento com a alegação da "Legítima Defesa da Honra".

Era algo popularmente aceito e as coisas ficaram assim até 1976, quando houve protestos enormes devido ao caso Doca Street.

Doca Street

[Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.]

Raul Fernando do Amaral Street, o "Doca Street", como ficou mais conhecido, é um corretor de ações brasileiro.
Ficou nacionalmente conhecido depois de ter assassinado em 30 de dezembro de 1976 a socialite Ângela Diniz, com quem teve um longo relacionamento amoroso. Para viver o relacionamento com a "Pantera de Minas", como Ângela era conhecida quando namorou o colunista social Ibrahim Sued, "Doca Street" deixou sua mulher e seus filhos. Durante muito tempo foi estigmatizado de gigolô e traficante, embora sempre tivesse trabalhado com o mercado de ações, e chegou a afirmar em várias entrevistas que nunca foi traficante nem "mauricinho". Em primeiro julgamento que teve repercussão nacional dada a grande cobertura da TV Globo, foi inocentado sob o argumento da "defesa da honra", pois teria sido traído. A reação popular resultou em cancelamento desse julgamento e numa segunda ocasião, foi condenado por homicídio.

Este caso foi um marco, e a partir daí não se via mais com bons olhos esse argumento, mas é claro que mentalidades não mudam tão rápido, a força da lei só vai até certo ponto.

Bem há poucos dias tivemos uma reedição 'versão 2012' dessa "legítima defesa da honra". Me refiro ao caso da Karina Veiga, claro. Ela teve as suas fotos nua e fazendo sexo com o namorado expostas na internet, e como era de esperar muita gente colocou a culpa nela, ela é que era 'vagabunda', etc. Tem várias postagens a respeito disso, entre outras a da Lola do blog Escreva Lola Escreva, de modo que não vou me ater aos detalhes, mas ao suposto motivo.


O "motivo" foi que ela alegadamente teria traído o namorado. Quer dizer, o sujeito disse que ela traiu e todo mundo acreditou, mas não se sabe nem se é verdade. Mas digamos que fosse.

O sujeitinho se sentiu no direito de execrá-la publicamente, expô-la da forma mais vil, e tudo porque? 


Porque ela traiu!?

Uma coisa que é de foro íntimo, e que não serve mais como motivo nem para divórcio (já foi lei, acreditam?) e o cara se acha no direito de crucificá-la publicamente!

"Legítima Defesa da Honra" - versão 2012 ??

Gente, párem o mundo que eu quero descer!

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Atualização - 

http://samuellfarias.blogspot.com.br/2012/12/somos-karina-veiga.html

Os boatos na internet davam conta de que Karina Veiga era uma menina de 16 anos, que após trair seu namorado, teve fotos e videos íntimos publicados na rede social Facebook. A verdade, no entanto, é bem diferente.

Karina tem apenas 15 anos e era agredida pelo então namorado, maior de idade. Com o fim do relacionamento deles, o homem, indignado, expôs o conteúdo pessoal da menina na internet para se vingar do que, para ele, era uma traição.

Ou seja, não tinha traição nenhuma nessa história, só o mesmo velho machismo de sempre. Mulher não pode querer se separar, ela é "propriedade".

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Um homem feminista em 1869


Quem pensa que o feminsmo é coisa dos anos 60 se engana muito. É muito mais antigo que isso, e sempre houve também homens que empatizavam e compreendiam a necessidade de tratar as mulheres como gente.

Abaixo reproduzo a resenha do livro A sujeição das mulheres, de John Stuart Millm feita por Fernanda Belo Gontijo.

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Feminismo genuíno

Fernanda Belo Gontijo
 
A sujeição das mulheres, de John Stuart Mill


John Stuart Mill (1806-1873) foi um defensor dos direitos liberais e um homem preocupado com o bem-estar individual e social da humanidade. Suas idéias utilitaristas a favor da maximização do bem-estar deram-lhe destaque no meio filosófico e político. Em consonância com os seus ideais liberais e utilitaristas estão as suas idéias em favor da igualdade de gênero, sendo um dos poucos filósofos de seu tempo a defender ativamente os direitos das mulheres.

Em meados da década de 1860, como membro do Parlamento inglês, apresentou uma petição assinada por 1500 mulheres solicitando o direito nacional de voto das mulheres, cujo resultado foi um massacrante fracasso: 194 votos contra e 73 a favor. No entanto, Mill não desistiu e publicou pouco tempo depois, em 1869, A Sujeição das Mulheres, uma das mais elegantes e claras defesas da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres feitas até hoje. Escrita por um homem, o seu objetivo é demonstrar em quatro capítulos o quanto é indefensável a subordinação do sexo feminino ao masculino.

Nos anos seguintes à publicação do livro muitos frutos já eram colhidos como consequência da luta feminista, das quais, com certeza, as idéias de Mill defendidas nessa obra muito contribuíram. O sufrágio universal foi legalizado em muitos países, a empregabilidade feminina, mesmo em condições menos favoráveis que a dos homens, foi notadamente aumentada e a inserção da mulher no ensino básico e superior era uma realidade crescente.

No prefácio do livro, Bernardo de Vasconcelos (Universidade da Madeira) nos informa mais detalhadamente sobre esses avanços e fornece um breve panorama da história das lutas e conquistas femininas, sobretudo na Inglaterra, país em que as idéias de Mill e de mulheres como Mary Wollstonecraft (1759-1797) foram importantes para a emancipação feminina.

O primeiro capítulo do livro é dedicado à defesa da ideia de que a sujeição das mulheres aos homens é arbitrária. Antes de esta sujeição ser estabelecida, não foi dado às mulheres o benefício da dúvida. Foi-lhes negado o direito de exercer as mesmas funções que os homens, de modo a testar a eficácia dos papéis sociais, o que permitiria talvez concluir que a submissão feminina traria maior benefício a ambos. As razões para o estabelecimento de tal costume nem mesmo foram discutidas e ponderadas. Prevaleceu a lei do mais forte e o sexo mais forte fisicamente, o masculino, subjugou o mais fraco, o feminino, exigindo a sua devoção e afeição.

Mas a força dos costumes é tamanha que apesar das diversas conquistas sociais que forçaram o abandono da lei do mais forte e, consequentemente, da escravatura, a sujeição das mulheres se manteve como uma servidão disfarçada de gratidão e justa obrigação. A quem argumente que essa sujeição não é imposta pela força e é voluntariamente aceite, sendo as mulheres co-responsáveis pela sua condição; mas o contra-exemplo de que muitas não o aceitam e lutam contra esse costume prova que esse argumento não funciona.
Mill desmente que a sujeição das mulheres aos homens seja natural. Esta é uma mentira determinista e alimentada por uma opressão tão infundada quanto qualquer outra. Uma das maiores conquistas das sociedades modernas foi perceber que os seres humanos são livres para usar as suas faculdades e oportunidades para viverem conforme desejarem, o que deveria aplicar-se também às mulheres.

O dever imposto às mulheres de se tornarem mães e esposas, fechando-lhe as portas para qualquer outro estilo de vida é comparado a um recrutamento forçado. Visionário que era, Mill previu que se as mulheres tivessem liberdade de escolha e igualdade de condições de exercício de suas faculdades, não aceitariam — como muitas não aceitam hoje — casarem-se, dividir suas posses e ter filhos, se para isto fosse preciso pagar o preço de ceder ao despotismo masculino.

O segundo capítulo é uma reflexão sobre o casamento. Mill trata da sujeição legal da mulher ao marido que, muitas vezes, é pior do que a de um escravo. Tamanha sujeição fez do casamento uma relação na qual muitas vezes impera o despotismo extremo, sendo a mulher objeto e vítima de todo o tipo de violência. O casamento, no entanto, deveria ser como uma sociedade na qual ambos os sócios têm igual poder de decisão, sendo acordados informalmente entre eles os direitos, deveres e funções de cada um.
Mill defende o direito de divórcio e sustenta que dadas as deploráveis condições matrimoniais a que pode ser submetida, a mulher deveria ter o direito de escolher o seu marido, o que incluiria permissão para a tentativa de uma segunda ou posteriores uniões.

Mill encerra o segundo capítulo defendendo duas coisas. A primeira é o direito da mulher de poder manter as suas propriedades mesmo após o casamento, sem, todavia, repelir a comunhão de bens, desde que seja o reflexo da união sincera de sentimentos entre os cônjuges. A segunda é o direito da mulher de poder exercer as suas faculdades fora do lar. No entanto, há a ressalva de que caso a mulher trabalhe, o trabalho pode ser uma faca de dois gumes: tanto a mulher pode perpetuar a sua sujeição sendo explorada pelo marido, quanto pode receber o seu respeito.

Porém, embora argumente a favor de que as mulheres tenham o direito de trabalhar e exercer quaisquer funções para as quais estejam habilitadas, Mill deixa escapar um vestígio de machismo. Considera que o trabalho pode ser prejudicial à mulher porque além do exercício das suas funções fora do lar, terá de se organizar para realizar as tarefas domésticas (limpeza da casa, educação dos filhos, organização das finanças, etc). Numa defesa igualitária de gênero, o certo seria ir um pouco além e sustentar a divisão não só das despesas, mas também de todas as tarefas domésticas.

No terceiro capítulo, Mill avança a defesa da capacidade das mulheres para desempenharem as mais diversas atividades e ocuparem todos os tipos de cargos, além de defender o sufrágio universal.
Neste capítulo encontra-se o melhor argumento de Mill a favor do sufrágio universal e de outras idéias a favor da igualdade de gênero: o argumento de que apesar das diferenças existentes entre homens e mulheres, não há qualquer diferença suficientemente significativa para impedir o direito legal de voto, o desenvolvimento de quaisquer atividades intelectuais, o exercício das profissões livres e a ocupação de cargos públicos. Mill observa que até o seu tempo, nas raras oportunidades que as mulheres tiveram para exercerem essas atividades, como no caso do governo de estados por rainhas, demonstraram ser capazes de fazê-lo eficientemente.

Ainda no terceiro capítulo Mill defende a importância da educação, principalmente para o aprimoramento intelectual das mulheres. A falta de originalidade de que elas são acusadas deve-se ao fato de por muito tempo a maioria não ter sido tão instruída nas diversas áreas do conhecimento quanto os homens. Por conseguinte, demorariam mais tempo a produzir grandes obras, e a princípio tenderiam a copiar o que lhe foi apresentado, isto é, fariam arte, ciência, filosofia, entre outras atividades, imitando os homens.

O quarto e último capítulo é dedicado a demonstrar quais seriam os benefícios da vivência efetiva da igualdade de gênero, dos quais três podem ser destacados como os mais importantes. O primeiro seria viver mais de perto a justiça, uma vez que haveria igualdade de oportunidades e de condições de tratamento entre ambos os sexos. O segundo seria o aumento do número de pessoas atuando em prol do progresso da humanidade, já que ao excluir as mulheres das mais diversas atividades, metade da humanidade estaria excluída de pensar e trabalhar em prol desse progresso. O terceiro seria melhorar a qualidade da influência feminina sobre os homens. Mill pensa que a mulher, apesar de subjugada, sempre influenciou o homem, seja como mãe que orienta o filho a pensar e a comportar-se de determinado modo, seja como esposa que incita ou arrefece os ânimos dos maridos para agirem desta ou daquela maneira. Na medida em que puderem ser mais esclarecidas e livres, esta influência será qualitativamente melhor.

Mill combate a idéia tão disseminada nos dias de hoje de que “os opostos se atraem”. O casamento é uma união, e como tal dificilmente comporta grandes discrepâncias de interesses. Mesmo que a diferença atraia, a semelhança é o que retém (p. 207). Logo, para que os interesses sejam semelhantes e um cônjuge possa “reter” e não subjugar o outro, não pode haver desigualdade entre homens e mulheres.

Nas páginas finais o autor faz um breve elogio da liberdade como ingrediente imprescindível da vida feliz e sustenta que, à parte os benefícios citados, o benefício mais direto da igualdade de gênero seria o aumento da felicidade individual das mulheres, consequência da sua libertação.

Algumas ou talvez muitas das idéias igualitárias de Mill defendidas nesse livro precisam de pormenorização e de aperfeiçoamento. Apesar disso e mesmo sendo um homem do século XIX, Mill sustenta um feminismo genuíno, revelado por alguns dos seus argumentos.

A defesa de Mill é muito diferente do feminismo caricato e tolo que coloca homens e mulheres em posições antagônicas, apregoa a superioridade feminina à masculina como resposta ao machismo, masculiniza as mulheres, extrapola os direitos femininos, chegando ao ponto de afirmar que há diferenças cognitivas intrínsecas entre os sexos. Nesse sentido, Mill encontra-se à frente de muitas feministas contemporâneas, pois não defende que a diferença entre os sexos seja intrínseca ou suficientemente profunda para determinar o que homens e mulheres podem ser e que valores podem ou não escolher.

Muitas das críticas de Mill parecem fazer pouco sentido hoje em dia, já que atualmente é comum que a mulher vote, trabalhe, estude, escolha livremente seu estado civil, etc. Tudo isto mostra as inúmeras conquistas das mulheres desde a época de Mill — conquistas que em parte se devem a defesas como a de Mill. Todavia, em vários países, como o Afeganistão, as condições de vida das mulheres são ainda piores do que a das mulheres inglesas do século XIX. Na Somália e noutros países africanos a mutilação dos genitais femininos ainda é prática comum. E mesmo em países como o Brasil, ações como a implantação da lei brasileira 11340/06 (Lei Maria da Penha) ainda são necessárias e nem sempre eficazes para coibir a violência doméstica. Por isso, defesas do feminismo como a de Mill ainda são indispensáveis.


Fernanda Belo Gontijo
Universidade Federal de Ouro Preto

[Postagem original - http://criticanarede.com/mulheres.html]

9 de Março de 2010 ⋅ Filosofia política

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domingo, 11 de novembro de 2012

REPÚDIO À FEMEN

 Não gosto da FEMEN, ela não me representa e não acho que seja uma organização feminista legítima.

Mas agora foram além e decidiram 'protestar' vandalizando uma Loja Marisa por causa de um comercial de mau gosto. De fato, eu mesma não gostei do comercial, mas protestar de forma educada é o mínimo que se exige de pessoas civilizadas. 


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Garotas do Femen quebram Loja Marisa em BH contra comercial

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Então aqui está o meu repúdio a esse tipo de ato. Definitivamente
  NÃO SOU FEMEN!


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sábado, 10 de novembro de 2012

Mulheres Filósofas

 [postado em 8 de março de 2012, no Blog da Crítica  http://blog.criticanarede.com/2012/03/mulheres.html]

[dica do meu amigo filósofo Matheus Silva]

Mulheres

Comemora-se hoje o dia da mulher. A experiência parece mostrar que o folclore comemorativo não costuma passar disso mesmo. Com o argumento de que é um pretexto para falar de realidades que deviam ser mudadas, não raras vezes contribui mais para exibir falsas consciências do que para mudar seja o que for. E por todo o lado se aproveita para sensibilizar as pessoas para a situação e a importância das mulheres, como se tudo isto fosse apenas uma questão de bons sentimentos. 

Se virmos com atenção, começa a surgir, à conta de tantas comemorações dos dias internacionais das vítimas do passado e do presente, uma nova área publicitária, com profissionais quase a tempo inteiro: trata-se da profissão de sensibilizador. É uma profissão que tem, aparentemente, a vantagem de dispensar os argumentos, quando não mesmo o apelo ao conhecimento dos factos. 

É assim que, apesar do muito que se ficou a saber com tantas comemorações, há ainda quem se indigne (como ouvi esta tarde) por não haver, mesmo nos nossos dias, mais do que uma ou duas filósofas. Até fui indirectamente confrontado com a acusação de que «a filosofia continua a ser uma actividade completamente machista». O autor da acusação referiu Hannah Arendt e Simone de Beauvoir como as duas únicas filósofas entre dezenas de homens. Mas quando pedi meia-dúzia de nomes de filósofos actuais, apenas surgiram os nomes de George Steiner, Habermas, Sartre e Peter Singer, o que não chega sequer a meia-dúzia.

Aproveito, assim -- também eu -- o dia da mulher para, pelo menos, corrigir esta reveladora, mas também enganadora, impressão. Apesar de na filosofia, como na maioria das áreas centrais de investigação, ainda serem os homens a predominar, é falso que praticamente não haja mulheres de destaque. Felizmente, há já muitas e boas filósofas, cuja obra tem sido discutida e influente. Aí vão os nomes de algumas importantes filósofas (e as suas principais áreas de investigação) do último século, grande parte delas vivas e até algumas bastante jovens:

Susan Haack (lógica, epistemologia e metafísica)
Patricia Churchland (filosofia da mente)
Martha Nussbaum (ética e filosofia da cultura)
Ruth Millikan (filosofia da mente, da biologia e da linguagem)
Margaret Boden (filosofia da mente e ciência cognitiva)
Ruth Barcan Marcus, falecida há dias (lógica, metafísica, filosofia da linguagem e ética)
Philipa Foot (ética)
Judith Jarvis Thomson (ética, metafísica)
Jenefer Robinson (estética e filosofia da emoção)
G. E. M. Anscombe (filosofia da acção, ética)
Mary Warnock (ética, filosofia da educação)
Mary Midgley (ética aplicada)
Ayn Rand (ética)
Susanne Langer (filosofia da arte, filosofia da mente)
Christine Korsgaard (ética, filosofia da acção, metafísica)
Carolyn Korsmeyer (estética e filosofia da emoção)
Kathleen Stock (estética)
Susan Wolf (filosofia da acção, ética, metafísica)
Nancy Cartwright (filosofia da ciência)
Amie Thomasson (metafísica, filosofia da arte)
Dorothy Edgington (filosofia da linguagem, metafísica)
Lydia Goehr (filosofia da música)

Como se vê, não são assim tão raras, até porque esta lista está longe de ser exaustiva. Algumas pessoas incluiriam ainda nomes como Simone Weil e outros. Mas, como assinalou o Desidério no post anterior, o que Simone Weil escreveu -- reflexões de carácter místico e para-religioso -- merece talvez outro nome. Seja como for, encontram-se na amostra anterior filósofas de todas as principais áreas da filosofia. É certo que as mulheres estão em minoria, mas o panorama não é o que algumas pessoas filosoficamente distraídas pintam. Para se ter uma ideia das proporções, nos Estados Unidos da América (não encontrei dados sobre outros países) cerca de 21% dos filósofos activos são mulheres. 

Nas fotos (de cima para baixo): Susan Haack, Patricia Churchland e Kathleen Stock
 
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sábado, 3 de novembro de 2012

EU NÃO SOU FEMEN! [pelo blog Luzes & Velas]

 Uma amiga postou no seu blog     Luzes & Velas    um texto com o qual concordo, então estou divulgando aqui:
 
 
"Eu sou muito desconfiada quando movimentos tomam proporções midiáticas tão rapidamente. Muitas vezes fico me perguntando se ser feminista é aceitar tudo ou discordar também. O que me chamou atenção sobre o FEMEN foi esta imagem nada agradável."
[Para ver a imagem e ler a postagem completa, siga o link no final desta postagem]
 [......]
"Nunca falei, mas vou falar: Nem todo protesto pede que se mostre os seios. Na Marcha das vadias a ideia é dizer "eu estou mostrando os seios aqui, agora, para deixar claro que ninguém tem o direito de me tocar mesmo eu fazendo isso aqui em público". Não quer dizer que as mulheres que fazem isso lá na Marcha façam isso em qualquer outro lugar, é um protesto específico e bem delimitado. Há uma grande diferença entre exibicionismo, mídia e Movimentos Sociais. Mostrar os seios é tão pessoal que tornar uma obrigação, abandona os ideiais do Feminismo. Nem puta, nem santa. EU NÃO SOU FEMEN!"
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Link para a postagem completa original:


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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O estupro e a ameaça aos Guarani-Kaiowá [Blogueiras Feministas]

O estupro e a ameaça aos Guarani-Kaiowá

Publicamos, semana passada, o texto de Daiara Tukano sobre as inúmeras violências que os povos indígenas sofrem no Brasil. Especialmente no caso das mulheres, a violência sexual tem sido o elemento mais cruel.

Além das denuncias de redes de pedofilia e prostituição infanto-juvenil, uma índia guarani-kaiowá de Pyelito Kue foi estuprada por oito pistoleiros em Iguatemi/MS, no final do mês de outubro. Uma clara tentativa de coagir sua comunidade por meio da violência, agora que o caso da disputa territorial finalmente está ganhando a mídia.

Enquanto M.B.R se dirigia do tekoha Pyelito Kue para o centro urbano de Iguatemi, Mato Grosso do Sul, nesta quarta-feira, 24, o motoqueiro que a levava mudou de rota, entrou numa fazenda chamada São Luís e lá oito pistoleiros aguardavam a indígena, que passou a ser violentada sexualmente.
De acordo com relatos da própria indígena, os pistoleiros a amordaçaram antes do início das sessões de estupro. Enquanto se revezavam, um sempre mantinha a ponta de uma faca no pescoço de M.B.R. Logo após as sucessivas violências, um dos homens apontou a espingarda que trazia para a cabeça da indígena e passou a dirigir perguntas sobre Pyelito Kue e suas lideranças.
“Ela contou que depois disso os homens deixaram ela largada por lá. Outro homem a viu e prestou socorro. Foi toda machucada para o Hospital São Judas Tadeu e recebeu medicação, atendimento”, relata Líder Lopes, de Pyelito Kue. M.B.R já está na comunidade e aguarda nova ida ao hospital.
Referência: Kaiowá e Guarani de Pyelito Kue é violentada por oito pistoleiros em Iguatemi, MS. CIMI – Conselho Indígenista Missionário.

Pelo que demonstram, os senhores brancos que se apossaram das terras não deixarão que essa disputa seja decidida nos tribunais ou por decisão do Estado, de maneira limpa. Exercerão seu poder com violência, ameaçando os guarani-kaiowá e tantos outros grupos indígenas.

Marcha indígena por terra e justiça em Dourados/2011. Foto de Egon Heck/CIMI – Conselho Indigenista Missionário.

Essa semana, enquanto os guarani-kaiowá recebiam a notícia da cassação da liminar que determinava a desocupação de área na Fazenda Cambará, em Iguatemi/MS, a Polícia Federal iniciou a retirada de 60 famílias Kadiwéu de uma área de cerca de 160 mil hectares de terra indígena demarcada no município de Porto Murtinho, na região do Pantanal do Mato Grosso do Sul. A área fica dentro da Terra Indígena Kadiwéu.

Segundo, Marta Maria Azevedo, presidenta da Funai, a solução dos conflitos também passa pelo reconhecimento dos governos estadual e federal de que promoveram ‘colonização em terras tradicionalmente ocupadas por terras indígenas’. Marta cobrou a criação de ‘espaços de diálogo, de concertação, de tratamento desses conflitos’.

A sociedade brasileira, que vive no território que pertenciam aos indígenas há mais de 500 anos atrás, tem que reconhecer sua face exploratória e lutar para que os direitos humanos dos indígenas sejam respeitados. Dia 31 de outubro, aconteceram manifestações nas ruas em Brasília/DF e Vitória/ES, em defesa dos guarani-kaiowá.

É fundamental que a sociedade se envolva nessa questão, justamente para compreendermos que o processo de colonização custou a vida desses povos, de sua cultura e tradições. Por isso, apoiamos a Carta Aberta e Manifesto organizada por acadêmicas e ativistas dos movimentos feministas e de mulheres, que cobram da presidenta Dilma Roussef e da Ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci de Oliveira, uma postura que solucione o problema e que não permita que a violência sexual contra as indígenas siga impune.


CARTA ABERTA E MANIFESTO


À Presidenta do Brasil

Sra. DILMA ROUSSEFF

À Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República – Sra. ELEONORA MENICUCCI DE OLIVEIRA


Prezadas Senhoras,

Nós, acadêmicas/os e ativistas dos movimentos feministas e de mulheres (e outras pessoas solidárias às nossas causas) abaixo assinadas/os, vimos manifestar nossa veemente indignação e repúdio ao descaso do Estado brasileiro com a situação de extrema violação dos direitos humanos dos índios e índias guarani kaiowás, acirrada pela situação intolerável e alarmante de genocídio dessa etnia e exigimos providências urgentes diante de tal situação.

A situação dos guarani kaiowá tem sido abordada em relatórios nacionais e internacionais, de organizações da sociedade civil, de órgãos governamentais, pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e por acadêmicos de áreas diversas e, nesses vários documentos, o dado mais alarmante se refere à violação dos direitos humanos dos índios guarani kaiowá e de outras etnias, em todo o Brasil.

Vimos nos manifestar e solicitar urgentes providências aqui, de forma mais específica, contra a permanente situação de violência a que mulheres e crianças guarani kaiowá têm sofrido durante um processo de luta que perdura por mais de 40 anos, na vã tentativa de demarcação das terras desses indígenas e pelo cumprimento efetivo daquelas leis que determinaram essa demarcação. Nos últimos meses, como todos sabemos, o conflito entre fazendeiros e políticos do Mato Grosso do Sul e os guarani kaiowá tem se acirrado e as suas mulheres e as crianças têm sido um dos mais atacados alvos das forças que impedem a conclusão desta disputa. Elas, como é comum em conflitos e guerras ao redor de todo o mundo, têm sido foco de inúmeros e continuados episódios de tortura e de humilhações que ferem brutalmente não só a sua dignidade e humanidade, amplamente defendidas na Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas também a de tod@s nós, mulheres e homens brasileir@s que compartilham com elas o conjunto desses direitos inalienáveis.

A notícia recente de que uma índia guarani kaiowá foi raptada, estuprada por um grupo de homens que estavam em um carro oficial da prefeitura da cidade e que foi posteriormente abandonada em uma estrada é eloqüente por si só de que tais torturas já superaram, em muito, o limiar do aceitável e do digno em termos humanos. Esta notícia estarrecedora se junta a outros fatos narrados pelas/os guarani kaiowá sobre inúmeros outros episódios de torturas, lesões e agressões corporais às mulheres dessa etnia. A violência sexual praticada contra mulheres guarani kaiowá é, como já afirmado, característica entristecedora de contextos de conflito e guerra e tem efeitos sórdidos e humilhantes para as mulheres, para a toda a etnia guarani kaiowá e para todos os brasileiros e brasileiras. Neste sentido, a permanência da omissão/inação do Estado brasileiro será tão criminosa quanto são criminosos tais atos de violação dos direitos básicos desses brasileiros e seres humanos.

Diante desses inaceitáveis acontecimentos que afetam as/os guarani kaiowá, e em especial de suas mulheres e crianças, e que ultrajam a humanidade de todas/os nós, exigimos, em caráter de urgência, ações IMEDIATAS da primeira mulher Presidenta deste país – Sra. Dilma Rousseff – e da ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República – Sra. Eleonora Menicucci de Oliveira. Medidas imediatas destinadas à assegurar os direitos básicos de preservação da integridade humana dessas mulheres e crianças guarani kaiowá, bem como a IMEDIATA punição dos agentes desses crimes, e também a instauração de ações mais enérgicas no sentido da efetiva resolução PACÍFICA E JUSTA DESTE CONFLITO. Se estamos efetivamente num Estado que se apresenta à comunidade internacional como sendo um Estado Democrático de Direitos, nossas dignas representantes e dirigentes não poderão se furtar a mediar uma solução urgente para tais impasses e violações que são completamente intoleráveis.


Assinam esse Manifesto,

Claudia Mayorga – Universidade Federal de Minas Gerais
Marlise Matos – Universidade Federal de Minas Gerais
Jandira Queiroz – ativista lésbica e feminista, assessora da Relatoria do Direito Humano à Saúde Sexual e Reprodutiva da Plataforma Dhesca Brasil
Karla Galvão Adrião – Universidade Federal de Pernambuco
Lenise Santana Borges – Pontifícia Universidade Católica de Goiás e Grupo Transas do Corpo
Mary Garcia Castro – Universidade Católica de Salvador – FLACSO
Paula Viana – Grupo Curumim
Shirley A. De Miranda – Universidade Federal de Minas Gerais
Sonia Corrêa, pesquisadora associada da ABIA e co-coordenadora do Observatório de Sexualidade e Política, Rio de Janeiro.
Adriana Piscitelli – Universidade Estadual de Campinas
Carolina Branco de Castro Ferreira – Universidade Estadual de Campinas
Berenice Bento – Coordenadora do Núcleo Interdisciplinar Tirésias/UFRN
Adilson Vaz Cabral Filho – professor do Programa de Políticas Sociais da Universidade Federal Fluminense
Marco Aurélio Máximo Prado – Universidade Federal de Minas Gerais
Jaileila de Araújo – Universidade Federal de Pernambuco
Adriana R. B. Vianna – Universidade Federal do Rio de Janeiro
Bruna Louzada Bumachar – Universidade Estadual de Campinas
Cristiane Faustino – Articulação de Mulheres Brasileiras
Guacira Cesar de Oliveira – CFEMEA e Articulação de Mulheres Brasileiras,
Magaly Pazello, doutoranda, Escola de Serviço Social, UFRJ
Wilza Villela, médica, Universidade de Franca e Universidade Federal de São Paulo.
Andréa Zhouri – Universidade Federal de Minas Gerais
Ângela Sacchi – antropóloga, Fundação Nacional do Índio
Rozeli Porto – antropóloga, UFRN
Liliana de Salvo Souza – jornalista, Fundação Nacional do Índio
Carmen Susana Tornquist – socióloga e antropóloga, professora da UDESC -SC
Barbara Maisonnave Arisi – antropóloga e jornalista, professora de etnologia indígena na UNILA – Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Foz do Iguaçu.

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Link para a postagem original:
http://blogueirasfeministas.com/2012/11/o-estupro-e-a-ameaca-aos-guarani-kaiowa/

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sexismo Nosso de Cada Dia


Inglesa cria site para reunir relatos de sexismo, recebe oito mil posts e é ameaçada de morte 

Notícia na UOL :
http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2012/10/16/inglesa-cria-site-para-reunir-relatos-de-sexismo-recebe-oito-mil-posts-e-e-ameacada-de-morte.htm#comentarios

Acessei a seção "about" e traduzi para terem uma ideia de como o projeto surgiu e qual o propósito dele.

[Obs: fiz uma tradução livre de 'Everyday Sexism' para 'Sexismo Nosso de Cada Dia' no título, mas também pode ser traduzido como 'sexismo cotidiano', termo que uso mais adiante]



"Bem vindos ao projeto sexismo nosso de cada dia. Parece que está cada vez mais difícil de falar sobre sexismo e direitos da mulher em uma sociedade moderna que se percebe como se tivesse conquistado a igualdade de gêneros. Nessa era 'liberal' e 'moderna', reclamar sobre o sexismo cotidiano ou sugerir que você está infeliz com a maneira pela qual as mulheres são retratadas e vistas torna muito provável que você seja rotulada de 'nervosa', 'melindrosa',  uma 'feminista militante', ou uma 'queimadora de soutiens'.

O projeto Sexismo Cotidiano tem como objetivo dar um passo em direção à igualdade de gêneros, provando que estão errados aqueles que dizem às mulheres que elas não podem reclamar, porque somos iguais. É um lugar para registrar histórias sobre sexismo que enfrentamos todos os dias, por mulheres comuns, em lugares comuns. Mostrar que o sexismo existe em abundância em locais de trabalho no Reino Unido e que é um problema que estamos muito longe de não precisarmos mais discutir. Provocar respostas tão numerosas e tão gerais que o problema se torna impossível de ignorar. Relatar a maneira como você foi tratada, mesmo que não tenha sido levada a sério em qualquer outro lugar. Se levantar e dizer 'isso não está certo', mesmo que não seja nada grande ou revoltante ou chocante. Mesmo que você já tenha se acostumado a pensar que isso é 'simplesmente o jeito que as coisas são'.

Mulheres que reclamam de comentários desrespeitosos que são feitos sobre os membros femininos na Casa dos Comuns são acusadas de reagir de forma exagerada, no entanto apenas 22% dos Membros do Parlamento são mulheres. Aquelas que objetam à retratação sexista na mídia são tachadas de 'estraga-prazeres', e no entanto quase 70% dos papéis com falas em filmes de Hollywood são dados aos homens, (apesar de os personagens femininos terem cinco vezes maior probabilidade de se vestir de forma sexy). Mulheres que se opõem à supersexualização das celebridades femininas ouvem que 'é uma escolha', e no entanto é quase impossível pensar em uma cantora moderna que não tenha se despido toda. Às mulheres se diz que a moderna 'igualdade' significa que mulheres de carreira podem ter tudo ("guardar o bolo e comê-lo" no original em inglês), no entanto apenas em torno de 13% dos membros da Diretoria da corporação FTSE  (Financial Times and Stock Exchange) são mulheres.

Somos encorajadas a comemorar o avanço das mulheres para a cabine de comando, e no entanto a Ryanair ainda publica um calendário só de mulheres nuas e as comissárias de bordo da Virgin trabalham todos os dias em um avião decorado com uma caricatura em trajes de banho com um decote revelador. Nós simplesmente não estamos vivendo em uma sociedade igualitária, mas somos detestadas por 'choramingar' ou  por 'não reconhecermos a sorte que temos' se tentamos chamar a atenção para isso.

Então por favor me enviem as suas histórias. Enviem outras pessoas para que enviem as histórias delas. Envie a história de sua babá, sua irmã ou de sua melhor amiga. Não importa quem você é ou onde você mora. Não importa a sua aparência ou no que você acredita. Se você passou por uma experiência sexista, do tipo cotidiano, pequeno,  um sexismo tão comum que você quase o aceita, por favor compartilhe a sua história para que possamos provar o quanto o problema é generalizado. E ninguém vai poder dizer que não podemos mais falar sobre isso.

Por favor fique ciente de que as postagens podem ser citadas (anonimamente) nas nossas colunas semanais no Independent e no Huffington Post."
 


E pode-se enviar o relato em qualquer língua.


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sábado, 13 de outubro de 2012

O Clitóris, essa ilustre desconhecida

Lendo o post da Lola Aronovich no deu blog Escreva Lola Escreva,  - "CARTÓGRAFOS NÃO COMPREENDEM O CLITÓRIS" - lembrei de um documentário que já havia visto uns anos atrás. O original é em francês -  "Le clitoris ce cher inconnu" ('O Clitóris, essa ilustre desconhecida') mas existe dublado em português sob o título "O Clitóris".

Vi vários comentários (anônimos, claro) dizendo que era mentira, que o clitóris não era tão grande assim , de jeito nenhum poderia ser maior que o pênis.

Pois bem, ele pode.

Aqui está o primeiro da série de videos onde quem quiser pode comprovar isso:

 
Parte 1




[Os videos seguintes não podem ser incorporados, mas é só seguir na sequência lá no canal.]


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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Em defesa de Marcio Retamero

Está circulando um video grosseiramente editado tentando fazer parecer que o Rev. Marcio Retamero disse algo que na verdade não disse.

Tirar frases do contexto é PIOR que mentir.

Hoje, nesta postagem que vou linkar abaixo, ele explica o contexto de sua fala no Blog  O Mundo da Anja:

RESPOSTA DO REVERENDO MARCIO RETAMERO


[....]
O deputado da chapinha e das lentes de contato, como escreveu Jean Wyllys, quer fazer de mim um terrorista gay contra os religiosos, os cristãos do Brasil, tirando minha frase do contexto do meu discurso. A frase inteira que falei foi: "Estou disposto a pegar em armar SE FOR INSTALADA NO BRASIL UMA TEOCRACIA. Defenderei e lutarei pelo Estado Laico e pela democracia! Uma mulher no passado (e outros companheiros dela) pegou em armas contra a ditadura militar no Brasil, em defesa da democracia e do Estado de Direito. Seu nome é Dilma Rousseff e hoje ela é Presidenta do Brasil.
[...]


Leiam tudo acessando o link

Ouçam a fala completa de Marcio Retamero  no blog

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Panfletos - TUDO de errado!

Atualização!  

Hoje veio ao meu comhecimento a seguinte notícia:

Uma mulher de 64 anos que escorregou em 'santinhos' espalhados em frente a um colégio eleitoral de Bauru (SP) morreu hoje por complicações da queda.
Agora me diga quem vai ser responsabilizado por essa morte?

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 Nessas eleições é claro que se repetiu o fenômeno de sempre, panfletos jogados para todos os lados.

É simplesmente  O FIM DA PICADA! 

Para começar é crime!

Além disso duvido muito que essas montanhas de papel tenham alguma influência decisiva na escolha dos candidatos por parte dos eleitores, e também causa uma série de problemas.

Soube que houve até casos de quedas com fraturas de gente que escorregou na massa de panfletos acumulados.

Eleitores escorregam em santinhos e se machucam

O Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) de Piracicaba (SP) registrou acidentes na manhã deste domingo (7) envolvendo os santinhos de candidatos.

Quatro idosos escorregaram nos papéis e caíram. Uma mulher chegou a quebrar o braço e a outra, o fêmur. Se você registrou algum acidente do mesmo gênero em Uberlândia e região, envie fotos e informações para correioweb@correiodeuberlandia.com.br.
 
Saiu outra notícia sobre isso no G1 - 

Eleitores escorregam em panfletos de candidatos em Taubaté; veja vídeo

onde se vê várias pessoas escorregando na massa de panfletos.

Só no Facebook achei fácil essas imagens abaixo:





Então vem bem a calhar essa outra imagem:




Será que um dia o Brasil finalmente evolui?

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Você acredita que o santinhos devem ser proibidos? Vote aqui

[Primeiros números do resultado do pleito em Campinas apontam que foram recolhidos cerca de cinco toneladas de santinhos apenas nas ruas da região central de Campinas]

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domingo, 23 de setembro de 2012

Paula Berlowitz - candidata a vereadora em Porto Alegre

Como a maioria já sabe, sou estrangeira e portanto não voto nas eleições. E raramente vejo algum/a candidato/a que eu considere merecedor/a.



Mas dessa vez encontrei alguém que gostaria de recomendar, porque me inspira confiança e gostei das propostas. Tive oportunidade de conhecê-la pessoalmente no Primeiro Congresso Humanista Secular do Brasil.



Considerando que atualmente temos uma Bancada Teocrática no Congresso Nacional, e que muitos políticos estão comprometidos com grupos religiosos, é muito importante elegermos pessoas capazes de defender o Secularismo, que vai garantir a liberdade de religião de todos, inclusive a liberdade de não ter uma religião.

Mas vou deixar que ela mesma se apresente através de uma postagem em seu próprio blog :
  

À Lola Aronovich: Muito prazer – Paula Berlowitz

Olá, Lola!
Acompanho o Escreva, Lola, Escreva e te sigo no twitter. Acabo de ler o teu post desta última terça-feira, 18 de Setembro de 2012. Deixei comentário por lá, mas decidi deixar o contato registrado por aqui!


Eu, em 5 de Setembro de 2012, na Audiência Pública pela Criminalização da Homofobia, na Assembléia Legislativa do RS.
Muito prazer: sou candidata à vereadora em Porto Alegre, Rio Grande do Sul e eu sou a tal feminista “de direita” que ainda não conhecias (pra falar a verdade, não me enquadro, totalmente, em lado algum. Como diz Adriana Calcanhoto: “Transito entre dois lados de um lado – Eu gosto de opostos”. Ainda pretendo criar o meu. Estou mais pro estilo Marilyn Manson, em sua letra que, sarcasticamente, diz: “I wasn’t born with enogh middle fingers and I don’t need to choose a side” – mas somos obrigados a escolher um para entrar. A autonomia, pretendo desenvolver depois, à base das únicas armas que sempre tive: sensibilidade, pontos de vista e coragem)!

Adorei o post. Exceto por este teu comentário sobre a direita que foi bastante preconceituoso, afinal, mudanças podem ser feitas de diversas formas e independem de “lados” e em qualquer lado, sempre pode haver reformadores. Como sempre, se deixarmos nossos preconceitos pra lá, poderemos nos surpreender!

Sou blogueira e feminista – administro o site MarchaDasVadias.org, idealizado por mim e aberto à participação de qualquer pessoa que deseje contribuir com manifestos, textos, fotos, denúncias, etc, ou seja, tudo o que for pertinente ao ativismo contra a violência de gênero e divulga material das Marcha das vadias que vem acontecendo em diversas cidades do Brasil. Também escrevo, há 3 anos, o site feminino Cromossomo X, e foi, justamente, ele que me trouxe o convite para a minha candidatura. Também sou musicista – canto, toco, escrevo e componho.

Além de feminista, também sou atéia – outro “contra-senso” para um mulher “de direita”, mas acredito na necessidade de um elemento perturbador onde mais precisamos de mudanças e, sendo assim, não estou no lugar errado, mas sim em um ponto bastante estratégico – e acredito firmemente que Política, enquanto ciência, não pode ser exercida com base em crenças sobrenaturais, mas sim com base em fatos sociais. ;)

Sou filiada, por sinal, ao PP – o mesmo partido do Sr. Jair Bolsonaro, e pretendo ser seu máximo contraponto por aqui, uma vez que como mãe, cidadã e candidata à vereadora em minha cidade (Porto Alegre) sou à favor da Criminalização da Homofobia e A FAVOR DO KIT ANTI-HOMOFOBIA NAS ESCOLAS – inclusive, minha única promessa de campanha (o resto são propostas, pois candidato que promete está mentindo, já que qualquer decisão não cabe só a ele, depende de quorum, etc) é que, caso eu me eleja, desafiarei o Sr. Jair Bolsonaro para um debate sobre liberdade pessoal e pluriafetividade.
Então, concluindo: para vereadora, em Porto Alegre, EU VOU VOTAR EM MIM, pois além de mais mulheres no poder e mais pessoas socialmente liberais em cargos de representatividade, também precisamos de mais Secularistas na Política, antes que vivamos sobre jugo de um Estado Teocrático!

Para que o pessoal que passar por aqui possa me conhecer melhor, deixarei o link de 2 posts meus, um do Cromossomo X, outro aqui do meu site de campanha:
O medo de quebrar barreiras e tabus quando o assunto é Política e Toda forma de amor é válida – por mais respeito à pluralidade das relações afetivas e pelo fim da LGBTfobia.

Concluindo, então: adorei a tua ideia de convidar a mulherada – e os homens, também, por que não? – para votarem nas candidatas mulheres. Só considero que houve certo desserviço ao dizeres que elas TEM de ser de esquerda. Generalizaste. E generalizar NUNCA é bom. Acredito que deva haver mais mulheres na Política, independente de “lados”, até porque, no Brasil não é como nos Estados Unidos, onde povo e políticos se dividem em Democratas e Republicanos – aqui, vivemos uma diversidade não só de etnias e de orientações de gênero, como também de ideologia Política. E isto não é ser “sem ideologia” – isto é não se “engessar” a lados, bandeiras e siglas – que por sinal, tenderão a enfraquecer cada vez mais, visto que o que importa MESMO para uma saudável existência em sociedade, é o real cumprimento do que nos traz a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual somos signatários!
 O que precisamos MESMO é de mais liberdade pessoal com responsabilidade individual! E isto se constrói com educação libertária, e não com dogmatismos políticos ou religiosos! E, por incrível que pareça, é um conceito de Direita. ;)
Um grande beijo,
Paula Berlowitz

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

História de Onan - A Bíblia condena mesmo a masturbação?

 É comum a noção de que a masturbação é 'pecado' e que deve ser absolutamente reprimido e evitado. Mas analisando a história original na Bíblia, não fica nada óbvio. Dei uma olhada na Wikipédia, e achei isso:


Onã, ou Onan, é um personagem bíblico do Antigo Testamento, mencionado no livro de Gênesis como o segundo filho de Judá e, portanto, um dos netos do patriarca Jacó[1].
Er, o primogénito de Judá, segundo a Bíblia, era mau e teria sido executado por Deus por um motivo não mencionado[1].
Como Er não tinha deixado descêndencia, Judá mandou que Onã, seu segundo filho, realizasse o casamento de cunhado (também chamado de casamento levirato) com Tamar, viúva de Er (Gênesis 38:6-8). Assim, se tivessem um filho, a herança de primogénito lhe pertenceria como herdeiro legal de Er. Porém, se não tivesse um herdeiro, Onã ficaria com a herança de primogénito[1].
Ao ter relações sexuais com Tamar, a Bíblia diz que Onã "desperdiçou o seu esperma na terra" ou seja, não a inseminou, jogando dessa forma fora seu esperma em um coito interrompido, conduta essa que aborreceu a Deus que tirou sua vida (Génesis 38:9-10)[1].


Portanto, a recusa de Onan era de engravidar a viúva de seu irmão. Tem dois aspectos envolvidos aqui. Se ela não tivesse um filho, ficaria desamparada; se tivesse, Onan ficaria sem a herança, porque o filho que nascesse seria considerado de seu irmão falecido. 

O fato é que Onan não cumpriu a lei da época, e por isso teria sido punido.

NADA a ver com masturbação, portanto.

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sábado, 15 de setembro de 2012

A 'santa' e a 'puta' - a origem das cantadas de rua

Eu vim ao Brasil em 1970, e uma das coisas que eu tive que aprender foi que quando alguém fazia 'psst' na rua não era um conhecido tentando chamar a minha atenção, era alguém testando se eu era uma moça 'direita'. Lembro bem quando um rapaz me explicou que eles faziam isso exatamente com esse objetivo.

Eu suponho que em tempos de virgindade obrigatória até casar isso fazia algum sentido, ainda mais em cidades pequenas onde todos se conheciam. O fato é que servia para diferenciar as 'fáceis' das 'casáveis'. Uma amiga me contou que o namorado dela instruiu os amigos a 'testá-la' dessa forma; como resultado ela se obrigava a andar sempre olhando bem pra a frente e ligeiramente para baixo, para não correr o perigo de olhar nos olhos de alguém.

Hoje em dia, ainda mais em cidades grandes, qual o sentido da cantada de rua? Qual a chance de ter algum efeito real? Qual a chance de ver a mulher de novo e quem sabe surgir um relacionamento disso? Praticamente nulas, não é verdade?

Então rapazes, saibam que estão perpetuando um costume arcaico e invasivo. 

Mesmo que seja uma cantada 'elegante', ainda assim estão invadindo a privacidade de uma mulher estranha. Mesmo que seja um elogio sincero, quem diz que ela o apreciará naquela hora e vindo de um estranho? 

Sei que alguns vão dizer que tem mulheres que gostam. Sim, claro que tem, mas na dúvida seria melhor não fazer isso mesmo assim, porque vocês não leem pensamentos nem tem bola de cristal para saber quem gosta e quem não gosta.  

Sei também que muitos homens não conseguem entender porque deveriam parar. Isso acontece porque é algo culturalmente aceito, assim como um dia foi culturalmente aceito que uma mulher que não fosse virgem ao casar podia ser repudiada pelo marido.

Peço encarecidamente que repensem.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Primeiro Congresso Humanista Secular no Brasil



Nos dias 8 e 9 de setembro aconteceu o Primeiro Congresso Humanista Secular no Brasil.



Sergio Viula fez um registro quase em tempo real, atualizando o evento no seu blog Fora do Armário nos intervalos.

Leia tudo aqui:   

 Também tem duas postagens no blog do Bule Voador, o blog oficial da LiHS:

 Fotos do primeiro dia do 1º Congresso Humanista Secular do Brasil

 Fotos do segundo dia do 1º Congresso Humanista Secular do Brasil

Também o palestrante Carlos Orssi escreveu sobre o congresso em seu blog pessoal:

Uma agenda política humanista secular?

Como vice-presidente participei, junto com Eli Vieira (presidente), do discurso de abertura. 

 

O video ainda não está disponível, mas o discurso na íntegra pode ser lido aqui mesmo no meu blog:

Meu discurso de abertura no Congresso Humanista

 

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Pessoalmente achei fantástico. Conheci pessoas com quem só tinha contato via internet, e que são ainda mais legais pessoalmente. 

Quanto á palestras, eu já tinha uma expectativa muito boa, mas a realidade superou um MUITO as expectativas. 

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O encerramento foi emocionante. Todos da equipe que estavam presentes subiram ao palco, mas ainda faltou várias pessoas que ajudaram de longe e nos bastidores.

 

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