domingo, 10 de julho de 2011

A Bíblia endossa o incesto? - Não!

Esse argumento é recorrente nas comunidades ateistas, mas sempre me pareceu estranho e eu decidi tirar a limpo.
Primeiro consultei a fonte primária, a Bíblia. Todo mundo já sabe do início da história, vou só reproduzir o final aqui, que é o que realmente importa para que eu possa expor o meu argumento:
  "E a primogênita deu à luz um filho, e chamou-lhe Moabe; este é o pai dos moabitas até o dia de hoje. E a menor também deu à luz um filho, e chamou-lhe Ben-Ami; este é o pai dos filhos de Amom até o dia de hoje."

É aí que a história realmente começa.
Quem são os moabitas, e quem são os "filhos de Amom", ou amonitas?

Na Wikipédia consta o seguinte:

"Pensando ser os únicos sobreviventes no mundo e para continuar a linhagem de Ló, estas o embebedaram, cada uma em uma noite, e se deitaram com o pai. O resultado disso foi o nascimento de Moabe e Ben-Ami, de quem viriam os moabitas e os amonitas, respectivamente, povos estes que causariam problemas para os israelitas no futuro." 

Vale a pena ler mais detalhadamente os links referentes aos verbetes em questão, mas a parte principal disso tudo me parece ser isso:



"Embora historicamente descartável, esse mito de fundação deixa claro que os israelitas intuiam uma origem comum para ambos os povos, contudo, justificavam o ódio e os massacres que imputavam aos inimigos com a tese de que tanto os amonitas quanto os moabitas são frutos impuros de um incesto, devendo como tal, ser exterminados."

Toda a história de Ló e suas filhas parece ter sido para justificar que os povos que resultaram deste incesto não mereciam consideração. Portanto a Bíblia não endossa o incesto, até bem pelo contrário.


Agora provavelmente alguns dos meus leitores estão se perguntando porque eu estou fazendo isso.
Porque estou desfazendo um argumento muito conveniente para os ateus?

Por uma questão de honestidade. E também como um alerta.

Não podemos nos prender a conceitos e argumentos só porque parecem plausíveis e convenientes. Às vezes temos que ir mais fundo e questionar até mesmo isso; ou talvez principalmente isso.

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9 comentários:

  1. Nunca havia pensado nisso, mas, pelo que li aqui, é bem isso.
    Ótimo texto.
    PS: honestidade é um dos valores éticos mais importantes.

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  2. É isso aí. Conferir e analisar sempre pra não acabar pagando um mico.

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  3. E a parte da Eva & os filhos? Não tinha outra mulher. E a do Noé, que fica sozinho com a família?

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  4. A única história realmente usada para dizer que a Bíblia claramente endossa o incesto é essa de Ló e suas filhas.
    As outras muitas vezes são consideradas figurativas.

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  5. muito bom, admiro essa honestidade!

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  6. Certamente, honestidade é um dos grandes valores éticos como disse o Pedro. Não é nada válido ficar ostentando argumentos falsos, acho que isso já é bem feito pelos teístas. Grande Âsa, sempre contribuindo de maneira ímpar à comunidade ateísta.

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  7. Acontece, colega, que esse deus escolheu essa família para sobreviver ao massacre às cidades com que ele se chateou. A mãe fica no caminho porque não resiste a uma simples curiosidade, olha pra trás pra ver o massacre e vira sal. Os restantes, que fazem o que o deusinho volutarioso quer, são levados a essa situação [por ele mesmo, já que é onipotente]. Ou seja, até chegar a formar os povinhos que terão rixas com os israelitas, tudo foi maquinado.
    Porque deus é puro amor!

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  8. Tem cristão se fazendo passar por ateu aqui...o dono deste blog é tendencioso...A verdade é que os israelitas, na época, queriam um motivo para destruir os moabitas e o amonitas. Era isso apenas...
    Mais nada...Acusá-los de serem descendentes de uma relação incestuosa...só isso...

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    1. A dona do blog sou eu, e isso que você disse foi exatamente o que tentei transmitir nesta postagem.

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