segunda-feira, 24 de outubro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Richard Dawkins explica porque se recusa a debater com William Lane Craig

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Hoje faz exatamente dois anos que comecei o meu blog. 

Para comemorar, posto esse excelente artigo de Richard Dawkins:

Originalmente postado em:
http://rebeldiametafisica.wordpress.com/2011/10/20/richard-dawkins-explica-porque-se-recusa-a-debater-com-william-lane-craig/


Richard Dawkins explica porque se recusa a debater com William Lane Craig

Fonte: http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/oct/20/richard-dawkins-william-lane-craig
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Este ‘filósofo’ cristão é um defensor do genocídio. Eu prefiro deixar uma cadeira vazia do que dividir uma tribuna com ele.
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Não se sinta envergonhado se você nunca ouviu falar de William Lane Craig. Ele se autopromove como filósofo, mas nenhum dos professores de filosofia que consultei jamais ouviu seu nome. Talvez ele seja um ‘teólogo’. Já há algum tempo Craig tem sido cada vez mais importuno em seus esforços para me persuadir, constranger ou difamar num debate com ele. Eu tenho consistentemente recusado, seguindo o espírito, se não a letra, de uma famosa réplica do então presidente da Royal society: “Isto ficaria muito bem no seu currículo, mas não tão bem no meu”.
A última investida persecutória de Craig assumiu a forma de uma série de desafios cada vez mais intimidatórios para confronta-lo em Oxford neste mês de outubro. Eu mais uma vez tive o prazer de recusar, o que lançou-lhe e a seus acólitos num frenesi de acusações de covardia através de blogs, twitters, canais do Youtube e fóruns de discussão online. A estes eu diria apenas que recuso centenas de convites mais respeitáveis todos os anos, e que já debati publicamente com um arcebispo de New York, dois arcebispos de Canterbury, vários bispos e o rabino-chefe, e estou esperando por meu iminente, sem sombra de dúvidas mais civilizado encontro com o atual arcebispo de Canterbury.
Numa síntese de sua arrogância intimidatória, Craig agora propõe colocar uma cadeira vazia numa tribuna em Oxford na próxima semana para simbolizar minha ausência. A idéia de capitalizar sobre a reputação alheia pela conivência em dividir com outro uma tribuna dificilmente é nova. Mas o que faremos desta tentativa de transformar minha ausência numa proeza da autopromoção? Pelo bem da transparência, eu assinalaria que não é somente Oxford que não irá me ver na noite em que Craig pretente debater comigo in absentia: você também pode me ver não aparecer em Cambridge, Liverpool, Birmingham, Manchester, Edinburgh, Glasgow e, se o tempo permitir, Bristol.
Mas Craig não é apenas uma figura cômica. Ele tem um lado negro, isto colocando de maneira generosa. Vários clérigos contemporâneos sabiamente negam os horríveis genocídios ordenados por Deus no Antigo Testamento. Qualquer um que critique a sede de sangue divina é ruidosamente acusado de ignorar desonestamente o contexto histórico, e de fazer uma leitura ingênua e literal do que nunca passou de uma metáfora ou de um mito. Você procuraria bastante até encontrar um pregador moderno disposto a defender a ordem de Deus, em Deuteronomio 20: 13-15, para matar todos os homens numa cidade conquistada e confiscar as mulheres, crianças e animais como espólio de guerra. E os versículos 16 e 17 são ainda piores:
Porém, das cidades destas nações, que o SENHOR teu Deus te dá em herança, nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida. Antes destrui-las-ás totalmente: aos heteus, e aos amorreus, e aos cananeus, e aos perizeus, e aos heveus, e aos jebuseus, como te ordenou o SENHOR teu Deus.
Você pode dizer que tal chamado ao genocídio nunca poderia ter vindo de um Deus bom e amoroso. Qualquer bispo, vigário ou rabino decentes concordaria. Mas vejam o que Craig tem a dizer. Ele começa afirmando que os cananitas eram pervertidos e pecaminosos e portanto mereciam ser massacrados. Ele então considera a situação das crianças cananitas.
Mas tirar a vida de crianças inocentes? A terrível totalidade da destruição foi incontestavelmente à proibição da assimilação de nações pagãs. No ordenamento da destruição completa dos cananitas, o Senhor falou: ‘Nem te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses’(Deut 7:3-4)[...] Deus sabia que se se permitisse que estas crianças cananitas vivessem, elas poderiam tramar a destruição de Israel. [...] Além do mais, se nós acreditarmos, como eu acredito, que a graça de Deus é estendida para aqueles que morreram na infância ou como pequenas crianças, a morte destas crianças era verdadeiramente sua salvação. Nós somos tão apegados à perspectiva naturalista terrena, que nós esquecemos que aqueles que morrem estão felizes por deixar esta terra pela alegria incomparável do paraíso. Então, Deus não faz nada errado ao tomar suas vidas.
Não alegue que eu retirei estas passagens revoltantes do contexto. Que contexto poderia possivelmente justifica-las?
Então o que Deus faz de errado ao comandar a destruição dos cananitas? Não os cananitas adultos, porque eles eram corruptos e mereciam o julgamento. Não as crianças, porque eles herdaram a vida eterna. Então quem é o transgressor? Ironicamente, eu penso que a maior dificuldade de todo este debate é o aparente erro que os soldados israelenses fizeram a si mesmos. Você pode imaginar que seria como ter que invadir uma casa e matar uma mulher aterrorizada e seus filhos? O efeito brutal nestes soldados israelenses são perturbadores.
Oh, os pobres soldados. Esperemos que eles tenham recebido suporte psicoterápico após esta experiência traumática. Uma resposta posterior de Craig é – se possível – ainda mais estarrecedora. Referindo-se a seu artigo anterior (acima) ele diz:
Como resultado de uma leitura mais cuidadosa do texto bíblico, cheguei à conclusão de que a ordem que Deus deu a Israel a princípio não era que eles exterminassem os cananitas, mas que os expulsassem da terra.[...] Canaã estava sendo dada a Israel, a quem Deus Deus havia retirado do Egito. Se as tribos cananitas, vendo os exércitos de Israel, tivessem simplesmente escolhido fugir, ninguém teria sido assassinado, afinal. Não havia nenhuma ordem para perseguir e abater as pessoas cananitas. É, portanto, completamente errônea a caracterização da ordem de Deus a Israel como uma ordem para cometer genocídio. Em vez disso era em primeiro lugar uma ordem para expulsar as tribos do território e ocupa-lo, Somente aqueles que permanecessem deveriam ser completamente exterminados. Não havia necessidade de que todos morressem nesta situação.*
Então, aparentemente, eram os próprios cananitas que estavam errados por não fugirem. Certo.
Você apertaria a mão de um homem capaz de escrever coisas como esta? Você subiria num palco com ele? Eu não o faria e não o farei. Mesmo se eu já não tivesse um compromisso em Londres no dia em questão, eu orgulhosamente deixaria a cadeira em Oxford eloquentemente vazia.
E se qualquer de meus colegas se encontrar intimidado ou enganado num debate com este deplorável defensor do genocídio, eu o aconselharia a levantar-se, ler em alto e bom tom as palavras de Craig citadas acima, e então deixa-lo falando não somente para uma cadeira vazia mas, esperaria-se, para um auditório se esvaziando rapidamente.

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Bule Voador » VI Taverna Cética (SiTP) em Porto Alegre

Autor: Daniel Oliveira

Vem aí a sexta edição do Taverna Cética / Skeptics in the Pub (#SITP) Porto Alegre!

Cartaz do 6o Taverna Cética (#SITP) Porto Alegre

Cartaz preliminar do 6o Taverna Cética (#SITP) Porto Alegre, Sábado, 5 de novembro de 2011

Quando? Sábado, 5 de novembro de 2011 às 20:30h. Isso mesmo, um Sábado! Atendendo a pedidos, desta vez o SITP vai ser em um final de semana.

Onde? Espaço Cabral, entrada pelo Santíssimo, o mesmo bar dos últimos encontros. Endereço: Av. Sarmento Leite, 888 (esquina com Lima e Silva). Porto Alegre – RS. (Ver Mapa).

Quem? A próxima edição do Taverna Cética contará com a presença de Åsa Heuser (ex-astróloga, vice presidente da LiHS) e de Horacio Dottori (astrofísico, pesquisador do Instituto de Física da UFRGS) debatendo o tema Astronomia x Astrologia.

Quanto? Não existe ingresso, nem couvert. Os participantes que enviarem o nome para a lista (veja mais detalhes abaixo) também ficam isentos de taxa de consumação.

No último encontro, mais de 100 pessoas vieram debater o Misticismo Quântico e, desta vez, um Sábado e em um espaço para 140 pessoas, o evento tem tudo para ser ainda maior.




Bule Voador » VI Taverna Cética (SiTP) em Porto Alegre

terça-feira, 18 de outubro de 2011

"Ele disse que não vai mais deixar eu bater nele!"

Quando vejo certas pessoas argumentarem o porque de serem contra qualquer lei que proteja homossexuais de agressões de qualquer tipo, seja física, verbal ou moral, alegando "liberdade de expressão", "liberdade religiosa", etc, me vem à mente uma história que aconteceu quando os meus filhos eram pequenos.

Uma das minhas irmãs estava de visita e trouxe os filhos. Meu filho mais novo tinha cinco anos e o meu sobrinho era dois anos mais novo. Só que o meu sobrinho tinha um temperamento mais agitado e o meu filho veio se queixar para nós que ele batia nele. A solução que encontramos foi dizer ao meu filho que não deixasse, afinal ele era maior e mais forte, bastava impedir.

Depois de algum tempo aparece o meu sobrinho, quase chorando, e reclamando:

"O fulano disse que não vai mais deixar eu bater nele!" 

Pois é, pois é ...

=D

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sábado, 8 de outubro de 2011

Sobre a EMPATIA em um artigo de David Coimbra

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Já falei sobre isso antes, como eu considero a empatia uma das qualidades mais importantes de qualquer pessoa. Ontem vi um artigo de David Coimbra na Zero Hora onde ele aborda esse assunto, e onde ele também aborda outro aspecto que eu já tinha percebido também. Pela nossa história evolutiva, reagimos às expressões faciais das outras pessoas de forma bastante automática, mas a comunicação sem o fator cara-a-cara é muito recente, e ainda não nos adaptamos totalmente a ela. Por isso as pessoas conseguem ser extremamente mal educadas e até mesmo cruéis nas redes sociais, e dizem coisas que jamais seriam capazes de dizer se estivesse na real presença da outra pessoa.


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DAVID COIMBRA

No lugar dos outros 

As pessoas, hoje, estão expostas. Eis um dos subprodutos mais notáveis das invenções de Steve Jobs e outras cabeças privilegiadas da tecnologia das comunicações. O telefone celular, a internet e suas derivações deram ao cidadão comum a possibilidade de se expressar livremente como jamais na história humana. Todo mundo emite opiniões a todo momento, sem nenhum freio, e o resultado é assustador: as pessoas não têm o menor respeito pelas outras pessoas.
Kant e Schopenhauer, que estou numa fase kantiana e schopenhaueriana, pois Kant e Schopenhauer ensinaram que o homem se move por algo que existe antes da razão. Não é nada transcendental, nada mágico, nada divino, é só a vida sendo vivida, é a natureza íntima das coisas, dos animais e das pessoas. Do mundo, enfim. Schopenhauer chamava a isso de “vontade”. Essa vontade está em tudo, até na samambaia plantada no vaso da sala, que cresce e se desenvolve e acaba por morrer. Mas essa vontade escraviza o homem, faz com que ele faça coisas mesmo quando seu intelecto não quer fazer. Para Schopenhauer, só há um momento em que o homem se liberta da vontade.
            É quando ele sente compaixão.
A compaixão pode ser definida como a capacidade que alguém tem de se colocar no lugar de outro ser humano e compreender o que ele (o outro) está sentindo. Quando o homem sente compaixão, nega a própria vontade e supera o egoísmo natural do ser humano. É uma pequena façanha.
Conheço muitas pessoas inteligentes e talentosas que são pessoas menores exatamente por não sentirem compaixão. Não me refiro à compaixão despertada pela tragédia: uma doença grave, um acidente, uma trapaça da sorte. Não. Aí é fácil se colocar no lugar do outro. Refiro-me ao trato do dia a dia. Um sujeito se acha muito inteligente, mas destrata um balconista, é grosseiro com um colega ou oprime um subordinado. Ou seja: é uma pessoa que não consegue ir além do seu egoísmo. Ela não consegue retirar-se do centro do mundo e não consegue ver que, agindo como age, está produzindo sofrimento no outro. Não tem compaixão.

Via internet e outros tantos meios tornados possíveis por Steve Jobs & cia, o homem comum insulta a tudo e a todos, difama, agride, ataca, esparrama-se em malícia. Suponho que os homens sempre foram assim, mas antes esse lado sórdido estava oculto no anonimato. Agora, o anônimo se mostra por inteiro, sua vontade schopenhaueriana está nua, às vistas do mundo, e o que se vê não é bonito. O curioso é que, ao ganhar a oportunidade de se comunicar mais com as outras pessoas, o homem comum não se aproximou das outras pessoas. Ao contrário, ele exercita cada vez mais o seu egoísmo, torna-se cada vez mais incapaz de se colocar no lugar do outro. É uma doença desta época. Uma época de homens sem compaixão.
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