sábado, 23 de julho de 2011

Deixem os gays em paz [por David Coimbra]

Com frequência encontro ótimas opiniões de colunistas na Zero Hora. Ontem foi David Coimbra falando sobre a questão dos gays:

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  • Deixem os gays em paz

    Agora você vai me dizer uma coisa: qual é o problema de um cara fazer sexo oral em outro cara no meio do Parcão às duas da madrugada? Que mal eles estão praticando? Ah, a senhora sua mãe ou seu filho pequeno ou a sua esposa não gostariam de ver dois homens transando na rua. Certo. Em geral, o sexo há de ser mesmo um exercício privado, as pessoas não apreciam o espetáculo da intimidade das outras pessoas, salvo quando assistem ao Big Brother. Mas a senhora sua mãe, o seu filho pequeno e a sua esposa andam passeando pelo Parcão às duas da madrugada???
  • Que eu saiba, não há muita gente fazendo sexo nas calçadas de Porto Alegre às quatro da tarde. Não. Os gays esperam a tal calada da madrugada, embrenham-se nas entranhas do Parcão ou da Redenção, metem-se sob as moitas e debaixo das árvores, e lá se repoltreiam e se refocilam e espadanam. Qual é o dolo disso? Quem está sendo lesado? Eles não estão se agredindo, eles não estão se batendo, eles estão fazendo sexo, ou, como preferem alguns, amor. Não é algo bom fazer amor?
  • Na Europa, há parques que são cercados à noite? A resposta é sim. E na Europa há parques em que as pessoas tomam banho de sol nus, e na Europa há parques em que as pessoas fazem sexo nos recônditos, sem serem incomodadas. Se alguém procura um policial para se queixar, o policial perguntará:
  • – Por que o senhor foi lá?
  • Os intestinos dos parques de Porto Alegre são usados para estupros e assassinatos? Nesse caso, a polícia tem mesmo de intervir. Estupros e assassinatos são crimes dentro e fora de parques. Mas não me parece que seja esse, de fato, o motivo do escândalo. Li a reportagem a respeito, na Zero Hora de segunda-feira. Das 10 fotos que denunciavam “abusos” cometidos nos parques, nenhuma registrava um crime e oito eram de, digamos, conteúdo sexual. Uma dessas flagrava camisinhas rojadas ao chão. O que, por um lado, preocupa: estão sujando as ruas da cidade. Por outro, tranquiliza: estão fazendo sexo seguro.
  • Mais preocupantes são outras duas fotos, que mostram prostitutas e michês oferecendo seus serviços a céu aberto. Temo por esses profissionais. Estão expostos à violência urbana, tendo de trabalhar assim, ao léu, sem proteção do Estado. Fosse essa cidade menos hipócrita, prostitutas, michês e travestis teriam ruas seguras para trabalhar. Eles e seus ávidos clientes não precisariam arriscar-se nos desvãos dos parques ou em ruas ermas.
  • Tempos atrás, ouvi o grande Antônio Carlos Macedo entrevistar um delegado em seu programa na Gaúcha. Esse delegado recomendava aos porto-alegrenses que não parassem sob o sinal vermelho dos semáforos à noite. Que olhassem para os lados e cruzassem a rua com cautela. Quer dizer: um delegado, um agente da lei, recomendava que se cometesse uma infração. Por quê? Porque deter-se em um sinal vermelho à noite, em Porto Alegre, acarreta risco grave. A pessoa pode ser assaltada, pode ser sequestrada, podem meter-lhe um revólver no nariz e arrancá-la do volante de seu próprio carro e prendê-la no porta-malas e levá-la para um morro e lá executá-la com um tiro na nuca.
  • É o que acontece à noite, nas ruas de Porto Alegre. E, enquanto isso, a polícia está ocupada em encher o saco dos gays do Parcão.
22 de julho de 2011

DAVID COIMBRA

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