sábado, 24 de outubro de 2009

Mais sobre a minha experiência na igreja

Morávamos em uma cidade pequena, 500 km de Porto Alegre. A igreja cumpre uma função social porque nós somos seres gregários, e sentimos necessidade de um grupo para nos apoiar. Então eu tentei muito me “encaixar”, afinal tinhamos filhos e precisávamos desses relacionamentos que um grupo proporciona. Não haviam muitas opções, na verdade.

Mas eu sempre fui diferente, tinha idéias diferentes, e pior, eu falava sobre elas. Resultado: eu era “estranha”, “esquisita”, e nunca me senti plenamente aceita naquela cidade. E é o tipo de lugar onde todo mundo sabe da vida de todo mundo, e se a pessoa for “marcada”, vai ser de maneira geral, por todo mundo. Não ficou muito evidente para mim na época, mas hoje eu sei que os meus filhos foram discriminados por causa disso.

Nossos filhos fizeram o Ensino Confirmatório (equivale a Catecismo católico) por insistência do meu marido, que era adepto de seguir os costumes, apesar de ser intimamente ateu desde pequeno. Sei que não foi uma experiência muito agradável para eles, e lamento por isso. Mas o lado bom é que ninguém pode dizer que os privamos de ter contato com a religião e hoje são todos ateus apesar disso. Na verdade o nosso filho mais novo se rebelou e se recusou a fazer.

Enfim, chegou um momento em que resolvi me afastar da igreja, e até sugeri ao meu marido que tornassemos isso oficial. Ele não concordou, porque tinha medo da reação das pessoas. Embora ele sempre tivesse sido mais ateu que eu, ele havia aprendido desde pequeno a disfarçar para não ser visado. Considerando o grande preconceito que impera, dá para entender. Só quando nós nos mudamos de lá, uns 9 anos atrás, é que finalmente nos desligamos definitivamente.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Acho que o mais dificil de ser ateu é o preconceito. O mais foda é que o mesmo não vem sozinho se não que quem é fiel, realmente acredita no que a biblia diz: que nos não temos perdão.

    Claro esta que não todo mundo é assim, e que tem pessoas que respeitam nosso ponto de vista, mas ainda são muitas quem nos olham com olho torto. Comento por aqui, mas eu senti faz pouco que um contato de trabalho pelo facebook, não tem aintenção de me contatar para tradablho depois que soube que sou ateu. Acho que pensa que "se não é de Deus não é bom"... e esse tipo de pensamento é foda.

    ResponderExcluir
  3. Bonita história,Bem legal de ler.

    ResponderExcluir