terça-feira, 30 de agosto de 2011

A origem do nome da minha filha

Ela se chama Vanina e é a minha primogênita. Não tenho certeza da origem do nome em si, mas suponho que seja italiano, espanhol ou francês.

Por outro lado, sei muito bem porque escolhi esse nome.

No tempo em que eu estava grávida dela não existia o exame de ultrassonografia, não havia como saber se ia ser menino ou menina, de modo que era necessário ter dois nomes, masculino e feminino, escolhidos antes da criança nascer. Já havíamos escolhido o nome para o caso de ser menino, mas o de menina ainda não.

Eu estava na sala de espera do médico, esperando para ser atendida e aproveitando o tempo para ler uma fotonovela que tinha ali. (Fotonovela, para quem não sabe, é como uma revista em quadrinhos mas com fotos.) Uma das personagens era uma atriz de fotonovela muito bonita (o nome verdadeiro pelo que me lembro era Paola Pitti), e o nome dela na história era Vanina. Quando vi o nome, lembrei que já tinha ouvido esse nome antes mas em outro contexto.

A história é bem interressante. Viemos ao Brasil de navio, minha mãe com cinco filhos e um cachorro. O navio era francês e se chamava Pasteur. Éramos uma "escadinha", meu irmão mais velho, Yngve, com dezesseis anos, depois eu com treze, e as minhas irmãs Bodil. Synnöve e Tove, com dez, sete e quatro anos, respectivamente. Todos os passageiros faziam as refeições em um refeitório comum onde éramos atendidos por garçons, e geralmente era o mesmo garçon que atendia a nossa mesa. Era um senhor muito gentil, francês, que adorava crianças. Ele insistia para que comessemos bastante e elogiava quando comíamos. Um dia ele perguntou para a minha mão como se dizia "amiga" em sueco. Ela explicou que é "väninna" e que a pronúncia era 'véninna', e até escreveu a palavra para ele ver, mas ele não conseguia prounciar corretamente, só conseguia dizer 'vanina'.Depois disso ele passou a dizer que aquela de nós que comesse bastante era a 'vanina' (amiguinha) dele.

Sentada ali no consultório, lendo aquela fotonovela, pensei "puxa, o nome existe mesmo!" Naquele momento decidi que, se fosse menina, se chamaria Vanina.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

É para isso que servem os Direitos Humanos!

Para proteger pessoas como este médico, que foi preso injustamente e tratado brutalmente (vejam a entrevista mais abaixo).

Este é um excelent exemplo de como qualquer um de nós pode estar no lugar errado na hora errada, e aí gostaríamos muito se alguém levasse em consideração os nossos Direitos Humanos neste momento.

Espero que algumas pessoas párem de falar que "Direitos Humanos só servem para proteger bandido" depois dessa notícia.

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24 de Agosto (hoje)

O SUSPEITO ERRADO

Participação de médico em assalto é descartada

A polícia descartou ontem, de forma definitiva, a participação do médico aspirante a oficial do Exército Rodrigo Fialho Viana, 32 anos, no assalto ao juiz Rinez da Trindade na noite da última quinta-feira, em Porto Alegre. O militar foi detido pouco depois da ação de dois criminosos contra o magistrado, na Rua Cabral, no bairro Rio Branco, apontado pelo juiz como um dos supostos envolvidos no crime.

Conforme o delegado Abílio Pereira, da 10ª Delegacia da Polícia de Porto Alegre, o depoimento de uma testemunha na manhã de ontem foi fundamental para afastar a hipótese de participação do médico no crime. O homem teria cruzado pelos dois verdadeiros assaltantes durante a fuga.

– Ele viu bem os criminosos depois do assalto. Depois, viu os dois detidos dentro da viatura e chegou a dizer aos policiais que não eram eles, mas não o levaram em consideração – explica o delegado Abílio.

Juiz diz que espera prisão de verdadeiros assaltantes

Somado ao depoimento da testemunha está o registro de uma ligação entre o militar e o amigo no horário aproximado do assalto. Esse fato tiraria o médico da cena do crime, segundo o delegado.

– Agora vamos investigar quem é que assaltou o juiz de fato – finalizou, sem confirmar se já há suspeitos da ação.

O advogado de Viana, Alexandre Dargel, disse que ainda ontem seu cliente deveria estar de volta a sua unidade do Exército em Bagé. Dargel afirmou que o médico não comentou com ele sobre a sua exclusão do caso, mas ressaltou que continuava abalado com a situação.

Sem mudar a rotina depois do assalto, o juiz Rinez da Trindade aguarda o final das investigações e a prisão dos verdadeiros criminosos, cujas características de um deles seriam muito semelhantes às do médico, segundo o magistrado. Trindade tem comentado que se submete à lei se houver “evidências concretas de que não foi ele”, e que “jamais gostaria de ver um inocente ser acusado injustamente”.

O juiz foi atacado por dois homens quando chegava de carro à casa de um amigo. Os assaltantes teriam se assustado com a reação de um amigo do magistrado e fugiram levando a arma, a chave do carro e os documentos de Trindade. Apontado pelo juiz como um dos supostos assaltantes, Viana disse que era médico, mas não portava documentos para provar. Ele foi detido em flagrante depois de ser reconhecido por Trindade. Levado ao 3º Batalhão de Polícia do Exército, foi libertado no final da tarde de sexta-feira.

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23 de agosto (ontem)

POLÊMICA APÓS ASSALTO

Médico relata medo e agressões

Ainda traumatizado pelos acontecimentos, Rodrigo Fialho Viana, 32 anos, médico e aspirante a oficial do Exército, recordou ontem a conturbada noite de quinta-feira, quando foi preso por uma patrulha da Brigada Militar (BM) após o juiz Rinez da Trindade, 53 anos, ser assaltado na Rua Cabral, tradicional via do bairro Rio Branco, um dos pontos movimentados de Porto Alegre.

Ao ser preso, ele disse quem era. Mas ninguém acreditou e o militar não carregava os documentos para provar. Foi detido em flagrante depois de ser reconhecido pelo juiz como autor do crime. Levado para o 3º Batalhão de Polícia do Exército, foi libertado no final da tarde de sexta-feira. Conforme o delegado Abílio Pereira, da 10ª Delegacia da Polícia Civil da Capital, três depoimentos foram colhidos ontem sobre o caso, mas nenhum foi conclusivo. Hoje, uma nova testemunha será ouvida para tentar elucidar o que aconteceu.

Ontem, na companhia de seu advogado, Alexandre Dargel, Viana falou por telefone com Zero Hora antes de seguir viagem para a sua unidade militar, em Bagé. A seguir, trechos da entrevista.



ENTREVISTA

“Não podia ter sido tratado assim, mesmo se fosse culpado”

Rodrigo Fialho Viana, médico aspirante a oficial do Exército

Zero Hora – Como tudo começou?

Rodrigo Fialho Viana –
Recebi uma ligação do Daniel (Daniel Rohde, amigo que reside na Rua Vasco da Gama, a cerca de 50 metros da mãe do médico) me convidando para ir até a casa dele, onde estava um amigo nosso. Troquei de roupa e fui. Chegava ao portão quando fui abordado pelos soldados, que chegaram de moto.

ZH – Ao lhe abordarem, eles pediram documentos?

Viana –
Sim. Mas eu não tinha.

ZH – Por que o senhor saiu de casa sem documentos?

Viana –
A casa do meu amigo é pertinho. Mas me identifiquei para os policiais como oficial do Exército e médico. Eles não deram bola e fui algemado de uma maneira que quase quebrou os meus pulsos.

ZH – Consta que o levaram até o juiz. Como foi levado?

Viana –
Fui colocado algemado dentro de um Vectra. Na hora, cheguei a pensar que estava sendo vítima de um sequestro por pessoas disfarçadas de policiais, eu não queria acreditar no que estava acontecendo. Mas era real. Eles seguiram pela Rua Vasco (da Gama), na contramão, até o local onde tinha acontecido o episódio, na Rua Cabral.

ZH – O que aconteceu quando chegaram lá, na Rua Cabral?

Viana –
Fui colocado contra uma parede, na frente de umas 50 pessoas. Um senhor, que depois vim a saber que era um juiz, apontou o dedo na minha direção e disse: é este. O juiz falava na minha cara e perguntava onde estavam as armas. Respondi que ele estava louco. Senti que a minha vida corria perigo porque fui agredido.

ZH – Ao ser levado para a Polícia Civil, o que aconteceu dentro do veículo da Brigada Militar?

Viana –
Encolhi os joelhos e creio que os policiais pensaram que iria reagir. Daí me bateram novamente.

ZH – O senhor foi preso. Foram feitos os exames de corpo de delito?

Viana –
Fizeram. Mas de uma maneira muito superficial. Depois, no Exército (3º Batalhão de Polícia do Exército, para onde o médico foi encaminhado na manhã de sexta-feira), fizeram um exame mais detalhado, inclusive de urina para saber se havia a presença de drogas.

ZH – Quando o senhor percebeu a dimensão da situação?

Viana –
Logo que a porta da cela se fechou. Fiquei calmo, as lágrimas vieram, e percebi que tinha de esperar.

ZH – O juiz disse que havia observado bem os dois assaltantes, inclusive a roupa. O senhor vestia uma roupa semelhante?

Viana –
A roupa teve um peso, no calor dos acontecimentos. Mas, depois, na Polícia Civil, quando meus amigos falaram sobre mim, o juiz deveria ter prestado atenção aos argumentos. Mas persistiu firme no seu ponto de vista. Eu não podia ter sido tratado como fui, pela polícia e por órgãos de comunicação. Mesmo se fosse culpado, porque nenhum cidadão pode ser agredido ou exposto a uma multidão furiosa. No restante, vou tocar para frente e deixar a cargo do advogado as reparações pelo que passei.

ZH – E sobre sair de casa sem documentos?

Viana –
Nunca mais.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Transexual é agredida após acidente de trânsito

Transexual é agredida após acidente de trânsito

Vítima diz ter sido retirada do carro puxada pelos cabelos

15/08/2011 | 12h04min

Cid Martins | cid.martins@rdgaucha.com.br

Uma ocorrência de trânsito terminou em agressão na madrugada de ontem em Porto Alegre. Desta vez, no entanto, a vítima diz que também houve outro motivo para a agressão que sofreu: o fato de ela própria ser transexual. O carro de Fernanda Campos colidiu com outro na Avenida Azenha, próximo à Rua Botafogo, no Bairro Menino Deus, com danos apenas no espelho retrosivor. No outro veículo havia três homens que, segundo a transexual, começaram a gritar palavrões e a fazer ameaças.

— Viram pelo vidro que eu era uma transex — conta Fernanda, que diz ter sido retirada do carro à força pelos agressores. — Fui arrancada pelos cabelos, me chutaram, deram socos, me derrubaram no chão, quando uma pessoa passou, acho que um taxista, e gritou com eles.

Depois de uma testemunha intervir, a transexual conta que conseguiu se levantar e entrou no carro em direção ao Palácio da Polícia. Antes de chegar, no entanto, a vítima diz ainda ter sido perseguida de carro pelos três homens. Como tem problemas de hipertensão, Fernanda acabou desmaiando. Ela foi internada no Hospital Cristo Redentor, na Zona Norte, e liberada no final do dia de ontem. 
A delegada titular da 2ª DP da Capital, Adriana da Costa, informou que vai investigar o caso. Já está marcado para a tarde desta segunda-feira o depoimento da vítima. A placa do carro dos agressores foi identificada, segundo a polícia.

Denúncias contra homofobia

Com hematomas por todo o corpo, a transexual realizou nesta manhã um novo exame médico e à tarde vai procurar entidades de Direitos Humanos para denunciar este caso como mais um de homofobia no Estado.

No início deste ano, a proprietária de um estabelecimento comercial em Porto Alegre denunciou o síndico de um condomínio na Cidade Baixa por suspeita de homofobia. Em junho, o governo gaúcho lançou a campanha Rio Grande Sem Homofobia, para diminuir a violência e discriminação contra a comunidade LGBT. Denúncias em todo o Brasil são recebidas pelo Disque 100.

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a3448842.xml
 
 
Ouça o depoimento da vítima à Rádio Gaúcha:

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/PlayerEmbed.aspx?uf=1&midia=202016&channel=232
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sim, sou feminista!

Tem coisas que nos parecem tão óbvias que dispensariam comentários, mas de vez em quando percebo que para outras pessoas não é tão óbvio assim. Por isso resolvi abordar o assunto, para não haver dúvidas.

É comum que mulheres independentes tenham medo de se manifestar publicamente sobre o assunto, porque a palavra feminismo no Brasil me parece bastante mal compreendida. E a imagem que se tem de uma mulher feminista é extremamente distorcida.

Historicamente falando, as conquistas das mulheres por igualdade é muito recente. O direito de voto (Sufrágio Feminino - Wikipédia) foi conquistado pela primeira vez em 1893, na Nova Zelândia, ou seja há menos de 120 anos. No Brasil só foi efetivamente conquistado em 1932, menos de 80 anos atrás. Até 1962 (menos de 50 anos), pela lei brasileira, uma mulher casada só podia trabalhar fora com a autorização por escrito do marido. Só em 1988 (há 23 anos) é que o homem deixou de ser considerado o "cabeça do casal" (ver esse link para mais detalhes). Lembro muito bem do tempo em que uma mulher precisava da autorização do pai dos seus filhos para poder viajar com eles, mas o inverso não era necessário (sic!).

Estou apontando estes fatos para rebater um argumento frequente, o de que hoje as mulheres não podem mais se queixar de "desigualdade". Não é bem assim. Um condicionamento milenar não acaba em uma ou duas gerações. A mentalidade ainda permanece, tanto entre os homens como entre as próprias mulheres.

Uma pergunta comum é porque há poucas mulheres no ateismo, por exemplo. Uma das explicações é que socialmente ainda é mal visto quando uma mulher bate pé por suas opiniões e posicionamentos. Espera-se que a mulher ceda, seja diplomática, não confronte. Ser afirmativa e sustentar as suas opiniões é considerado "não-feminino" muitas vezes, até mesmo em ambientes ateistas.

Ser tachada de feminista no Brasil muitas vezes equivale a ser vista como pouco feminina, raivosa, uma mulher que odeia homens, etc. Por isso acredito que muitas mulheres independentes financeiramente não se assumem como tais.


Falando de mim mesma, eu não odeio homens, muito pelo contrário. Sou casada há muito tempo e acho muito bom. E conheço vários homens que não são machistas. O feminismo não é uma guerra contra os homens; na verdade muitas vezes beneficia os homens, tirando deles algumas cargas. Por exemplo, meu marido se aposentou, e todos sabem que o valor das aposentadorias vai diminuindo gradativamente. Nos antigos moldes, ele teria que continuar trabalhando para manter a renda familiar num certo patamar. No nosso caso, eu continuei trabalhando com aulas particulares de inglês e sueco, complementando assim a nossa renda; em troca ele assumiu a cozinha, até porque os meus horários dificultam que eu cuide dessa parte. Querendo saber mais sobre nós, leiam este post.

Para mim, feminismo é isso, uma relação em pé de igualdade em que há respeito e admiração de ambas as partes. Suponho que alguns/algumas vão discordar de mim, mas é assim que eu vejo a questão.

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sábado, 6 de agosto de 2011

Mais oito motivos para praticar sexo

 Na Zero Hora de hoje, MAIS oito motivos (como se os os que já existem não fossem suficientes).   :)

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BEM-ESTAR

  • Mais oito motivos para praticar sexo

    Melhorar a fertilidade, promover a longevidade e até diagnosticar se você está enxergando bem. A lista de benefícios do sexo para a saúde é extensa. O site do jornal Daily Mail preparou mais oito excelentes razões – baseadas em pesquisas e em constatações de especialistas – para praticá-lo. Confira:

    É uma boa forma de testar a visão
    A atividade sexual relaxa os músculos e alivia a tensão e pode dizer se você precisa ou não de óculos. Isso porque os músculos relaxam e a visão tem que trabalhar com a sua verdadeira habilidade, sem apertar ou esticar os olhos. Se você tem a visão borrada depois da relação, procure um oftalmologista.
  • Protege contra doenças cardíacas
    Fazer sexo três vezes por semana pode reduzir pela metade o risco de ataque cardíaco ou derrame. A endorfina liberada durante o ato neutraliza os hormônios do estresse que estão ligados a doenças do coração.
  • Fortalece os ossos
    Mulheres na menopausa que têm relações sexuais todas as semanas apresentam maiores níveis de estrogênio no organismo. O hormônio tem efeito protetor na saúde óssea e a sua falta tem sido associada à osteoporose.
  • Aumenta a fertilidade dos homens
    A quantidade de sexo influencia na fertilidade, ou seja, quanto mais intensa é a vida sexual, maior será a qualidade do esperma. Quanto mais tempo ele permanecer nos testículos, maiores as probabilidades de que se danifiquem suas estruturas de DNA.
  • Previne contra o câncer de próstata
    Homens que têm uma vida sexual regular, sobretudo após os 50 anos, têm menor risco de desenvolver câncer de próstata.

    É um sedativo natural
    Para um homem, o orgasmo é equivalente a uma dose entre 2 e 3 mg de diazepam (princípio do Valium). Ele funciona como um relaxante muscular, o que explica por que eles costumam dormir depois da atividade. Já para as mulheres, ao liberar serotonina, o sexo pode ajudar a combater sintomas da depressão.

    Combate a incontinência urinária feminina
    Com a idade, muitas mulheres acabam desenvolvendo incontinência urinária. O sexo é uma boa forma para combater mudanças na musculatura pélvica, pois ele exercita os músculos que detêm a urina.
  • Promove a longevidade
    Pesquisas comprovam que uma vida sexual regular pode prolongar a vida. Não há motivos para interromper as relações em razão da idade se o casal desfruta de boa saúde.

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    Então? O que estão esperando? 

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Vergonha, vergonha alheia e orgulho hétero [por Claudia Laitano]

Na Zero Hora de hoje:

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Vergonha, vergonha alheia e orgulho hétero

Nos últimos anos, a expressão “vergonha alheia” se espalhou na linguagem cotidiana e nas redes sociais como se nunca tivéssemos vivido sem ela. Os mais novos podem achar que o termo sempre esteve aí, à disposição de falantes, escreventes e tuitantes, mas o fato é que se trata de uma expressão recém-importada – coisa de menos de 10 anos para cá. O termo “vergüenza ajena” está para a língua espanhola mais ou menos como “saudade” está para o português. Ou seja: não existe equivalente nacional perfeito – o que fizemos foi pegá-lo emprestado dada sua evidente utilidade semântica. (Com a multiplicação das ferramentas de transmissão de micos voluntários e involuntários, a vergonha alheia nunca esteve tão em voga.)

Darwin teria sido um dos primeiros cientistas a estudar o papel da vergonha no comportamento humano. No livro A Expressão das Emoções em Homens e Animais, o biólogo britânico dedica um capítulo inteiro à reação, exclusivamente humana, de corar em determinados momentos. Para Darwin, sentimos vergonha em basicamente dois tipos de situação: quando expomos sem querer algum pensamento ou emoção íntimos ou quando intuímos que os outros condenam nosso comportamento. Para sentir vergonha, a pessoa deve chegar à conclusão de que fez algo que contraria um referencial próprio ou do grupo do qual faz parte – e isso deve ter lá sua utilidade evolutiva como recurso de adaptação ao grupo, suponho.

Aqueles que aparentemente não se incomodam com gestos ou palavras que a nós matariam de vergonha (ou vergonha alheia) tanto podem ser desviantes involuntários, gente que simplesmente não é capaz de seguir os códigos coletivos de comportamento (lavar os cabelos, por exemplo), quanto libertários: pessoas que subvertem as regras estabelecidas e ousam pensar/agir diferente (usando o cabelo comprido quando todo mundo usa bem curtinho, por exemplo).

Em momentos de ruptura, quando uma maioria é pressionada a começar a assimilar e respeitar a diferença, é comum inverter a equação e transformar a antiga inferioridade no sentimento que é o oposto da vergonha: o orgulho. Quando proclamamos o orgulho negro, o orgulho feminino, o orgulho gay ou mesmo o orgulho de sermos gaúchos (habitantes de uma província economicamente secundária), estamos propondo uma nova forma de ver o mundo – menos limitada, mais complexa. Mas quanto mais atrasado for o ponto de vista (do país, da cidade...), mais difícil será aceitar que é possível sentir orgulho por fazer parte do grupo menos poderoso ou menos valorizado socialmente.

O fato de a Câmara de Vereadores de São Paulo ter instituído um bizarro Dia do Orgulho Hétero – fabricando um cerco imaginário à heterossexualidade típico da mentalidade paranoica que gera a violência – seria até cômico não fosse a combinação de falta de luzes com preconceito tão potencialmente perigosa.

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Ateísmo Pelo Mundo: Nova Inquisição

Leia tudo em:

Ateísmo Pelo Mundo: Nova Inquisição: "A maioria de vocês deve saber que, sem sucesso, tentaram retirar do ar o “Ateísmo Pelo Mundo”, em decorrência de um incidente que me lemb..."

[...]
Acredito que nenhum dos meus leitores fala mal ou discrimine alguém por usar camisetas do Cristianismo, e todos os cristãos que expressam sua fé através de camisetas sentem-se a vontade para sempre usá-las, já que ninguém expressa más ideias sobre elas. Já o Ateu, que usa sua camisa do Ateísmo, tem sua liberdade de usar a camisa limitada, restringida a poucos lugares ou grupos onde não há esse tipo de intolerância.

[...]

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Que vergonha de ser hétero

Blog do Sakamoto:

Que vergonha de ser hétero

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Assinem a petição pedindo para o Kassab vetar o "dia do orgulho hétero".

http://www.petitiononline.com/orhtnao/petition.html

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'Assinou? Mande tb um e-mail para gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br com o link da petição, o número de assinaturas que ela já tem, e seus motivos pra assiná-la.

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