quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aprendendo a enfrentar a vida


Nada a ver com ateismo, mas eu creio que tem a ver com a capacidade de enfrentar coisas não muito agradáveis.

Quando eu tinha 9 anos, fui ao dentista pela primeira vez. Eu estava muito nervosa e com medo por causa de todas as histórias que tinha ouvido sobre como era horrível ir ao dentista. Na hora de fazer a anestesia senti muita dor, e empurrei a mão da atendente, não deixei fazer. Comecei a chorar, mas tanto a atendente quanto o dentista foram muito gentis e me disseram que quem sabe eu voltava outro dia então.

Até hoje eu não entendo como é que com essa idade fui capaz de um raciocínio desses, mas eu pensei: "Se eu sair daqui agora, eu não vou conseguir voltar". Juntei toda a minha coragem e deixei que fizessem a anestesia e arrumassem o meu dente. Eu entendi que se eu não fizesse isso naquele momento, eu ia passar a vida inteira fugindo.

Isso tem um precedente. Aos 7 anos eu não permiti que me vacinassem na escola, e eu senti muita vergonha depois por não ter sido capaz de enfrentar aquilo. Ter sido capaz de enfrentar o medo dois anos depois fez com que eu me sentisse muito melhor, e com certeza teve reflexos nas minhas atitudes futuras.

6 comentários:

  1. Eu, uma menina brasileira, burra e pobre,...
    você... era como a visão de uma fada, destas que vem nos visitar em sonhos e se tornam nossas madrinhas, com a promessa de nos fazer felizes para sempre...
    É bem assim que lembro de você!

    Lúcia

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  2. Lúcia.
    Puxa, eu nunca imaginei que alguém pudesse ter me visto dessa forma. Uma estrangeira, perdida, desajeitada, sem saber a língua, tentando se adaptar a um mundo muito diferente do que estava acostumada. E as minhas colegas, sempre tão prestativas, me ensinando português todos os dias.
    Beijo
    Åsa

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  3. Acho que aprender a enfrentar a vida tem alguma coisa a ver com ateísmo, sim. O ateísmo surge do enfrentamento dos nossos medos, os mesmos medos que levam as pessoas a quererem uma "salvação". Quando eu era criança, lembro que tinha medo de entrar no porão escuro da casa da minha avó, mas eu dizia para mim mesmo que "monstros não existem" e enfrentava esse medo entrando no porão escuro. O ateu enfrenta o medo da morte, do desconhecido e se liberta dos "monstros" da infância.

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  4. Tou trabalhando essa madrugada. Achei o blog meio por acaso e tou adorando.

    Parabéns!

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  5. “Não deixe nada para depois…” É bem isso, né? Eu tenho uma história bem parecida, envolve dentista também.
    Aconteceu esses dias. Eu tenho agorafobia (estou melhorando), e eu tive de ir ao dentista. Chegou no dia, comecei a ficar inquieta, ter insônia e ansiedade. Me ocorreu que se eu fugisse, nunca mais enfrentaria isso Fui lá e deu tudo certo! Veja só, não tive de apelar para Deus algum, o único apelo que eu fiz foi a mim mesma e funcionou.

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  6. Isabela
    Pois é, o que vale é enfrentarmos os nossos próprios medos, ISSO é coragem.
    Eu ainda luto com um problema de acrofobia, e estou tentando resolver isso agora.
    Obrigada pelo comentário e um grande abraço.

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