quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Argumento do Medo

[Também conhecido como "Aposta de Pascal"]
Hoje eu tive uma experiência nada inédita. A pedido de um rapaz ateu, eu entrei em uma discussão por MSN com outra pessoa que é do tipo religiosa fundamentalista. Eu já não entro mais nesse tipo de discussão faz tempo, porque sei que não vai dar em nada, mas como foi um pedido, eu atendi. Como eu já tenho alguma experiência para detectar o que a pessoa realmente pensa, fui logo perguntando: "Você acha que eu mereço ir para o inferno simplesmente por não acreditar no deus cristão?" Ela respondeu que sim. Perguntei, " E se dependesse de você, se a decisão fosse sua, você me mandaria para o inferno?" Novamente ela respondeu que sim. (Devo dizer que foi nessa parte que ela me surpreendeu, normalmente as pessoas amenizam, saem pela tangente, dizendo que essa decisão não é delas, etc, etc.)

Quero deixar claro que eu nada tenho contra a crença de ninguém. E também sei muito bem que existem muitas maneiras de acreditar, conheço muitas pessoas que acreditam em "alguma coisa", mas são pessoas que não condenam ninguém por não pensar como eles, e levam suas vidas sem se ater a regras absurdas por medo de não merecer a "salvação". Por pessoas assim eu tenho o maior respeito e nunca me passou pela cabeça tentar convencer uma pessoa assim a mudar de idéia. Apenas explico o que penso se a pessoa perguntar, e normalmente essas pessoas não se sentem ameaçadas com isso. Assim, o convívio é tranquilo.

Mas o tipo de pessoa capaz de apontar o dedo para mim e dizer que eu sou uma péssima pessoa só por não compartilhar a sua crença me deixa perplexa. O argumento é tão infantil que me surpreende que a pessoa não tenha vergonha de usá-lo. Cheguei à conclusão de que essas pessoas carecem de empatia e compaixão, dão mais importância a um livro do que à pessoa ao seu lado. O tipo de deus em que essa pessoa acredita eu só consigo descrever como 'vaidoso, rancoroso e vingativo'. Tipo um juiz que vai me jogar na cadeia porque eu não puxei o saco dele. Na verdade isso me lembra muito os deuses gregos, eles castigavam duramente quem não lhes prestasse as devidas homenagens. Soa familiar?

Uma pessoa só poderia ser julgada pelos seus atos, e os atos só poderiam ser avaliados pelas suas consequências concretas. Não deveria importar o que a pessoa pensa ou acredita, só o que ela faz. Eu não faço coisas ruins simplesmente porque eu me importo com as pessoas e os seus sentimentos. Empatia é chave de tudo.

9 comentários:

  1. Realmente, Asa.
    A Empatia é a chave de tudo, além da tolerância. Ainda não consigo entender como aquela garota pode dizer uma coisa dessas. Quando conversamos na rua rapidamente e ela me pediu o orkut e o MSN ela mostrou uma imagem tão diferente, porém quando descobriu que sou ateu reagiu daquela forma.
    Só lamento pela situação.

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  2. Walison, não precisa lamentar. Imagino que você deve ter ficado bem mais chocado que eu. A atitude dessas pessoas é devido ao medo, e o medo torna as pessoas extremamente irracionais. A ponto de vr como inimigos pessoas que nunca lhe fizeram nada.
    Abraço

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  3. Existe um ditado que diz: "o que o monge é significa mais do que ele ensina", ou algo do tipo. Se na Bíblia está o famoso "amai-vos uns aos outros como Eu vos amo", cadê o amor desse povo? Pessoas assim são menos que nada pra mim. Viva o respeito!

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  4. Muito bom o texto, e uma triste verdade. O medo é a grande arma de manipulação de massas. Através do medo você mantém um rebanho obediente, que teme a todo instante alguma forma de punição. Daí a necessidade da idéia de pecado, onde a pessoa se torna o "policial de si mesma". Vigiando seus próprios atos numa terrível tortura psicológica. Porém, uma pessoa que vive sob o regime do medo, e policiando-se por meio da idéia de pecado, sente-se no direito de vigiar os demais, e acaba (por conta do medo), praticando uma intolerância incoerente e descabida, por ter sua consciência e razão deturpados.

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  5. Olá, gostei muito do seu blog, não tenho ainda definida a minha concepção acerca de um ser sobrenatural que está por trás de tudo e estas coisas... Em todo caso adoro essas discussões pois elas fisgam o ponto fraco de crenças e dogmas medíocres que só tornam pior a vida humana.
    Gostaria de acrescentar um trecho do Schopenhauer sobre isso que me chamou bastante atenção (postei-o há pouco em meu blog), mas não consegui copiar ele para cá, se tiver curiosidade, é o último post.
    um abraço!

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  6. Olá, Åsa, tudo bem? Já a conheço há algum tempo do orkut, mas como excluí minha conta, consegui revê-la por meio da mensagem que deixou na comunidade da UNA no Facebook. Realmente seu blogue é muito bom e já estou seguindo-o! Por enquanto não li as outras postagens (o que vou fazer daqui a pouco), mas os títulos são bastante sugestivos!

    Sobre essa questão do medo, não é à toa que vários tiranos dos séculos XIX e XX utilizaram a religião católica como forma de controle de seus dominados, como informaram os amigos aí de cima. Como diz Alcir Lenharo em Sacralização da política, o crucifixo entrou nas fábricas durante a Era Vargas para simbolizar a bênção do industrialismo capitalista pelo alto clero. E hoje a ideia do deus carrasco (não vejo como impossível a hipótese de outras pessoas, teístas livres, acreditarem num "deus bonzinho") serve muito bem aos interesses de quem chupa dinheiro do povo com o pretexto da salvação das inúmeras mazelas do capitalismo (doenças, desemprego, dívidas etc.).

    Contando com sua visita a meu blogue, mando-lhe um grande abraço e parabéns!

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  7. Asa( com "bolinha" em cima do primeiro "a", que eu ainda nao aprendei fazer...) Ensina de nv? rsrs
    Muito bom seu blog, penso e ajo exatamente assim, nao me importo com o que pensam o que creem as pessoas, desde que, nao sejam petulantes a ponto de me apontarem o dedo. E como isto ocorre com frequencia! Os cristãos são os primeiros, e dentre eles, os evangélicos se sobressaem mais.
    Amiga, sinceramente, vc consegue imaginar um céu cheio de evangélicos, chato do jeito que eles são? Para mim seria o inferno, é bom que nao me queiram por lá mesmo.
    Abçs, amiga!

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  8. Åsa, boa tarde, veja que já me adicionei para ser sua seguidora...
    Estou adorando ler suas reflexões, suas idéias.
    Eu não terminei minha faculdade de Filosofia, mas estudo sempre que posso e embora eu tenha a crença em algo superior a nós mesmo, por vezes me acho cética em relação ao uma série de coisas... mas há também certos fatos que nos deixam a pensar, mas isso é outra história.
    Agora quero dizer que você é simplesmente maravilhosa, sendo ou não uma atéia, penso que você realmente é muito melhor que um monte de gente de se diz crente. Afinal como dizem as escrituras, para Deus o que realmente importa é a intenção. Então...
    Tenha um bom dia!
    Abração!
    Lúcia Machado

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  9. Fazia uns dias que não acessava o meu blog, e não tinha visto os vários comentários que recebi nesse meio tempo. Foi uma grata surpresa, e gostei muito dos comentários. É bom saber que as nossas tentativas de expor o nosso pensamento são compreendidas e apreciadas.
    Grande abraço a todos

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