segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sim, sou feminista!

Tem coisas que nos parecem tão óbvias que dispensariam comentários, mas de vez em quando percebo que para outras pessoas não é tão óbvio assim. Por isso resolvi abordar o assunto, para não haver dúvidas.

É comum que mulheres independentes tenham medo de se manifestar publicamente sobre o assunto, porque a palavra feminismo no Brasil me parece bastante mal compreendida. E a imagem que se tem de uma mulher feminista é extremamente distorcida.

Historicamente falando, as conquistas das mulheres por igualdade é muito recente. O direito de voto (Sufrágio Feminino - Wikipédia) foi conquistado pela primeira vez em 1893, na Nova Zelândia, ou seja há menos de 120 anos. No Brasil só foi efetivamente conquistado em 1932, menos de 80 anos atrás. Até 1962 (menos de 50 anos), pela lei brasileira, uma mulher casada só podia trabalhar fora com a autorização por escrito do marido. Só em 1988 (há 23 anos) é que o homem deixou de ser considerado o "cabeça do casal" (ver esse link para mais detalhes). Lembro muito bem do tempo em que uma mulher precisava da autorização do pai dos seus filhos para poder viajar com eles, mas o inverso não era necessário (sic!).

Estou apontando estes fatos para rebater um argumento frequente, o de que hoje as mulheres não podem mais se queixar de "desigualdade". Não é bem assim. Um condicionamento milenar não acaba em uma ou duas gerações. A mentalidade ainda permanece, tanto entre os homens como entre as próprias mulheres.

Uma pergunta comum é porque há poucas mulheres no ateismo, por exemplo. Uma das explicações é que socialmente ainda é mal visto quando uma mulher bate pé por suas opiniões e posicionamentos. Espera-se que a mulher ceda, seja diplomática, não confronte. Ser afirmativa e sustentar as suas opiniões é considerado "não-feminino" muitas vezes, até mesmo em ambientes ateistas.

Ser tachada de feminista no Brasil muitas vezes equivale a ser vista como pouco feminina, raivosa, uma mulher que odeia homens, etc. Por isso acredito que muitas mulheres independentes financeiramente não se assumem como tais.


Falando de mim mesma, eu não odeio homens, muito pelo contrário. Sou casada há muito tempo e acho muito bom. E conheço vários homens que não são machistas. O feminismo não é uma guerra contra os homens; na verdade muitas vezes beneficia os homens, tirando deles algumas cargas. Por exemplo, meu marido se aposentou, e todos sabem que o valor das aposentadorias vai diminuindo gradativamente. Nos antigos moldes, ele teria que continuar trabalhando para manter a renda familiar num certo patamar. No nosso caso, eu continuei trabalhando com aulas particulares de inglês e sueco, complementando assim a nossa renda; em troca ele assumiu a cozinha, até porque os meus horários dificultam que eu cuide dessa parte. Querendo saber mais sobre nós, leiam este post.

Para mim, feminismo é isso, uma relação em pé de igualdade em que há respeito e admiração de ambas as partes. Suponho que alguns/algumas vão discordar de mim, mas é assim que eu vejo a questão.

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5 comentários:

  1. Eu sou feminista, tenho minhas opiniões, minha carreira, meu marido, nossa casa e ele é um companheiro, não machista, mas venho de uma família de mulheres fortes e pouco interessadas nas idéias e limitações que tentam impor às suas vidas.

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  2. Bravo, Ǻsa(oh anelzinho difícil de por)
    Simples e objetivo, como tem de ser. Claro que há diferenças biológicas entre homens e mulheres, mas muito mais serão entre todos os seres humanos.
    Quando provoco conversa séria com amigas sobre as diferenças entre sexos, elas sempre se centram na questão hormonal. O ciclo menstrual da mulher, a até hoje nunca explicada interferência da Lua nisso, a famosa TPM e a menopausa são muito mais ordenadas na mulher que no homem. Sabemos que não é que não existam no macho, só não têm a mesma regularidade. Minhas amigas confirmam esses processos.
    Há uma outra coisa fundamental: a maternidade. Filhos mudam a condição de mulher de filha para mãe, e nos homens é comum que isso nunca ocorra. Só trocam de mães, sendo eternos filhos, muitas vezes mimados, como eu.
    E tem a questão da força física e agressividade, também ligadas a hormônios.
    Mas temos que discutir essas diferenças serenamente, o que não é fácil.
    Por isso brinquei que a tampa do Bule tinha voado, e não vejo a hora de se fechar antes do Bule explodir.
    Mas, pelo que vc explicou pro povo, teremos nova rodada essa semana. Melhor que seja promovida por uma mulher
    Grande Abraço

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  3. "A até hoje nunca explicada interferência da lua."

    Colocado dessa forma, soa mal, parece que você quer dizer que existe uma interferência comprovada a que os cientistas não têm nenhuma explicação possível. Tem que tomar cuidado na hora de falar coisas assim, porque é isso que o povo vai escutar, mesmo não tendo sido o que você disse.

    Existem teorias. Por exemplo, ouvi falar de uma teoria que diz que o homem de antigamente (pré-histórico?) costumava caçar à noite quando tinha luz. Quando não tinha, ou seja, na lua cheia, ele ficava em "casa". Daí as mulheres que tinham o período que coincidia com o da lua teriam mais filhos, e a seleção natural selecionaria esta característica.

    E existem aqueles que dizem que é mera coincidência, até porque o ciclo da lua é de 29,53 dias, e o ciclo menstrual é aproximadamente 28 dias - tá meio longe para dizer coincidência, não acha?

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  4. http://jorgebichuetti.blogspot.com/2011/08/indignacao-assim-nascem-as-lutas-neles.html?spref=fb

    Beijim

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  5. Sra. Asa!

    Estive examinando as minhas postagens e vi que naquele dia eu estava impertinente,e a Sra. não estava de bom humor. Resultado, eu fui expulso por motivo fútil.

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