terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Hoje completamos 36 anos de casamento!

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Imagem do casamento civil, realizado no dia 28 de dezembro de 1974.


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Nós dois no dia 31 de dezembro de 2010:



Única tradição de Ano Novo que nós dois mantemos: nos beijar à meia noite. Nunca falhamos um ano sequer, em 39 anos (3 de namoro)







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domingo, 26 de dezembro de 2010

Bule Voador - "Somos um blog de todas as letras: boicote à Central Ceticismo"

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Ontem muita gente foi surpeendida com uma declaração da Central Ceticismo:

OBS: Retiramos da nossa lista o site "Bule Voador" porque ele vem se tornando um blog GLS. E nós da Central Ceticismo não apoiamos a homossexualidade.

Como vice-presidente da LiHS, cujo blog oficial é o Bule Voador, quero deixar bem claro que o Bule é um blog Humanista, que defende os direitos humanos de qualquer grupo que esteja vulnerável. Um desses grupos é o dos homossexuais, mas quem acompanha o blog desde mais tempo sabe muito bem que levantamos várias bandeiras; tem os direitos das mulheres, das crianças, dos ateus, e inclusive a oposição ao apedrejamento praticado em alguns países islâmicos.

Declarar simplesmente que "não apoiam a homossexualidade" me soa muito como alguém dizer que "não apóia canhotos", ou "não apóia negros".

Simplesmente absurdo!

A postagem no Bule voador:
Bule Voador » Blog Archive » Somos um blog de todas as letras: boicote à Central Ceticismo

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Selo - Stylish Blogger Award

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Recebi esse selo da minha amiga Andressa - Lady Sixties, que é a dona do Blog 
in Test - http://irresistiblementblog.blogspot.com/, cujo banner está aí na barra
lateral.

Nesses tempos de internet, muitas amizades florescem no mundo virtual, e se 
mantém apesar de nunca nos termos visto pessoalmente. Mas já nos falamos por webcam, então eu sei que ela é ela mesma. :)
Gosto muito dela, e o seu blog é muito bom, com variados assuntos e sempre com aquela cara limpa que é a maior características dessa moça tão querida.

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Então, a condição para aceitar o selo são:

 A- Agradecer a quem me deu esse prêmio;
 B- Partilhar 7 coisas sobre mim;
 C- Escolher 10 blogs para presentear com o selo...

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A - Muito obrigada, Andressa, fiquei muito honrada mesmo por você me conceder esse selo, e ainda me coloca em primeiro lugar na lista de blogs.

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B - 
1 - Eu não tomo refrigerante. Nunca.
2 - Só uso relógio de pulso quando estou fora de casa.
3 - Leio vários livros ao mesmo tempo.
4 - Não tenho curso superior, só fiz um semestre de Enfermagem em 1977.
5 - O meu marido foi, e é, o primeiro e único homem da minha vida.
6 - Tenho 1,50 de altura.
7 - Os meus tres filhos nasceram todos por parto normal.
 
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 C - Eu conheço muitos bons blogs, mas tenho que escolher só dez. 
Peço que os que eu não mencionei  não pensem que os aprecio menos.


1  - Eli Vieira -  Tetrapharmakos In Vitro   -  http://www.elivieira.com/
2  - Bule Voador, o blog oficial da LiHS - http://bulevoador.haaan.com/
3  - Ivan - Ateu e Bipolar - http://ateubipolar.blogspot.com/
4  - Breno Veríssimo - Ateuligente - http://ateuligente.blogspot.com/
5  - Ateus em Curitiba - http://ateusemcuritiba.blogspot.com/
6  - Muito além do Arco-Iris - http://muitoalemdoarco-iris.blogspot.com/
7  - Paulopes Weblog - http://e-paulopes.blogspot.com/
9  - Direitos Fundamentais LGBT - http://carlosalexlima.blogspot.com/ 
10-José Geraldo Gouveia - Letras Elétricas - http://letras-eletricas.blogspot.com/

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

Pena de morte, vontade de matar, e ação do Estado

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Não achei que isso fosse ser necessário, mas me vejo na contingência de fazer um preâmbulo à minha postagem, a posteriori. 

Não sou contra a ação policial no Rio, muito pelo contrário; ela é absolutamente necessaria e pelo que vejo ela está sendo muito bem conduzida.

Vão haver mortes? Provavelmente, e em se tratando de se defender, é plenamente justificado, inclusive por parte dos policiais. Agora, causar mortes é bom? é desejável? É aí que eu discordo dos que ficam torcendo por um extermínio em massa. A força deve ser usada até onde for necessário, nem mais, nem menos. 

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Todos nós já tivemos vontade de matar alguém, ou pelo menos de ver alguém morto. É normal, somos pessoas com emoções e impulsos, e ninguém é totalmente racional. E a vasta maioria de nós, eu inclusive, seria capaz de matar alguém que estivesse ameaçando a nossa vida ou a vida de alguém que amamos. Isso é legítimo, auto-defesa ou defesa de terceiros, e justificado pelas circunstâncias.

Mas, quem de nós mataria, ou mandaria matar, fora dessas circunstâncias? Ou então, eu poderia atirar nas costas de um ladrão que invadiu minha casa, mas está fugindo pelo portão?
Tem que traçar um limite para tudo, e algumas vezes esse limite é um tanto indefinido, meio borrado, e principalmente turvado pela raiva que sentimos do fato de termos que conviver com toda essa insegurança.

Aí vem essas notícias da ação policial no Rio, e toda essa raiva e essas emoções vem à tona, e muitos querem ver alguém fazer aquilo que está presente em nossas fantasias.
Só que há uma diferença básica, fundamental, entre o que um indivíduo faz no calor da emoção, ou por necessidade de sobrevivência, e o que o Estado e a polícia fazem.

Se o Estado tiver licença para esse tipo de coisa, você pode ser vítima um dia. Se a tortura, esquadrões de extermínio e a pena de morte fossem atribuições permitidas oficialmente, o Estado se tornaria um perigo para qualquer cidadão. No tempo da ditadura de 64, pessoas que haviam pertencido ao Partido Comunista (mas não só estas) tiveram que fugir do país, pessoas desapareceram, foram presas e torturadas. Em 1977, perguntaram a um professor da faculdade onde eu estudava o que ele achava de um determinado assunto, que não lembro qual era, mas o que me chamou atenção foi a resposta dele:  - "Olha, eu não acho nada, porque um amigo meu achou, e depois não acharam mais ele." 

O pessoal fala mal dos Direitos Humanos, mas não se dão conta de que foi isso que fez com que a situação melhorasse no país até que a ditadura acabou, em 1984. E também não se dão conta de que um dia poderão estar no lugar errado, na hora errada, e aí vão precisar desse recurso. Sim, os Direitos Humanos servem para proteger você e sua família também, num caso como este.

 Que os criminosos sejam presos, que fiquem na prisão por muito tempo se for o caso. Nesse ponto o sistema erra muito, ao deixar soltos, ou soltar muito cedo, quem cometeu crimes graves. Não sou nem um pouco a favor da impunidade ou penas leves para delitos graves. Esse é um problema que precisa ainda ser resolvido.


Quanto à pena de morte, sabe-se que já houve casos de inocentes executados. Você realmente quer dar esse poder ao Estado? Confia no nosso sistema judiciário a esse ponto?
Alguns vão dizer que não importa, que é melhor um inocente ser executado para o "bem de todos". E se esse inocente executado for alguém de sua família? Por mais remota que essa possibilidade possa parecer, estaria disposto a arriscar?

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* Uma observação: quando se trata do aborto, a maioria fala que não, que essa é uma solução precipitada, tem que ter prevenção, educação, etc, etc, mas quando o assunto é sobre a criminalidade, de repente não se pode mais falar em prevenção e educação, aí muda o discurso e querem uma solução "rápida".

Que nome se dá para isso?

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Somos TODOS descendentes de negros!

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Desde aquele episódio das ameaças de neo-babacas-nazistas ao senador Paulo Paim que venho pensando em escrever algo a respeito dessa grandessíssima babaquice que é essa suposta "pureza" racial. Sim, existem etnias, e existem algumas características que diferem as etnias umas das outras, mas é importante não esquecer que isso aconteceu como adaptação aos diversos ambientes onde os agrupamentos humanos viviam, isolados uns dos outros por muito tempo.

Na origem de tudo, descendemos de um pequeno agrupamento de homens primitivos, de pele negra, que migraram da África para os continentes da Ásia e Europa. A pele branca é uma característica de povos que vivem em ambientes onde o sol é mais fraco, porque a pele clara possibilita sintetizar a vitamina D (se não me engano) com menos claridade; pessoas de pele escura precisam de mais sol para sintetizar a mesma quantidade.

E basicamente essa é única função da pele clara.  É apenas uma adaptação evolutiva.

Não vejo absolutamente motivo nenhum para me orgulhar de ter pele clara e olhos azuis (cinzentos, na verdade). Não tive nenhuma participação nisso, foi um simples acidente de nascimento.

E os neo-babacas também não se dão conta de que a essas alturas do campeonato, não existe praticamente ninguém de "raça pura". Se fosse fazer um mapeamento genético, pouquíssimos dos próprios integrantes dessa neo-babaquice passariam no teste.


E é isso que eu tenho a dizer sobre esse assunto.


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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cristãos nos EUA contra a reforma na Saúde

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Interessante essa análise do historiador Voltaire Schilling, que saiu hoje na Zero Hora. Prestem atenção ao negrito no final do artigo (o negrito é meu, mas as palavras são dele).

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11 de novembro de 2010

ARTIGOS

As metamorfoses dos cruéis, por Voltaire Schilling*

“Lembre-se, a discórdia é patriótica.”
Slogan do Tea Party – Nashville, 2009

As fotos do Museu Getty não deixam dúvida, o linchamento de negros era um acontecimento festivo nos Estados Unidos dos anos 20 e 30. Uma delas, tirada em Indiana em agosto de 1930, mostra uns 50 caipiras brancos, inclusive com algumas mulheres e crianças, admirando os corpos queimados e estirados de dois pobres homens vestidos miseravelmente.

Faziam até cartões-postais disso para remeter aos parentes distantes. Em outras localidades, anunciavam o enforcamento pelo jornal para atrair curiosos da vizinhança que vinham de trem para, irmanados, participar do horror.

Naquela mesma década, essa mesma gente fez de tudo para impedir a política de Franklin D. Roosevelt para tirar o país da Depressão, denunciando as ações redentoras do Novo Trato como “intervencionistas” e “comunistas”.

Entre os anos 40 e 50 do século passado, empenharam-se em insuflar a Guerra Fria, para que o Estado gastasse bilhões em armas nucleares dando especial apoio ao Dr. Edward Teller na construção da bomba final que pulverizaria parte da humanidade. Ao mesmo tempo, covardes, alinhados ao senador Joseph McCarthy na caça às feiticeiras, perseguiram funcionários públicos e artistas de Hollywood colocando-os em “listas negras” para que não pudessem mais atuar. Praticamente empurraram o grande Charles Chaplin para o exílio.

Nesse tempo todo, apoiaram o que havia de pior na América Latina. Fossem tiranos como Trujillo, Somoza ou Batista, nunca lhes regatearam dólares, quando não lhes treinavam as polícias. Foram os maiores entusiastas da longa intervenção armada no Vietnã (1965-1975), mesmo que custasse a vida de mais de 1 milhão de paupérrimos camponeses e que arrasassem as florestas deles com terríveis herbicidas como o “agente laranja”. Lamentaram foi a derrota e não o estrago que causaram, e não sossegaram enquanto um deles não atirou no atrevido Dr. Martin Luther King.

E, passados uns tantos anos, voltaram à cena apoiando em massa o presidente George Bush na sua “guerra ao terror”, invadindo dois países miseráveis do Oriente e matando a população a granel na maior operação colonialista dos tempos recentes.

O negro supliciado dos anos 20 passou a ser substituído pelo árabe-iraquiano encapuzado, pendurado por cordas e torturado em Abu Ghraib, ou pelo desgraçado afegão ou paquistanês fronteiriço dilacerado por bombas jogadas regularmente lá do alto pelos drones, os aviões teleguiados.

Essa gente cruel não suportou nem o pouco refresco que o presidente Barack Obama trouxe à nação. Logo tratou de se reorganizar em torno do movimento Tea Party (uma ofensa aos revolucionários de Boston da época da Independência) para que o jovem líder suspenda ou mutile as reformas que objetivam dar melhor assistência aos pobres.

Ainda que conscientes de viverem no país mais rico e poderoso da terra, egoístas mórbidos querem fazer reverter o programa que proporciona aos 30 ou 40 milhões de carentes o acesso à mais eficaz medicina do mundo. Não conseguiram suportar sequer dois anos de convívio com políticas públicas de bondade e generosidade.
E ainda assim todos se confessam cristãos!

*Historiador

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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Daniel Dennett – membro emérito da Liga Humanista Secular do Brasil

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Gente, a postagem no Bule saiu mais rápido do que eu esperava!

O motivo é excelente, como podem ver. Leiam no Bule:

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Bule Voador » Blog Archive » Daniel Dennett – membro emérito da Liga Humanista Secular do Brasil

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Como evolui a mente humana [Daniel Dennett]

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Então, ontem estive presente na palestra dele, foi uma experiência fantástica.
O resumo pode ser lido aqui:
http://www.unimedpoa.com.br/mkt/resumo_fronteiras_081110.pdf


 Aguardem para amanhã, no blog do Bule Voador, as minhas impressões sobre o evento.
 
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Hoje saiu mais uma notícia a respeito na Zero Hora:
 
09 de novembro de 2010

CIÊNCIA E FILOSOFIA

Como evolui a mente humana

O norte-americano Daniel Dennett apoiou-se em teorias de Descartes de Darwin no Fronteiras

Longa barba branca e discurso em tom professoral sobre o que nos faz humanos a partir de comparações com os demais animais. Charles Darwin visitou ontem o Fronteiras do Pensamento, na conferência do filósofo norte-americano Daniel Dennett.

Sucedendo o Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, o penúltimo convidado do ciclo de altos estudos subiu ao palco do Salão de Atos da UFRGS um dia após o megashow de Paul McCartney em Porto Alegre. O ambiente, no entanto, não foi de ressaca: o público que ocupou mais de três quartos do teatro assistiu atentamente a toda a aula, percorrendo temas espinhosos como o funcionamento da mente humana com o auxílio de slides ilustrativos e da didática apurada do palestrante.

– Como é possível uma mente ser humana? – perguntou Dennett no início de sua fala, fazendo uso de mais de uma hora, e de citações sobretudo de Descartes e Darwin, para dar a sua resposta a essa questão.

Apresentado pela editora de Cultura de Zero Hora, Cláudia Laitano, o conferencista falou pouco sobre os contrastes entre ciência e religião, um dos assuntos que é mais requisitado a comentar. Preferiu se concentrar numa explicação naturalista – darwiniana – da forma e da evolução das comunicações, das línguas e das criações humanas, que acabam explicando não apenas a diferenciação do nosso cérebro com relação aos demais seres vivos, mas também da nossa mente.

– Nós, seres humanos, somos os primeiros designers eficientes da própria mente na natureza. Os demais animais não tiveram capacidade de fazer ideias e invenções evoluir como nós tivemos.

O livre-arbítrio e a mente humana

Indo de certa forma de encontro ao que disse Eduardo Giannetti em conferência recente no Fronteiras, Dennett afirmou que o livre-arbítrio humano pode não ser fruto unicamente da atividade cerebral, mas da nossa mente:

– Os neurocientistas estão descobrindo coisas muito interessantes sobre a origem das nossas ações e dos nossos pensamentos. Mas vamos com calma. É preciso ter cuidado antes de sair repetindo que agimos ou pensamos de forma mecânica, à revelia de nossa própria consciência.

O próximo encontro do Fronteiras do Pensamento, o último de 2010, será com o historiador italiano Carlo Ginzbourg, no dia 29 deste mês. O ciclo é realizado pela Braskem, em parceria com o Grupo RBS, a Unimed, a Gerdau, o Instituto Claro e a Refap, e com o apoio cultural de UFRGS, prefeitura de Porto Alegre e Anhanguera.

daniel.feix@zerohora.com.br
DANIEL FEIX
Link para a notícia online.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Daniel Dennett em Porto Alegre

 Na Zero Hora de hoje, uma reportagem sobre a palestra que Daniel Dennett fará esta noite:
 
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08 de novembro de 2010

CIÊNCIA

O enigma da mente

Filósofo Daniel Dennett aborda o mistério da consciência no Fronteiras hoje

Polemista ativo no grande debate sobre a validade da religião no mundo anglófono, o filósofo e escritor americano Daniel Dennett pretende abordar na conferência de hoje em Porto Alegre, a penúltima do ciclo Fronteiras do Pensamento 2010, outro de seus tópicos de interesse: a natureza da consciência.

– Falarei sobre o quanto a mente humana é diferente da mente animal e como é possível que bilhões de neurônios possam se organizar como uma equipe de trabalho para representar o mundo da maneira como ocorre em nossa mente – disse o pesquisador a Zero Hora, por telefone, de Boston, Estados Unidos.

O título da conferência é A Mente Humana – O Cérebro às Avessas. Partidário convicto da teoria evolucionista de Charles Darwin, que tem sido colocada em xeque por autores mais ou menos inspirados em correntes religiosas, Dennett se diz impressionado pela forma como um indivíduo consegue, por meio da mente, ter uma percepção a respeito de si próprio. Também destaca o fato significativo de que a mente “parece ser diferente do cérebro”.

– Explicar isso é difícil para a ciência. Estou procurando abordar esse tema de uma perspectiva evolucionária.

Algumas das posições a serem sustentadas por Dennett hoje no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foram avançadas em algumas de suas obras publicadas em português, como Tipos de Mentes (1997) e A Perigosa Ideia de Darwin (1998), ambas da Rocco.

Informado de que havia sido criticado por um dos conferencistas deste ano do Fronteiras, o escritor britânico Terry Eagleton, por supostamente usar a crítica da religião para desacreditar o islamismo por motivos políticos, Dennett reagiu:

– Considero as posições de Eagleton a pior forma de debater. Ele deliberadamente distorce as visões dos autores com os quais discute e não sabe diferenciar um argumento legítimo de uma invectiva. Não pretendo responder a ele, mas apenas dizer que está errado. Toda grande religião no mundo tem elementos tóxicos. Todos sabem disso. Estou apenas apelando a todas as religiões para se livrarem desses elementos tóxicos.

O ciclo de estudos é apresentado pela Braskem e tem o patrocínio de Grupo RBS, Unimed Porto Alegre, Gerdau, Instituto Claro e Refap, apoio cultural de Anhanguera Educacional, UFRGS e prefeitura de Porto Alegre.
Conferência de Daniel Dennett
CICLO DE ESTUDOS FRONTEIRAS DO PENSAMENTO
> Hoje, às 19h30min, no Salão de Atos da UFRGS (Avenida Paulo Gama, 110). Ingresso mediante apresentação de passaporte (vendas esgotadas). Informações: (51) 3019-2326 ou relacionamento@fronteirasdopensamento.com.br
> Daniel Dennett é o penúltimo conferencista do ciclo Fronteiras do Pensamento este ano. O evento se encerra com a conferência do historiador Carlo Ginzburg, no dia 29.

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sábado, 6 de novembro de 2010

A imbecilidade total do "neonazismo" !

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 O que se passa na cabeça de certas pessoas? Estou pasma com a notícia que saiu na Zero Hora de hoje.
 A maioria desses "neo-idiotas" nem sabem o que foi o nazismo original, e se pensam que ainda tem coerência defender alguma "raça pura" estão pra lá de iludidos, porque existem muito poucas pessoas nessa condição atualmente. A mistura das etnias é a regra e eu pessoalmente acho isso muito benéfico. Afinal, a "pureza" serve para quê?

Qualquer ideologia que envolva "sacrificar" pessoas é abominável, e não tem validade nenhuma. A questão que sempre surge é, onde será traçado o limite? Até onde irão os "sacrifícios" em nome dessa suposta "pureza"? Dizem que o sujeito que inventou a guilhotina acabou morto por sua própria invenção durante a Revolução Francesa. Então, "puristas", tomem cuidado com o que desejam.

Link para a notícia aqui.

Como o conteúdo só é acessível a assinantes, reproduzo a notícia na íntegra abaixo:

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06 de novembro de 2010 | N° 16511

AMEAÇA EM VÍDEO

Senador é alvo de perseguição de neonazistas

Polícia Civil apreendeu ontem material usado em encontros de grupos no centro da Capital

Livros, CDs, facas e uma soqueira estão entre os materiais apreendidos pela Polícia Civil em um local usado para encontros de grupos neonazistas em Porto Alegre. Mas entre as apreensões, o que mais impressionou o delegado Paulo Cesar Jardim foi um vídeo em que o grupo White Power Sul Skin (poder da raça branca do Sul, numa tradução livre) faz ameaças ao senador gaúcho Paulo Paim (PT).

A ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do governo federal Matilde Ribeiro também foi alvo dos neonazistas. A apreensão ocorreu na Rua Riachuelo, no centro da Capital. Para não prejudicar as investigações, não foi divulgado se o local era uma residência ou estabelecimento comercial. Segundo Jardim, titular da 1ª Delegacia da Polícia Civil (Centro), o grupo fazia reuniões e estocava materiais de divulgação nazista no local.

– A informação que tínhamos é de que haveria bombas e armas neste endereço e que seriam usadas em um ataque nos próximos dias – disse o delegado, especialista na investigação de grupos neonazistas no Estado.

As armas e os explosivos não foram encontrados. O responsável pelo local também não foi localizado pela polícia. Segundo o delegado, o homem teria relações com o grupo que, em 2005, esfaqueou três judeus no bairro Cidade Baixa.

Após assistir ao vídeo, o delegado telefonou para o senador e recomendou que ele redobrasse os cuidados com sua segurança.

Autor do Estatuto da Igualdade Racial, o senador reeleito Paulo Paim (PT) disse que já recebeu outras ameaças por conta de seu trabalho na promoção dos direitos raciais, religiosos e de orientação sexual.

– Na própria campanha e aqui mesmo no gabinete já recebi ameaças absurdas, mas não as divulguei porque achava que não deveriam ganhar espaço. Mas agora, o telefonema do delegado me alertou – conta o senador.

Paim disse que não pretende solicitar segurança pessoal e que a ação dos grupos neonazistas será um dos temas discutidos em uma audiência pública, marcada por ele para o dia 19 de novembro, em Brasília.

– Em pleno século 21, quando os Estados Unidos elegem um negro, a Bolívia elege um índio e o Brasil, uma mulher, não é possível que ainda existam grupos como esse.

carolina.rocha@diariogaucho.com.br
CAROLINA ROCHA
Intolerância
- O nazismo defendia a superioridade da raça ariana e perseguia judeus, negros, ciganos e homossexuais. Adolf Hitler (1889-1945) foi o maior expoente nazista.
- Os neonazistas são grupos surgidos depois da morte de Hitler e que seguem suas ideias.
- Skinhead é o movimento jovem radical. Alguns seguem a doutrina neonazista.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Hoje completo 54 anos

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Eu não sou uma mulher dita "normal".

Para começar, nunca tive problemas com a minha idade, e nunca escondi quantos anos tenho. Pelo contrário, cada aniversário é uma conquista, a prova de que a minha herança genética (a melhor herança que podemos ter) é boa, sou resistente e cheguei até aqui. Como publiquei no Orkut e no Twitter hoje:

"Ficar mais velha não é problema nenhum, muito pelo contrário. Problema seria não ter essa oportunidade."

Quando vou à dentista, ela me recebe com um "Tudo bem?", para em seguida dizer, "bom, nem tão bem assim, senão não estaria aqui", ao que respondo que eu não me importo de precisar dos serviços dela, porque esse é o preço que pagamos por viver mais tempo.

Antigamente as pessoas não viviam o suficiente para ter certos problemas. Então prefiro aceitar esses inconvenientes, porque fazem parte do processo. Sou afortunada o suficiente para não ter problemas sérios de saúde, o que deve ser em decorrência dessa herança genética que já mencionei, e um estilo de vida relativamente saudável que tento manter.

Também não sou muito "normal" sob outros aspectos: detesto fazer compras! Tenho verdadeiro horror a experimentar roupas, por exemplo. Se eu pudesse, escolhia só olhando na internet e mandava entregar em casa, mas não dá, é preciso ver se serve bem mesmo. Odeio!

Maquiagem uso de vez em quando, mas é tipo um lápis de sobrancelha e um batom. Uso uma correntinha discreta, um anel, brincos, e assim mesmo nem sempre. Nunca pintei o cabelo. Tento mantê-lo razoavelmente bem cortado, mas simples. É claro que em ocasiões muito especiais, como casamentos, lá vou eu pro instituto fazer até as unhas, dos quais eu esqueço na maior parte do tempo.

Enfim, essa sou eu.

Recebi muitas mensagens de parabéns hoje, muito carinhosas, e que me deixaram muito feliz.

Muito obrigada a todos!

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Joel Burns "It gets better" Legendado Português Brasil

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Nunca é demais chamar a atenção para a hostilidade que impera contra os homossexuais, muitas vezes com comsequências fatais:

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Também no meu outro blog:
http://paulcameronrefutado.blogspot.com/2010/10/joel-burns-it-gets-better-legendado.html

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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Encarando Pondé | Revista Bula

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Uma argumentação interessante a favor da legalização do aborto:

Leia tudo em:
Encarando Pondé | Revista Bula
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Imagine uma doença grave e agressiva. Um medicamento novo é inventado para ela, com as seguintes características:

— É freqüente que o paciente sinta fortes dores durante todo o tratamento, por causa do tratamento

— O medicamento tem ± 3% de chance de aumentar a sobrevida do paciente em 1 mês

— Em 97% ele pode não adiantar nada (47%) ou aumentar a sobrevida em 1 dia (50%)

— Você daria esse medicamento ao paciente?

Se Pondé responder que não (a única resposta racional, dadas as características acima), ele acaba de se decidir pela permissão à gestante de feto anencéfalo para realizar o aborto, se quiser. Por quê? Obrigando a gestante a manter o anencéfalo até o parto, por meio de proibição legal, todas aquelas que prefeririam não ter de passar por isso, sofrem muito o tempo todo (as “fortes dores”). Quanto aos números, são a evidência científica (científica, Pondé, cuidado!) da história natural para anencefalia. 97% morre no útero, ou nasce morto, ou vive menos de 1 dia. 3% vive mais do que isso, no máximo 1 mês. Sim, há o caso da anencéfala chamada Marcela, mantida viva artificialmente por 1 ano e 8 meses. Exceção. Evidências científicas consideram a regra. Ou alguém está disposto a indicar uma cirurgia com taxa de “sucesso” = 1????

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domingo, 17 de outubro de 2010

"Sou ateia e sinto-me discriminada. Pronto, falei." - por Suzana Herculano-Houzel

A neurocientista de plantão.

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Pouco importa o que Dilma e Serra de fato pensam sobre aborto. Em campanha, eles dirão o que o povo brasileiro deseja ouvir - e não os culpo nem um pouco por isso. Se o que o povo deseja ouvir é que o(a) futuro(a) chefe de nosso Estado teoricamente laico é temente a Deus e aos valores das religiões católica e evangélica, assim será. Por quê? Porque, no nosso país, ser ateu é feio. Ateus não são confiáveis. Ateus não podem ser chefes de Estado nem devem confessar em cadeia nacional sua não-crença, como minha mãe bem me advertiu lá no começo da minha carreira de declarações públicas ("Olha o Fernando Henrique, até ele passou a falar em Deus!").

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E no entanto, não temos liberdade para dizer que não cremos em Deus, ou que acreditamos em debates (sobre o aborto ou o casamento, por exemplo) que NÃO envolvam a religião. É devido à imposição de Deus, crença aparentemente compulsória nesse país, que tem-se o nojo que anda o jornal O Globo e, nojo dos nojos, que deixou minha ínsula absolutamente revoltada, a revista Veja da semana passada (digo isso somente agora, tarde demais para que meu repúdio gere curiosidade e os ajude a vender exemplares).

Pois cansei de ser discriminada. Quero ter direito à liberdade de exercer minha não-religiosidade e a não ser considerada pior do que os religiosos por não crer em Deus. Defendo os direitos dos religiosos de curtirem suas crenças em paz, e acho o máximo conhecer a cultura, os valores e as particularidades de judeus, muçulmanos e tantos outros - mas está na hora de os não-religiosos também terem a sua não-crença respeitada.

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E a partir de agora, podem ter certeza que vou responder com todas as letras que sou ateia toda vem que me perguntarem, em cadeia pública ou em particular. Assim vou fazer minha parte pela liberdade de expressão religiosa *e* não-religiosa. Como Fernando Pessoa bem escreveu, não ter Deus é um Deus também.

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Leia a postagem completa aqui, e deixe o seu comentário: Sou ateia e sinto-me discriminada. Pronto, falei.

Recomendo.

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O futuro de uma ilusão - por David Coimbra

Na Zero Hora de hoje, 15 de outubro de 2010

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O futuro de uma ilusão

Lá pelo fim dos anos 20 do século 20, Freud concebeu um livro genial, dentre tantos de seus livros geniais: O Futuro de uma Ilusão, um estudo sobre como a religião é subproduto da Civilização.

Freud discorre acerca do desamparo do ser humano diante das forças da Natureza. Como o homem, tornado adulto, descobre que será sempre uma criança à mercê dos poderes estranhos que o cercam e o ameaçam: um milheiro de doenças, intempéries de verão e inverno, acidentes surpreendentes. Desesperado em busca de proteção, sabedor de que essa proteção não virá da sociedade que o cerca, o homem se volta para aquela figura plena de força que, durante a sua infância, ele ao mesmo tempo temia e ansiava para que o salvasse de todo o mal: o pai. Indefeso em meio aos perigos do mundo, o homem precisa crer na existência de alguma entidade que o defenda e o oriente, e volta e meia o puna, como fazia seu pai. Espelhado no que o pai lhe representava quando criança, o homem cria o seu deus: onipotente, amoroso, porém duro.

O texto de Freud demonstra que, quando a Civilização é ineficaz para proteger o homem com suas ferramentas tradicionais, a ciência, a tecnologia, as leis, o homem apela para a religião.

A premissa contrária é verdadeira. Quando os instrumentos da Civilização funcionam, a religião perde prestígio. Em países onde a Civilização atingiu os níveis mais avançados, como a Alemanha e a Inglaterra, grande parte da população flutua com serenidade no ateísmo, no agnosticismo ou na singela indiferença ao transcendental. Ingleses e alemães estão cada vez mais distantes dos deuses. Porque não precisam deles.

Agora mesmo, chamou-me a atenção que foi ela, a Civilização, a festejada no resgate dos mineiros soterrados no deserto de Atacama. Assim que um resgatado brotava da terra e saía da cápsula, ele e os outros que o esperavam na superfície, o que eles faziam? Eles não se ajoelhavam e rezavam, com talvez uma única exceção. Eles não erguiam as mãos para o Céu protetor. Não. A maioria deles gritava:

– Chi-chi-chi! Lê-lê-lê!

Chile. Gritavam o nome do país. Quer dizer: celebravam o Estado que teve interesse em salvá-los e, tendo interesse, investiu nisso, financiou o que há de mais sofisticado em ciência e tecnologia, e criou condições para o resgate bem-sucedido. Ciência e tecnologia. Recursos da Civilização.

Os chilenos, ao entoar o nome de seu país, estavam louvando a Civilização.

Ao mesmo tempo, aqui, no Brasil, transcorre o segundo turno das eleições presidenciais, e a democracia também é um instrumento requintado da Civilização. Mas qual é o maior debate deste segundo turno? O que se cobra dos candidatos a presidente do Brasil e do que eles falam dia após dia?

Do aborto.

De religião.

Essa é a civilização brasileira. Esse é o futuro de uma ilusão.

DAVID COIMBRA

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

CARTA ABERTA A FREI BETTO por Gerardo Xavier Santiago

Achei uma resposta extemamente apropriada à declarações "datenescas" de Frei Betto, e vou reproduzí-la aqui.

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CARTA ABERTA A FREI BETTO

Senhor Carlos Alberto Libânio Christo, escrevo esta carta para manifestar a minha profunda indignação com o seguinte trecho de seu artigo publicado na Folha de São Paulo em 10 de outubro deste ano de 2010, intitulado “Dilma e a fé cristã”: “nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar com violência os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.”

Como sempre, o seu domínio da língua de Camões é perfeito, o senhor realmente escreve com uma clareza solar. No afã de defender a sua candidata a presidente da República, cuja campanha enfrenta óbvias dificuldades, o senhor compara a prática hedionda e inumana da tortura ao ateísmo militante. Eu sou ateu militante, membro colaborador da ATEA, uma associação brasileira de ateus e agnósticos. O senhor me comparou a um torturador!

Senhor Carlos Alberto, eu nunca pertenci a nenhuma organização totalitária, como a Juventude Hitlerista, por exemplo. E não o faria nem que me pendurassem no pau-de-arara, me dessem choques, me afogassem e me matassem. Com dezessete anos de idade dava o lombo aos cassetetes e respirava gás lacrimogêneo nas ruas para que o senhor fosse anistiado e para restaurar as liberdades democráticas no Brasil. Ajudei a construir o PT e a levar o seu amigo Lula ao Planalto. Felizmente há três anos estou rompido com esse partido e esse governo, que prostituíram os meus sonhos de juventude na lama dos mensalões e na aliança com gente como o ex-presidente Collor e outros similares.

Ao agredir dessa forma infame e injusta aos que não partilham de sua crença em um deus, o senhor mostra a sua intolerância e os seus pendores totalitários. Uma vez li algo que o senhor disse ou escreveu (talvez em seu livro “Calendário do poder”), no sentido de que não é por ser um frade dominicano que o senhor teria que carregar nos ombros a culpa pelas atrocidades da Inquisição. Pelo seu artigo percebo que é verdade. O senhor traz consigo o espírito da Inquisição sem nenhuma culpa por isso.

Gerardo Xavier Santiago, advogado, militante do PT entre 1980 e 2007, ateu, atualmente sem partido

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A origem dessa indigação toda está aqui:

Frei Betto difama ateísmo e desrespeita ateus ao chamar tortura de “ateísmo militante” em artigo

Um artigo recente de Frei Betto, intitulado "Dilma e fé cristã", difamou o ateísmo e, por tabela, desrespeitou milhares ou milhões de ateus. Referiu-se aos militares torturadores, que haviam prendido Dilma Rousseff na época da ditadura, quando ela era guerrilheira, como pessoas que "praticavam o ateísmo militante".

No blog Arauto da Consciência: http://consciencia.blog.br/2010/10/frei-betto-difama-ateismo-desrespeita-ateus-ao-chamar-tortura-de-ateismo-militante-em-artigo.html

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Aborto - porque sou favorável à sua legalização

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Antes de qualquer outra coisa, não, nunca fiz um aborto, e não, nunca teria sido capaz de fazer um, pelo menos não nas circunstâncias em que me encontrava. Tenho três filhos, e engravidei sem planejar de cada um deles, por falha do método (camisinha rompida, DIU que não funcionou como devia) ou por não saber usar devidamente o método (o tal do "cálculo", achei que a ovulação já tinha passado, mas não tinha).

O importante mesmo é que em cada ocasião, eu tive escolha. Todo mundo sabia que era possível abortar, era só ter dinheiro, que alguém indicava um médico de confiança, e olha que era a década de 70. Existia até mesmo um medicamento que funcionava como "pílula do dia seguinte", e todo mundo sabia como usar. Quando engravidei pela primeira vez ainda não era casada, tinha apenas 18 anos, e todas as justificativas para considerar o aborto uma opção.

Mas eu tive a sorte de me encontrar em uma situação em que ter o filho era uma opção viável, o pai deles sempre esteve do meu lado e tinhamos condições de sustentá-los. Casamos e estamos juntos até hoje, 36 anos depois (mas mesmo que isso não tivesse acontecido, eu estava decidida a ter meu filho nem que fosse sozinha). Além disso, e o mais importante, eu queria os filhos. Ser mãe para mim foi uma grande realização, adorava as minhas barrigas e os meus bebês, e não me arrependi um milímetro sequer de tê-los tido.

Se eu fosse partir da minha própria experiência e usar isso como parâmetro, o lógico seria que eu fosse contra a legalização do aborto. Era importante dizer tudo isso para deixar claro que eu não estou "advogando em causa própria", nem tenho interesse pessoal no assunto.

Então, nunca fiz, e também nunca aconselhei, nem incentivei ninguém a fazer um aborto, MAS, sou totalmente favorável à legalização total do aborto até 12 a 13 semanas de gestação (aproximadamente 3 meses). Os meus motivos para considerar que isso é válido é que até então o feto ainda não possui sistema nervoso central formado, não sente dor, nem tem consciência de nada. Ainda não é uma pessoa, com uma história de vida e desejos, ao contrário da mulher, cuja vida será radicalmente transformada ao levar a gravidez adiante e ter um filho, por quem será responsável pelo menos por uns 20 anos, provavelmente mais. Essa não é uma decisão a ser tomada levianamente; um filho é uma enorme responsabilidade e é absurdo impor isso a uma mulher como se fosse um castigo (argumento extremamente comum por parte dos homens que vejo opinar sobre o assunto; muito fácil, já que não é “no deles” que arde).

Eu não posso julgar ninguém pela minha própria experiência, nem tenho o direito de impor o meu pensamento a mais ninguém. Tem mulheres que não querem ou não podem assumir um filho àquela altura de suas vidas. Tem mulheres que não desejam ser mães nunca. Por outro lado, elas tem todo direito de ter uma vida sexual ativa, dizer o contrário seria moralismo. E aí, se o método anticoncepcional falha, é justo obrigar uma mulher a parir contra a sua vontade? Mesmo não tendo sido irresponsável, mesmo tendo tomado todas as precauções? Falhas acontecem muito mais do que se pensa.

E eu ainda não cheguei no assunto das mulheres sem a mínima condição, mulheres sem estudo, sem perspectiva, sem nenhum conhecimento muitas vezes de como se cuidar devidamente, mulheres que no desespero enfiam agulhas de tricô na vagina, tomam chás tóxicos, e outras coisas mais que não são segredo para ninguém.

Nenhuma mulher optaria pelo aborto se tivesse outra opção, o aborto não é uma coisa fácil nem boa de fazer, é quase sempre uma decisão muito difícil. Se engana quem pensa que o aborto se tornaria uma alternativa aos anticoncepcionais se fosse legalizado. Se essas mulheres tivessem acesso a um atendimento legal e decente, elas seriam encaminhadas a alguém que pudesse ajudá-las a evitar futuras gestações, diminuindo assim com o tempo, o número de abortos.

Gostaria de dizer que qualquer mulher que, por razões de foro íntimo dela, quiser levar adiante uma gravidez em quaisquer circunstâncias, mesmo sendo resultado de um estupro ou que ela corra sérios riscos de saúde ou até de morrer, tem todo o direito de assim fazer. A legalização do aborto não o torna obrigatório, mas permite àquelas que não comungam dessa mesma crença, a tomar as suas próprias decisões, com base em suas próprias convicções.

Outra coisa que gostaria de propor é uma reflexão quanto à reais consequências do aborto. Imagine que você fique sabendo depois de um ano, por exemplo, que uma mulher que você conhece fez um aborto. Na época foi como se nada tivesse acontecido, se não lhe contassem, nunca saberia. Não houve nenhum reflexo no mundo externo, foi como se ela nunca tivesse engravidado. Por essas e outras coisas é que eu não entendo porque o aborto dos outros é tão importante para certas pessoas.

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Sei muito bem que há muitos outros aspectos envolvidos, mas isso é uma postagem de blog e não uma tese, então me restringi àquilo que me pareceu mais pertinente. O meu objetivo é apenas colocar aqui a minha opinião.

Eu sei o também quanto esse assunto suscita reações quase violentas, principalmente entre aqueles que acreditam na existência da "alma".

Por isso a postagem de hoje, excepcionalmente, não está aberta a comentários. Nem contra, nem a favor.

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Saúde da Mulher http://delas.ig.com.br/saudedamulher/aborto-supera-cancer-de-mama-em-internacoes-pelo-sus/n1237794630553.html


A favor de que vida: http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/a-favor-de-que-vida/

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Vaticano, de novo...

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Vaticano critica Nobel para pioneiro dos bebês de proveta.
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4716847-EI8147,00-Vaticano+critica+Nobel+para+pioneiro+dos+bebes+de+proveta.html

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Bom, todo mundo com certeza já leu essa notícia, então só vou dar a minha opinião resumida aqui:

Um bando de homens que teoricamente abriu mão de seus direitos reprodutivos, prometendo (e cumprindo???) abstenção de sexo por toda a sua vida, se acha no direito de dar pitaco na vida sexual e na reprodução dos outros!!!!

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É isso aí, curto e grosso.   : )) 

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sábado, 2 de outubro de 2010

Enfrentando a morte com realismo e dignidade

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Hoje eu chorei. Fiquei tão comovida com essa notícia que não consegui me segurar. 
Essa mulher é um exemplo de como enfrentar a morte, com realismo e dignidade, pensando em como ajudar as pessoas que ama a enfrentar melhor a vida na ausência dela. 

Lembra um filme que eu vi, e que está na barra lateral entre os filmes que recomendo, "Minha Vida Sem Mim" -  http://zerohora.clicrbs.com.br/pdf/9429780.pdf
Abaixo reproduzo a notícia na íntegra, porque agora o conteúdo da Zero Hora só é acessível aos assinantes.
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Zero Hora, 02 de outubro de 2010

AMOR ALÉM DA VIDA

Antes de morrer, mãe deixa manual para cuidar dos filhos

Lista a ser seguida pelo marido inclui lugares a visitar e valores a respeitar

A britânica Kate Greene morreu em janeiro passado, aos 37 anos, depois de perder uma batalha de dois anos contra o câncer de mama. Kate, porém, não quis que a morte a impedisse de participar do crescimento dos filhos Reef, seis anos, e Finn, quatro. Ela deixou uma lista com cerca de cem coisas para o marido, St. Johns Greene, fazer com os dois, para garantir que eles tenham a experiência que ela sempre sonhou para a família e que serão criados como ela planejava.

Não foi a primeira vez a um drama desse tipo afetar a vida dos Greene. O filho mais velho do casal, Reef, já havia sobrevivido a um tumor maligno em 2005. O casal descobriu a doença de Kate em 2008. Após 18 meses de quimioterapia, ficou claro que o câncer havia se espalhado, e o tratamento foi interrompido. Pouco tempo depois, Kate passou a precisar de tanques de oxigênio em casa.

– Uma noite ela ficou muito assustada, achando que não sobreviveria até o dia seguinte. Ficamos acordados, conversando até as 4h sobre o que gostaríamos que os meninos fizessem. Kate passou a carregar papel e caneta para anotar novas ideias. Quando vi, havia três folhas A4 cheias – conta St. Johns.

Entre as recomendações para Finn e Reef, estavam coisas específicas, como visitar a praia onde ela passava férias quando criança, no País de Gales, ou assistir a um jogo internacional de rúgbi. Kate ainda pediu ao marido que levasse os filhos à Suíça, para mostrar o local onde ele a pediu em casamento.

Kate quer que marido encontre outra mulher

A mãe ainda decretou que a família deveria ter uma mesa de jantar, para que todos estejam juntos durante as refeições em sua casa em Sommerset, sudoeste da Inglaterra, e que o marido deveria ajudar as crianças a plantar um girassol, encontrar um trevo de quatro folhas e aprender a tocar um instrumento musical. Ela ainda descreveu os valores que ela queria ensinar aos meninos, como ser pontuais, fazer as pazes logo quando brigassem com alguém e tratar as namoradas com respeito.

A lista também inclui coisas que a mãe não queria que os filhos fizessem, como andar de motocicleta, fumar ou integrar as forças armadas. O pai conta que planeja realizar todos os desejos da lista, já que, de alguma forma, as orientações significam ainda uma ligação emocional com Kate:

– Já fiz algumas, e cada vez que fazemos alguma coisa, pensamos nela.

O desejo mais difícil de ser cumprido no entanto, diz ele, será encontrar uma outra companheira, para que os filhos cresçam com uma influência feminina – outro pedido de Kate:

– Já encontrei minha alma gêmea, e voltar ao mercado é uma coisa muito difícil. 

Londres

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O link para a notícia aqui.

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Agora, alguém reparou em um detalhe? Um detalhe que na verdade é uma ausência?

Não há nenhuma referência a religião, em nenhum momento. 


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sábado, 25 de setembro de 2010

Existo, Logo Penso

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Estou participando de um canal no YouTube, Existo, Logo Penso.
http://www.youtube.com/user/ExistoLP

O objetivo, nas palavras do criador do canal, Leonardo:

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O maior problema social da atualidade é o "Analfabetismo de Reflexão", ou seja, as pessoas não pensam, apenas seguem o grande fluxo. Com este canal no Youtube, eu gostaria de mostrar dezenas de opiniões sobre vários temas, com a finalidade de fazer as pessoas refletirem sobre o tema abordado, e tirarem suas próprias conclusões.

Qualquer um poderá fazer um vídeo sobre o tema proposto, qualquer um pode participar e expressar suas próprias ideias sobre o tema, se necessário apontar erros e propor soluções.

Ou seja, o canal servirá pra reuinir opiniões diferentes sobre um mesmo tema, para fazer as pessoas refletirem e tirarem suas próprias conclusões.


Qualquer um pode participar, e sugerir temas, se vocês tiverem vídeos falando sobre temas como: Política, Homens x Mulheres, Religião x Ciências, Humor, Música Brasileira Atual, Aborto, Problemas Sociais, podem mandar uma mensagem para o seguinte canal: http://www.youtube.com/user/ExistoLP

O primeiro tema abordado é Política, mais precisamente Eleições 2010, se você tiver um vídeo sobre isso, mande-o, se não tiver, grave-o, você poderá participar quando quiser e se quiser.
E eu convido todos a gravarem sobre os temas a seguir:

Diferenças das Gerações
Homens x Mulheres
Aborto
Ciência x Religião
Sistema de Educação Brasileiro
Meio Ambiente
Homofobia
Música Brasileira Atual
Humor
Analfabetismo de Reflexão
Problemas Sociais
Economia

MSN:heartchapped_2@hotmail.com

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Então, fica aqui o convite.

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Empatia e compaixão - como o fundamentalismo religioso sufoca esses sentimentos

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Abaixo tem a tradução de uma postagem da "The Redheaded Skeptic" (A Cética Ruiva). Ela mantém um blog onde ela conta a trajetória dela, e que venho acompanhando há algum tempo. Para quem entende inglês, recomendo a leitura.
Ela se sente rejeitada pela família e pela comunidade da qual participava, e sente que a religião tem um papel central nisso. Em vez de dar apoio a ela pela pessoa, filha e amiga que é, a julgaram por se separar do marido e viraram as costas a ela. Nessa época ela ainda não era atéia, diga-se de passagem. Ela só não conseguia continuar a viver com um homem abusivo. Pela forma como foi tratada, ela percebeu que havia algo de fundamentalmente errado com a religião, e começou a questionar cada vez mais.

O propósito de eu traduzir essa postagem dela é pelo desabafo que ela faz em decorrência de uma tentativa de suicídio do irmão dela.

Achei que combina muito com algo que eu disse um tempo atrás, que foi mais ou menos o seguinte: "Nenhuma causa pode ser considerada válida se envolve o sacrifício de outras pessoas, seja em que nível for." Isso vai desde negligenciar as necessidades concretas de alguém ou o rompimento de relacionamentos, até o fato de matar pessoas em nome dessa 'causa'.

Vou além; percebo que quando a religiosidade se torna dogmática, mais atenta às regras do que ao bem estar das pessoas que nos cercam, esse tipo de religiosidade torna as pessoas insensíveis, sufoca a  capacidade da empatia e da compaixão em pessoas que talvez até fossem capazes de ser empáticas e compassivas sem essa interferência.

Mas, vamos ao desabafo dela:

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"Obrigadaobrigada por todos os tweets, e-mails, e comentários. Eu realmente aprecio o apoio de todo mundo. Serve para mostrar que é possível consegue encontrar pessoas boas e que se importam no mundo virtual tanto quanto na "vida real".

Contei ao Steve a caminho de casa do hospital, 'Hoje, eu acho, é o primeiro dia que eu me torno uma antiteísta.' Não se isso vai valer daqui a um mês, mas estou tão zangada por causa da bagunça que a religião causou na minha família inteira, é MUITO difícil dizer que é inofensiva, e viver e deixar viver, porque apesar de eu ter sido atéa por uns dois anos agora, ela ainda me afeta todos os dias. A religião fundamentalista não vive e deixa os outros viver, então é praticamente impossível desistir dela sem que haja consequências dolorosas.

Mas eu não sei como reconciliar estes sentimentos com a lógica, que é o fato de eu acreditar na liberdade religiosa. Momentos como esse realmente testam a nossa decisão quanto ao que acreditamos. Suponho que eu quero que a religião desapareça, mas não de maneira forçada. Fico pensando, o que é que vai ter que acontecer para que para que os fundamentalistas se deem conta que o sistema deles não funciona?A morte de seus filhos não basta? Depressão não basta? Casamentos infelizes não bastam? A perda de relacionamentos com sua família extendida não basta? O uso de métodos demonstravelmente falsos logicamente não basta? As mentiras facilmente expostas que as organizações fundamentalistas contam não bastam? A perda dos relacionamentos com seus filhos adultos não basta? Porque se agarrar a algo que nos faz sentir tão mal e é tão obviamente ruim para a família que eles prometem ajudar a fortalecer? Honestamente, essa é uma das coisas a respeito do fundamentalismo que eu não entendo, porque eu saí quando me dei conta de que não funcionava, e me tornei uma atéia quando me dei conta dos erros na minha lógica. Então fico pensando, para aqueles que ainda estão lá e que estão passando pelo que eu passei, o que será o limite? Quando vão enxergar as mentiras? Quando vão enxergar que aquilo os torna infelizes e que destroça as suas vidas por nada? Quando vão examinar o caos de suas vidas destruídas e dizer "Basta!" Mesmo que exista um céu e inferno e Deus, será que ele realmente se importa se você acredita que ele deu origem à vida através da evolução ou que ele a fez em 6 dias? Onde na Bíblia diz que você vai para o inferno se você acredita em uma ou duas coisas erradas? Se você interpreta a Bíblia liberalmente em vez de conservadoramente? Simplesmente não entendo qual a vantagem. Porque destruir a sua família por algo que provavelmente não terá nenhuma importância no grande esquema das coisas? Se existe um Deus, e ele manda as pessoas para o inferno, você não preferiria ficar em algum lugar menos importante no céu com a sua família junto a você do que dar tudo para ser o Número 1 na mesa do banquete, mas destruindo o seu testemunho àqueles que mais importam para você no processo? Não faz sentido, sob nenhum ponto de vista.

Sei que tem muita gente religiosa boa por aí, então não pensem que estou malhando eles, apesar de eu achar que essas pessoas seriam igualmente boas sem religião. Eu não ligo para a religião não-extremista, e eu ainda acho que se a religião o faz feliz, e você não a estiver forçando para cima de mais ninguém (inclusive crianças) ou magoando as pessoas por causa dela, então tudo bem. Mas aí eu penso sobre tudo que perdi, que a minha família perdeu por causa da religião. E isso me deixa tão furiosa que eu não ligo se 1 ou 2 pessoas estão felizes se o resto do mundo está mal. Acho que a religião podia ir para o inferno. É uma contradição, mas William James (ou algum outro psicólogo famos) escreveu uma vez que todos as tem, e melhor ainda se você consegue reconhecê-las: você não precisa resolvê-las. Suponho que para resolvê-las é preciso que se saiba de tudo, e a maioria de nós não sabe. Mas agora estou divagando totalmente.

Acho que , no momento, estou simplesmente analisando tudo e tentando descobrir onde isso vai acabar. Provavelmente vou me arrepender de tudo que eu disse amanhã. Eu sei que não é 100% lógico, mas sinceramente não estou ligando para isso agora.
Minhas desculpas aos meus leitores cristãos, a maioria dos quais são gentis e maravilhosos. Não estou tentando ser ofensiva; é só que me sinto assim hoje. Eu sei que estou pensando principalmente com as minhas emoções e não com a minha cabeça, e posso passar a ver as coisas de forma bem diferente quando as coisas se acalmarem."



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Link para postagem original aqui.
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MARTHA MEDEIROS - Coisas que não servem pra nada


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Eu gosto muito das coisas que a Martha Medeiros escreve, e a coluna dela de hoje tem algumas reflexões bem pertinenentes a respeito do "sentido da vida". E, como diz um homem muito sábio que conheço (o meu marido) -

                                    "A vida é feita de sensações". 

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Na Zero Hora de hoje:



  • Coisas que não servem pra nada

    De outubro a dezembro, Porto Alegre receberá a maior exposição de arte urbana do mundo, a Cow Parade. Dezenas de vacas de fibra de vidro, em tamanho natural, ficarão espalhadas pela cidade, todas decoradas por artistas plásticos, diretores de arte, designers e cartunistas. Um nonsense mais que bem-vindo, uma intervenção no nosso olhar acostumado. Ao passar por ruas, parques e viadutos, seremos surpreendidos por elas, vacas enormes, coloridas, profanas, insólitas. Para quê? Para nada de especial, apenas para espantar o tédio, inspirar loucuras, lembrar que as coisas não precisam ser sempre iguais.

    Um descrente não se convenceria: “Se não serve para nada, então qual o sentido?”.

    Convocarei a poesia para tentar explicar.

    Ela, a poesia, serve para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do nosso andar, para interromper um hábito, para provocar um estranhamento, para nos fazer pensar, para nos resgatar do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento.

    Ainda ouço o sujeito resmungando: “Ou seja, também não serve pra nada”.

    Hoje em dia, quando se quer elogiar alguma coisa, costuma-se dizer: “Fulano é tudo”, “O filme é tudo”. Quanta consistência, quanta importância. Tudo!

    Diante da soberania do tudo, defendo o nada e sua valiosa despretensão. Flores não servem para nada, mas não abro mão de tê-las por perto, me fazendo companhia dentro de casa. Velas não servem para nada (quando se tem energia elétrica), mas eu as acendo mesmo assim, para que atraiam bons espíritos. Para que serve viajar, havendo cartões-postais? Os cartões ao menos podem ser grudados na parede, mas lembranças, se faz o que com elas? Para que serve comer um prato caro e elaborado se, horas mais tarde, ele terá o mesmo fim que um reles feijão com arroz? Para que serve a arte? Para que serve a paixão? Para que serve mergulhar, escalar uma montanha, saltar de paraquedas?

    Contaminados pela síndrome da utilidade, estamos perdendo o hábito de reverenciar a nobreza daquilo que serve apenas para ser contemplado, daquilo que desperta um prazer sensitivo e nada mais.

    O tudo (tecnologia, religião, política, família) nos incute metas, ritos, obrigações, distraindo-nos assim da ideia da morte. Mas é o nada que, em sua extrema pureza, dá o verdadeiro sentido à vida.
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    Não posso mais colocar o link da coluna, porque agora tem que pagar para ter acesso. Por isso transcrevi o texto e coloquei o scan, para deixar bem clara a autoria.



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domingo, 19 de setembro de 2010

Richard Dawkins' Speech at Protest the Pope March



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Tradução por Eli Vieira e por mim:

[Burburinho]

No começo eu fiquei tão revoltado quanto todo mundo
por causa das primeiras palavras que o Papa disse assim que pousou em Edimburgo,
culpando os ateus pelas atrocidades de Hitler e outras do século XX.

Mas então fiquei contente com isso,
porque pra mim, de uma certa forma o que isso mostra
é que eles estão tão incomodados com a gente!

que ele foi forçado ao expediente ignominioso
de nos atacar para desviar a atenção
dos verdadeiros crimes que foram cometidos em nome da Igreja Católica.
Posso só imaginar...
Eu posso só imaginar as discussões nos corredores do poder do Vaticano:

"Como vamos distraí-los da sodomia com garotos?"

E a resposta: "por que não atacamos os secularistas, os ateus,
por que não os culpamos pelo hitlerismo?"

Hitler, Aldolf Hitler, foi um católico romano.

Foi batizado, nunca renunciou ao batismo.

A marca de 5 milhões de britânicos católicos é retirada
presumivelmente dos registros de batismo.
Não acredito numa palavra disso,
não acredito que há 5 ou 6 milhões de britânicos católicos,
pode haver 5 ou 6 milhões de batizados,
mas se a Igreja quer alegar que esses são católicos,
então terá que reivindicar Hitler como um católico!

(Palmas)

No mínimo Hitler acreditava numa providência personificada,
falou disso várias vezes,
e era presumivelmente a mesma providência que
foi invocada pelo cardeal arcebispo de Munique em 1939,
quando Hitler escapou da morte
e o cardeal proferiu um "Te Deum" especial na catedral de Munique:

"para agradecer à providência divina, em nome da arquidiocese, pela feliz escapada do Führer."

Vou ler um discurso feito em Munique, coração da Bavária católica,
em 1922, e eu deixo para vocês adivinharem de quem é:

"Meu sentimento como cristão aponta-me para meu Senhor e Salvador como um lutador,
aponta-me para o homem que, uma vez na solidão, cercado por poucos seguidores,
reconheceu esses judeus por quem eles eram, e chamou os homens para lutar contra eles,

[...]

... e que - verdade de deus - foi maior não como sofredor mas como um lutador. No meu amor sem limites com Crisão e como homem eu leio a passagem que nos conta como o Senhor finalmente se levantou em seu poder e tomou do chicote para expulsar do Templo a raça de víboras e vendilhões. Como foi maravilhosa a sua luta contra o veneno Judeu. Hoje, depois de dois mil anos, com a mais profunda emoção eu reconheço mais do que nunca antes o fato de que foi por isso que ele teve que derramar o seu sangue na Cruz."

Esse é apenas um dos muito discrusos, e passagens no Mein Kampf, onde Hitler invocou o seu Cristianismo. Não é de estranhar ele ter recebido um apoio tão caloroso de dentro da hierarquia Católica da Alemanha. E o antecessor de Bento, Pio XII, não é inocente, como mostrou de forma devastadora o escritor católico John Cornwell, em seu livro O Papa de Hitler.

Seria pouco gentil me deter demais nesse ponto, mas o discurso de Ratzinger em Edinburgo na quinta-feira foi tão desgracioso, tão hipócrita, tão ressoante do som de pedras jogadas de dentro de uma casa de vidro, que senti que precisava responder.

Mesmo que Hitler tivesse sido um ateu - e Stalin mais provavelmente era - como o Ratzinger ousa sugerir que o ateismo tem qualquer conexão com os seus atos terríveis? Não mais que a descrença de Hitler e Stalin em duendes ou unicórnios. Não mais do que o fato de ostentarem um bigode - assim como Franco e Saddam Hussein. Não há nenhum camingo lógico do ateísmo para a maldade. Isto é, a menos que você esteja imerso na repulsiva obscenidade que é o cerne da teologia Católica. Eu me refiro (e devo esse ponto a Paula Kirby) à doutrina do Pecado Original. Essas pessoas acreditam - e ensinam isso a criancinhas, ao mesmo tempo que lhes ensinam a terrível falsidade do inferno - que todo bebê "nasce em pecado". Esse seria o pecado de Adão, por falar nisso: o mesmo Adão que, eles mesmos agora admitem, nunca existiu. Pecado original significa que, a partir do momento em que nascemos, somos maus, corruptos, condenados. A menos que acreditemos no deus deles. Ou a menos que caiamos no conto da "cenoura" do céu e o castigo do inferno. Isso, senhoras e senhores, é a nojenta teoria que os leva a presunir que foi a irreligiosidade que tornou Hitler e Stalin nos monstros que foram. Somos todos monstros a menos que sejamos deimidos por Jesus. Que teoria vil, depravada e desumana em que se basear a vida.

Joseph Ratzinger é um inimigo da humanidade.

Ele é inimigo das crianças, cujos corpos ele permitiu que fossem estuprados e cujas mentes ele encorajou que fossem infectadas pela culpa. Fica embaraçosamente evidente que a igreja se preocupa menos em salvar os corpos das crianças de estupradores do que em salvar as almas dos padres do inferno: e mais preocupado em salvar a reputação permanente da própria igreja.

Ele é inimigo dos homossexuais, conferindo a eles o tipo de intolerância que a sua igreja costumava reservar aos Judeus.

Ele é inimigo de mulheres - barrando-as do sacerdócio como se um pênis fosse um atributo essencial para exercer os deveres pastorais. Que outro empregador teria permissão para discriminar com base no sexo, quando está contratando para uma função que claramente não exige força física ou alguma outra característica que só se imagina que homens tenham?

Ele é inimigo da verdade, promovendo mentiras deslavadas sobre preservativos não protegerem contra AIDS, especialmente na Àfrica.

Ele é inimigo das pessoas mais pobres deste planeta, condenando-os a famílias numerosas que não conseguem alimentar, e assim mantendo-os na escravidão da eterna pobreza. Uma pobreza que combina muito mal com a obscena riqueza do Vaticano.

Ele é inimigo da ciência, obstruindo a pesquisa vital com células-tronco [embrionárias], com base não na moralidade mas na superstição pré-científica.

Menos sério do meu ponto de vista, Ratzinger é até mesmo inimigo da igreja da própria Rainha, arrogantemente endossando o menosprezo de um antecessor das Ordens Anglicanas como "absolutamente nulas e totalmente inválidas", enquanto tenta sem nehuma vergonha na cara induzir vigários Anglicanos a escorar seu próprio sacerdócio em patético declínio.

Finalmente, talvez a minha maior preocupação pessoal, ele é um inimigo da educação.
Sem considerar o dano psicológico permanente causado pela culpa e medo que tornou a educação católcia algo abjeto no mundo inteiro, ele e sua igreja fomentam a doutrina educativamente perniciosa de que a evidência é uma base menos confiável para a crença do que fé, tradição, revelação e autoridade - a autoridade dele.

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O discurso completo, em inglês, no site de Richard Dawkins: http://richarddawkins.net/articles/521113-ratzinger-is-an-enemy-of-humanity

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Hoje (20 de setembro 2010) vi que, por uma hilária coincidência, ontem tive exatamente 666 visitas nesse blog.

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