sábado, 25 de setembro de 2010

Empatia e compaixão - como o fundamentalismo religioso sufoca esses sentimentos

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Abaixo tem a tradução de uma postagem da "The Redheaded Skeptic" (A Cética Ruiva). Ela mantém um blog onde ela conta a trajetória dela, e que venho acompanhando há algum tempo. Para quem entende inglês, recomendo a leitura.
Ela se sente rejeitada pela família e pela comunidade da qual participava, e sente que a religião tem um papel central nisso. Em vez de dar apoio a ela pela pessoa, filha e amiga que é, a julgaram por se separar do marido e viraram as costas a ela. Nessa época ela ainda não era atéia, diga-se de passagem. Ela só não conseguia continuar a viver com um homem abusivo. Pela forma como foi tratada, ela percebeu que havia algo de fundamentalmente errado com a religião, e começou a questionar cada vez mais.

O propósito de eu traduzir essa postagem dela é pelo desabafo que ela faz em decorrência de uma tentativa de suicídio do irmão dela.

Achei que combina muito com algo que eu disse um tempo atrás, que foi mais ou menos o seguinte: "Nenhuma causa pode ser considerada válida se envolve o sacrifício de outras pessoas, seja em que nível for." Isso vai desde negligenciar as necessidades concretas de alguém ou o rompimento de relacionamentos, até o fato de matar pessoas em nome dessa 'causa'.

Vou além; percebo que quando a religiosidade se torna dogmática, mais atenta às regras do que ao bem estar das pessoas que nos cercam, esse tipo de religiosidade torna as pessoas insensíveis, sufoca a  capacidade da empatia e da compaixão em pessoas que talvez até fossem capazes de ser empáticas e compassivas sem essa interferência.

Mas, vamos ao desabafo dela:

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"Obrigadaobrigada por todos os tweets, e-mails, e comentários. Eu realmente aprecio o apoio de todo mundo. Serve para mostrar que é possível consegue encontrar pessoas boas e que se importam no mundo virtual tanto quanto na "vida real".

Contei ao Steve a caminho de casa do hospital, 'Hoje, eu acho, é o primeiro dia que eu me torno uma antiteísta.' Não se isso vai valer daqui a um mês, mas estou tão zangada por causa da bagunça que a religião causou na minha família inteira, é MUITO difícil dizer que é inofensiva, e viver e deixar viver, porque apesar de eu ter sido atéa por uns dois anos agora, ela ainda me afeta todos os dias. A religião fundamentalista não vive e deixa os outros viver, então é praticamente impossível desistir dela sem que haja consequências dolorosas.

Mas eu não sei como reconciliar estes sentimentos com a lógica, que é o fato de eu acreditar na liberdade religiosa. Momentos como esse realmente testam a nossa decisão quanto ao que acreditamos. Suponho que eu quero que a religião desapareça, mas não de maneira forçada. Fico pensando, o que é que vai ter que acontecer para que para que os fundamentalistas se deem conta que o sistema deles não funciona?A morte de seus filhos não basta? Depressão não basta? Casamentos infelizes não bastam? A perda de relacionamentos com sua família extendida não basta? O uso de métodos demonstravelmente falsos logicamente não basta? As mentiras facilmente expostas que as organizações fundamentalistas contam não bastam? A perda dos relacionamentos com seus filhos adultos não basta? Porque se agarrar a algo que nos faz sentir tão mal e é tão obviamente ruim para a família que eles prometem ajudar a fortalecer? Honestamente, essa é uma das coisas a respeito do fundamentalismo que eu não entendo, porque eu saí quando me dei conta de que não funcionava, e me tornei uma atéia quando me dei conta dos erros na minha lógica. Então fico pensando, para aqueles que ainda estão lá e que estão passando pelo que eu passei, o que será o limite? Quando vão enxergar as mentiras? Quando vão enxergar que aquilo os torna infelizes e que destroça as suas vidas por nada? Quando vão examinar o caos de suas vidas destruídas e dizer "Basta!" Mesmo que exista um céu e inferno e Deus, será que ele realmente se importa se você acredita que ele deu origem à vida através da evolução ou que ele a fez em 6 dias? Onde na Bíblia diz que você vai para o inferno se você acredita em uma ou duas coisas erradas? Se você interpreta a Bíblia liberalmente em vez de conservadoramente? Simplesmente não entendo qual a vantagem. Porque destruir a sua família por algo que provavelmente não terá nenhuma importância no grande esquema das coisas? Se existe um Deus, e ele manda as pessoas para o inferno, você não preferiria ficar em algum lugar menos importante no céu com a sua família junto a você do que dar tudo para ser o Número 1 na mesa do banquete, mas destruindo o seu testemunho àqueles que mais importam para você no processo? Não faz sentido, sob nenhum ponto de vista.

Sei que tem muita gente religiosa boa por aí, então não pensem que estou malhando eles, apesar de eu achar que essas pessoas seriam igualmente boas sem religião. Eu não ligo para a religião não-extremista, e eu ainda acho que se a religião o faz feliz, e você não a estiver forçando para cima de mais ninguém (inclusive crianças) ou magoando as pessoas por causa dela, então tudo bem. Mas aí eu penso sobre tudo que perdi, que a minha família perdeu por causa da religião. E isso me deixa tão furiosa que eu não ligo se 1 ou 2 pessoas estão felizes se o resto do mundo está mal. Acho que a religião podia ir para o inferno. É uma contradição, mas William James (ou algum outro psicólogo famos) escreveu uma vez que todos as tem, e melhor ainda se você consegue reconhecê-las: você não precisa resolvê-las. Suponho que para resolvê-las é preciso que se saiba de tudo, e a maioria de nós não sabe. Mas agora estou divagando totalmente.

Acho que , no momento, estou simplesmente analisando tudo e tentando descobrir onde isso vai acabar. Provavelmente vou me arrepender de tudo que eu disse amanhã. Eu sei que não é 100% lógico, mas sinceramente não estou ligando para isso agora.
Minhas desculpas aos meus leitores cristãos, a maioria dos quais são gentis e maravilhosos. Não estou tentando ser ofensiva; é só que me sinto assim hoje. Eu sei que estou pensando principalmente com as minhas emoções e não com a minha cabeça, e posso passar a ver as coisas de forma bem diferente quando as coisas se acalmarem."



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Link para postagem original aqui.
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5 comentários:

  1. Nada que eu conheci nos meus 35 anos é tão nocivo quanto a religião....e pela quantidade de sangue derramado e atrocidades mil cometidas em nome dela....bom, acho que não existe realmente escapatória....estamos "presos" nessa existência com um monte de pessoas ignorantes, intolerantes e infelizes, que preferem passar suas vidas martirizando e atormentando quem pensa diferente, a vivê-la em sua plenitude.

    Não sou uma "antiteísta", mas prefiro-os bem longe de mim!!!! :)

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  2. Se assumir ateu pode ser um dilema infeliz, graças aos religiosos que não toleram quem não pertence a bolha religiosa, que para estar dentro basta nascer de uma família que já foi criada dentro dela. Se sair, é mal visto.
    Graças a internete eu pude e continuo encontrando ótimos amigos, e diga-se de passagem, são mais úteis a minha vida e me fazem sentir mais felicidade que os parentes, sendo que muitos desses parentes, francamente, não me fazem falta alguma.
    Mamãe já dizia, (e o Roberto Carlos também), só gosto de quem gosta de mim.

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  3. Coitada, parece mesmo ter escrito num estado perturbado. Mas o mais interessante nisso é como ser racional e se importar com os outros não sai da cabeça dela em momento algum. Grande mulher, como vc! Bjos.

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  4. Alienação religiosa.

    Absurdos que levam o ser humano a cometer.
    Tenho uns parentes no norte do estado de São Paulo, São como eu descendentes de italianos, um povo culturalmente muito católico. Este meus parentes, depois de muitos anos seguindo o catolicismo, foram atraídos pela conversinha macia dos testemunhas de Jeová, aqueles que batem de porta em porta perturbando as pessoas no seu dia de descanso que é o sábado e domingo. Este meus parentes umas pessoas bem simples quase sem estudos, foram atraídos para a igreja das Testemunhas de Jeová. Toda a família aderiu, mas um dos filhos o qual eu considero mais inteligente não aderiu e se manteve irredutível. Conto agora a coisa terrível que aconteceu. Sabe-se muito bem que as pessoas que entram nesta religião não podem ter amizade nem muito contato com pessoas não religiosas como eles, estas são as informações que obtive a respeito. Li estas informações no depoimento de Sebastião Ramos o qual entrou com processo no ministério publico por estar sendo discriminado até pela própria mãe. O pior desta historia vem agora. Este filho deles que não aderiu, foi tão discriminado pela sua mãe, pelo seu pai e por seus irmãos. O coitado entrou em parafuso sua mãe que o amava tanto agora era como uma estranha para ele. Imaginem a própria mãe que cuidou dele desde pequeno que o tratava com muito carinho agora o discriminava tanto ela como o pai e também os irmãos. O rapaz não agüentando tanta pressão continuada de sua família, tomou uma decisão drástica, suicidou-se, se atirando nas águas do rio Pardo, um rio que corta o norte do Estado de São Paulo. Pasmem como pode as mentes destes meus parentes agirem assim, só pode ser lavagem cerebral, não há outra explicação, vejam até que ponto chega a alienação de algumas religiões que se dizem cristã, isso é um absurdo, quando acontecia isso na idade media até era aceitável mas nós estamos no século 21, estamos na era da informática, na era dos aviões a jato e estes movimentos religiosos estão lá atrás, quase na idade da pedra. Deus deve estar muito decepcionado com certos humanos que continuam não sabem usar a inteligência de maneira adequada.

    Paulo Luiz Mendonça. Autor do livro Crônicas, indagações e teorias.
    http://pauloluizmendonca.judblog.com

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  5. QUAL É O SEU GRUPO.
    Há dois grupos de seres humanos. Os membros do primeiro grupo são aqueles que usam o potencial maravilhoso do seu cérebro, potencial este que é inerente a todos os humanos. Estes usam este potencial com criatividade, persistência e Perspicácia, conseguindo com isso, um invejável progresso e uma vida perfeitamente equilibrada. Os membros do segundo grupo são mais tranqüilos, desprezam preguiçosamente o potencial maravilhoso do seu cérebro, são essencialmente acomodados. Estes quando se encontram em dificuldades tanto financeira como com problema de saúde, se dirigem fervorosamente cheios de fé, as entidades supremas em busca de um milagre. Eles não descobriram ainda que milagres são como prêmios de loteria, somente alguns poucos são privilegiados. Também não descobriram ainda que o principal milagre, Deus já o fez, que é ter dado a nós uma privilegiada inteligência.
    Paulo Luiz Mendonça. Autor do livro Crônicas, indagações e teorias. Editora Scortecci.
    http://pauloluizmendonca.judblog.com


    QUAL A NOSSA POSIÇÃO.

    Os seres humanos que usam sua inteligência e criatividade sabem perfeitamente delinear seu próprio destino, baseando no bom senso e na razão. Os demais seguem fanaticamente os ditames da multidão.
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    Paulo Luiz Mendonça, Autor do livro, Crônicas, indagações e teorias. Editora Scortecci.
    http://pauloluizmendonca.judblog.com

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