domingo, 17 de outubro de 2010

"Sou ateia e sinto-me discriminada. Pronto, falei." - por Suzana Herculano-Houzel

A neurocientista de plantão.

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Pouco importa o que Dilma e Serra de fato pensam sobre aborto. Em campanha, eles dirão o que o povo brasileiro deseja ouvir - e não os culpo nem um pouco por isso. Se o que o povo deseja ouvir é que o(a) futuro(a) chefe de nosso Estado teoricamente laico é temente a Deus e aos valores das religiões católica e evangélica, assim será. Por quê? Porque, no nosso país, ser ateu é feio. Ateus não são confiáveis. Ateus não podem ser chefes de Estado nem devem confessar em cadeia nacional sua não-crença, como minha mãe bem me advertiu lá no começo da minha carreira de declarações públicas ("Olha o Fernando Henrique, até ele passou a falar em Deus!").

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E no entanto, não temos liberdade para dizer que não cremos em Deus, ou que acreditamos em debates (sobre o aborto ou o casamento, por exemplo) que NÃO envolvam a religião. É devido à imposição de Deus, crença aparentemente compulsória nesse país, que tem-se o nojo que anda o jornal O Globo e, nojo dos nojos, que deixou minha ínsula absolutamente revoltada, a revista Veja da semana passada (digo isso somente agora, tarde demais para que meu repúdio gere curiosidade e os ajude a vender exemplares).

Pois cansei de ser discriminada. Quero ter direito à liberdade de exercer minha não-religiosidade e a não ser considerada pior do que os religiosos por não crer em Deus. Defendo os direitos dos religiosos de curtirem suas crenças em paz, e acho o máximo conhecer a cultura, os valores e as particularidades de judeus, muçulmanos e tantos outros - mas está na hora de os não-religiosos também terem a sua não-crença respeitada.

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E a partir de agora, podem ter certeza que vou responder com todas as letras que sou ateia toda vem que me perguntarem, em cadeia pública ou em particular. Assim vou fazer minha parte pela liberdade de expressão religiosa *e* não-religiosa. Como Fernando Pessoa bem escreveu, não ter Deus é um Deus também.

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Leia a postagem completa aqui, e deixe o seu comentário: Sou ateia e sinto-me discriminada. Pronto, falei.

Recomendo.

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5 comentários:

  1. É, está cada vez mais complicado.
    Eu mesmo ainda não me declarei ateu para a maior parte da minha família e acabo ouvindo coisas que me incomodam a respeito dos ateus.
    Estou pensando em abrir o jogo logo e "sair do armário" como muitos já fizeram.

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  2. Senhoras e Senhores! Sentem-se discriminados por não terem crenças, imaginem como Nietzsche se sentia no século passado? Entretanto, numa época em que era possível ainda sentir o cheiro de cadáveres queimados, ele disse após ler Darwin, " DEUS MORREU!" Não temam! Não é preciso estar num armário, como se fôssemos ratos antes do processo evolucionário, não se irritem, brinquem com a ideia, mas não passem o resto de suas vidas falando com adultos sobre algo que não existe! Só não hesitem em dizer a uma criança que se trata de um desenho animado, mais tarde elas compreederão!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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