sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Por que o estupro é tão intrínseco à religião

Histórias como o nascimento virgem carecem do consentimento feminino dado livremente. É revelador o quanto ainda estamos dispostos a aceitá-las. 

Traduzido por  Mariana Vieira


Artigo original - Why rape is so intrinsic to religion   

por Valerie Tarico                   



Deuses e semideuses poderosos engravidando mulheres humanas: é um tema comum na história da religião e é mais que uma leve insinuação de estupro.

Zeus chegou a Dânae na forma de chuva de ouro, cortou o "nó da virgindade intacta"e a deixou grávida do herói grego Perseu.

Júpiter tomou Europa à força ao se transformar em um touro branco e raptá-la. Ele a aprisionou na ilha de Creta e a engravidou três vezes ao longo do tempo.

Pan copulou com uma pastora para gerar Hermes.

Os lendários fundadores de Roma, Rômulo e Remo, foram concebidos quando o deus romano Marte engravidou Rea Silvia, uma virgem vestal.

Helena de Tróia, a rara cria feminina de uma união deus-humano, foi gerada quando Zeus se transformou em cisne para chegar até a Leda.

Em algumas versões, Alexandre, o Grande e o imperador Augusto foram 'semeados' por deuses na forma de serpentes por Febo e Júpiter, respectivamente.

Apesar de os cristãos mais antigos terem uma história alternativa, no evangelho de Lucas, a Virgem Maria engravidou quando o Espírito Santo foi até ela e o poder do Altíssimo dela tomou conta.

As versões mais antigas do nascimento de Zoroastra contam que ele nasceu de pai e mãe humanos, assim como Jesus, mas em versões mais recentes sua mãe foi perfurada por uma lança de luz divina.

O deus hindu Shiva teve relações sexuais com a humana Madhura, que veio adorá-lo enquanto sua esposa Parvati estava longe. Parvati transformou Madhura em sapo, mas após doze anos dentro de um poço ela recuperou a forma humana e deu à luz Indrajit.

A mãe de Buda, Maya, descobriu-se grávida após ter sido penetrada por um deus em um sonho.

A concepção pode ser um "arrebatamento", sedução ou algum tipo de penetração para procriação excitante porém não sexual. A história pode vir de uma religião tradicional ocidental ou oriental, pagã ou cristã. Mas esses encontros entre mulheres belas e jovens e deuses têm uma coisa em comum: nenhum deles contém o consentimento deliberado feminino como parte da narrativa. (No evangelho de Lucas, Maria consente depois de não ser consultada, mas comunicada por um poderoso ser sobrenatural sobre o que aconteceria com ela: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!".

Quem precisa de consentimento deliberado? Se se trata de um deus, ela tem de querer, não é mesmo? É assim que a história acaba.

Se a jovem voluptuosa protestar ou não, se a sedução envolver mentira ou mão, se a mulher já tiver um esposo ou um amante, se ela for ou não forçada fisicamente, o que se presume é que a união entre um deus e uma humana é orgasticamente avassaladora e não sangrenta e violenta. E depois? Bem, que mulher não gostaria de estar grávida de um filho (ou filha) de deus?

Por trás dessa metáfora mentirosa e surpreendentemente duradoura se encontram duas presunções que em sua forma mais primitiva podem ter sua origem na biologia evolucionista.

A hipótese biológica, muito simplificada, é a seguinte: machos e fêmeas de cada espécie possuem comportamentos instintivos que maximizam a transmissão de seus genes para a geração seguinte. Entre humanos, fêmeas procuram pelos portadores de esperma da mais alta qualidade que são capazes de atrair. Elas maximizam a qualidade e a capacidade de sobrevivência de seus filhos quando acasalam com machos poderosos e de prestígio. Os machos, por outro lado, maximizam a qualidade e a quantidade de sua cria ao procurar fêmeas férteis (em que beleza é sinal de fertilidade), controlando algumas fêmeas e afastando outros machos enquanto "espalham suas sementes", se conseguirem.

A biologia pode ser o ponto de partida, mas, ao longo do tempo, os impulsos humanos são ornados e institucionalizados, tornando-se sagrados pela cultura e pela religião. A metáfora mítica em que deuses copulam com humanas incorpora fortes crenças culturais e religiosas sobre sexualidade. Histórias familiares desse tipo vêm de sociedades patriarcais, o que significa que elas legitimam os desejos reprodutivos masculinos: homens poderosos não apenas querem controlar a valiosa mercadoria que é a fertilidade feminina, eles devem. Os deuses ordenam e dão o exemplo. E eles determinam que sejam punidos os que violarem a ordem natural das coisas - especialmente as mulheres.

As histórias sobre concepções miraculosas que listei podem ter suas raízes na pré-história, em religiões arcaicas voltadas para a adoração dos astros e do ciclo agrícola, mas sua forma moderna emergiu durante a Idade do Ferro. Nesse momento da história, a maioria das mulheres eram como bens pessoais. Assim como crianças, gado e escravos, elas eram literalmente posse dos homens, e seu valor econômico e espiritual primário se encontrava em sua habilidade de produzir uma cria de linhagem pura e conhecida. Os homens no poder possuíam concubinas e haréns, e mulheres virgens figuravam entre os espólios de guerras. (Veja, por exemplo, a história das virgens midianitas do Velho Testamento, em que Jeová ordena aos israelitas que matem as mulheres "usadas", mas tomem para si as mulheres virgens.)

Essa também foi a época em que deuses escolhiam seus favoritos e se metiam em assuntos das tribos e nações, e em que grandes homens nasciam grandes. Não é de se admirar que tantos homens poderosos reivindicavam uma ascendência poderosa. Na tradição dos hebreus antigos, isso tomou a forma de obsessão com linhagem pura e descendência de alta estirpe. Escritores da bíblia hebraica traçam a genealogia do rei Davi a partir de Abraão, por exemplo e a genealogia de Abraão a partir do primeiro homem, Adão. Nas civilizações grega e romana, essas reivindicações se transformaram no costume de atribuir paternidade sobrenatural a figuras públicas. A tradição cristã tenta de maneira atrapalhada insistir simultaneamente em traçar a linhagem de Jesus, através de seu pai José, até o rei Davi, e em negar que ele teve um pai humano.

Esse é o contexto das histórias de concepções miraculosas e, nesse contexto, o consentimento da mulher é irrelevante. Em uma sociedade que trata a sexualidade feminina como posse masculina, o único consentimento que pode ser violado é o consentimento do proprietário da mulher, o homem que detém os direitos sobre sua capacidade reprodutiva, tradicionalmente seu pai, noivo ou esposo. Muitos cristãos se surpreendem quando descobrem que em nenhuma passagem bíblica, no Velho ou no Novo Testamento, autor algum diz que o consentimento da mulher é necessário, ou mesmo desejável, antes do sexo.

A omissão é mais que lamentável: é trágica. Dois mil anos depois que textos hebreus e aramaicos foram anexados à moderna bíblia judaica, 1.600 anos depois de um comitê católico romano votar pela inclusão e exclusão de livros da bíblia cristã, 1.400 anos depois de Maomé escrever o Corão (que foi fortemente inspirado na estrutura moral da tradição judaico-cristã), nós ainda temos problemas com a questão do consentimento feminino. Nossa luta se torna imensuravelmente mais difícil pela presença de textos antigos que se tornaram ídolos modernos - textos que imputam a Deus os desejos dos homens.

O exemplo mais emblemático talvez seja um documento publicado pelo Estado Islâmico definindo regras para o tratamento de escravas sexuais, regras inspiradas no Corão. Mais perto dos americanos está a existência embaraçosa porém disseminada de líderes cristãos que ensinam que a honra feminina está na maternidade, e que uma mulher que falha em servir a seu esposo sempre que ele deseja está falhando em servir a Deus.

Mas ainda mais perto de casa para muitos é a chocante prevalência em campi universitários, e na sociedade em geral, de manipulação e coação sexual perpetrada por homens que, do contrário, pareceriam moralmente intactos. É impossível deixar de notar que um grande número de casos notórios envolvem homens influentes: membros de fraternidades, um ator famoso, um locutor de rádio, estrelas de futebol do interior e atletas profissionais de destaque. Homens, em outras palavras, que pensam ser deuses. Convencidos das próprias características divinas, torna-se lógico que o objeto de sua atenção deve querê-lo - e se ela não quiser, bem, tudo bem, já que quando um deus quer uma mulher, o consentimento não é de fato parte da história.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O quê cobiçamos? [Outubro]

Na postagem anterior   O quê cobiçamos? , falei sobre como aquilo que vemos todos os dias nos afeta. Tudo aquilo com que somos literalmente 'bombardeados' constantemente acaba se tornando parte da nossa maneira de ver o mundo. Comerciais na TV, em revistas e jornais, nos afetam muito mais do que imaginamos. Ao andarmos na rua, as próprias vitrines expõem as mulheres aos pedaços - muitas vezes apenas bundas e peitos. 

Na continuação, vou seguir postando as imagens veiculadas em um jornal de grande circulação da região Sul do Brasil, um jornal destinado à família toda, portanto também vista por crianças e adolescentes. 


01 de outubro




03 de Outubro 




06 de outubro



07 de outubro 



08 de outubro



09 de outubro



11 de outubro


14 de outubro


17 de Outubro
(não uma só, mas três) 





18 de outubro 
(duas)




segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A cultura da culpabilização da vítima



Há mais de trinta anos houve um homicídio na cidade onde eu morava, um dos inspetores matou a tiros o Delegado.

Quando o caso foi a julgamento, eu disse, "Sabem o que vai acontecer? 

A vítima será julgada culpada e merecedora da morte que teve."

Dito e feito, foi o que aconteceu. É claro que houve alguma condenação, mas o julgamento realmente girou em torno de tudo que o Delegado fez para merecer a reação do inspetor.

Lendo o artigo do Marcos Rolim este domingo, A justiça e o cego, me lembrei daquilo ao ler o seguinte trecho:


"Há algo de muito errado com um País em que as vítimas correm o risco de serem consideradas culpadas por decisões judiciais. Algo de substancial na própria ideia de justiça é ameaçado pela insensibilidade e pela cegueira moral de que nos fala Bauman. Todos devem concordar, a começar pelos melhores magistrados, que uma Justiça que não ofereça exemplos de retidão, que se dobre diante de privilégios, que alimente a obscuridade de atos tomados em benefício próprio, produz orfandade ainda mais radical do que aquela que a política já nos legou.
A pergunta, então, se confunde com o desespero:
e se nos faltarem juízes justos, recorremos a quem?
"

Boa pergunta. 

Recorremos a quem, quando toda a sociedade acha que a vítima é que 'provocou', que a vítima não devia estar ali, que a vítima fez algo para 'merecer' o ataque que sofreu?

É exatamente este o caso das mulheres que são assediadas, agredidas e estupradas, com a 'desculpa' de que estavam bêbadas, estavam de roupa curta, estavam na rua 'aquela hora'. etc. 

Até quando?




segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O quê cobiçamos?

Tem um documentário que fala sobre como a mulher brasileira é vista pela mídia,
http://www.geledes.org.br/documentario-mostra-como-midia-enxerga-mulher-brasileira/



Tem vários problemas com isso, um deles é como a própria mulher passa a se ver, incorporando a ideia de que ela deve se esforçar para se encaixar nesse padrão de beleza. Outro é como a mulher é objetificada, vista como um 'prêmio' ou 'bônus' para os homens. 

Esse aspecto atinge a todos e aparece praticamente em todos os lugares. Por causa disso, lembrei de uma cena do filme "O Silêncio dos Inocentes", quando Hannibal pergunta à detetive,

- "O que é que as pessoas cobiçam?"
A resposta é,
- "As pessoas cobiçam o que veem todos os dias!".



O QUE VEEM TODOS OS DIAS!

Abaixo tem uma seleção de imagens que foram divulgadas entre os dias 14 e 21 de agosto, na contracapa de um suplemento de um jornal de grande circulação do Rio Grande do Sul. Quase todos os dias tem uma imagem dessas, que parece que foi tirada diretamente de uma revista masculina (nada particularmente contra revistas masculinas, mas estas tem um público específico). 

É um jornal destinado a ser lido por toda a família, inclusive crianças, pré-adolescentes e adolescentes. 


O que essas imagens transmitem? O problema não é que estejam com pouca roupa, ou mesmo sem roupa nenhuma. O problema é que são todas mulheres em poses sensuais passivas, com cara de 'vem me pegar' (para usar um eufemismo aceitável neste espaço). 

Depois não é de estranhar que os rapazes cresçam com a ideia de que todas as mulheres estão literalmente 'se oferecendo', pois é essa a ideia que essas imagens transmitem e com as quais são 'bombardeados' todos os dias.

Aqui tem outra 'colagem' que tirei anteriormente do mesmo jornal, oito imagens no decorrer de menos de um mês (isso porque não tinha guardado todos os jornais, senão teria mais).



Em parte pode ser que esse 'bombardeamento' maciço com esse tipo de imagem, sendo tão universal, explique o assédio que as mulheres sofrem nas ruas e nos transportes. 

Quem quiser conferir, acesse o site http://cantadaderua.com.br/

Outro video bastante ilustrativo é o "Killing Us Softly 4" - Trailer 




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ATUALIZAÇÃO.  Mais imagens do mesmo jornal. 

Do dia 25 ao dia 30 de agosto:


 Do dia 01 a 18 de setembro:


Eu realmente não entendo como se justifica postar essas imagens num jornal assim.

Dias 22, 24 e 27 de setembro de 2014 - 



Última imagem de setembro (29/09): 



Vou abrir um novo post para as imagens de outubro.



domingo, 24 de agosto de 2014

[Guest post] Oyster Awards - o Oscar das Pérolas! [dos pró-vida]


É o meu prazer como moderador, guardião e membro orgulhoso da comunidade "Aborto Não Deve ser Crime" apresentar esse tópico exclusivo e único... as melhores pérolas de origem "pró-vida" do ano de 2006 !

O crédito todo é da Sharon que leu o tópico "Pérolas Pró-vida" e escolheu somente aquelas pérolas selecionadas e infames ! Quem não acredita no Apocalipse recomendo não ler as pérolas que se seguem... são todas autenticas e tirada das ostras mais conservadoras e atrasadas do Orkut !


Sem mais demora lhes apresento os Ganhadores do inédito "OYSTER AWARDS" !

Background: temos uma comunidade chamada ANDSC (Aborto Não Deve Ser Crime) e na sua primeira versão no Orkut se debatia muito e se coletava as melhoras pérolas num tópico especifico (Pérolas Pró-vida). Nossa querida Sharon em 2006 juntou os melhores e os dividiu por categorias, um trabalho que perdura até hoje e o qual gostaria de compartilhar com as novas gerações de pensadores e humanistas. Como bem sabem pérolas são produzidas por ostras (Oyster para ficar mais chique)... e portanto o "Oyster Awards" foi criado naquela única e gloriosa edição. Espero que gostem e saibam que são todas pérolas 100% autênticas, retirado de várias ostras nas comunidades pró-vida que infectavam o Orkut.
(Nenhum feto foi danificado na produção dessa lista.)

 - José Guilherme


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CATEGORIA: IMAGINE SE...

3. lugar: Imagine se sua mãe tivesse pensado assim?

2. lugar: imagine tds as pessoas grandiosas q nasceram e ajudaram a humanidade em qualquer momento, pessoas q descobriram curas, pessoas como Ainsten q ajudaram o nosso conforto inventando e descobrindo qualquer lei. Se a mãe de qualquer uma delas tivesse abortado, n teriamos mto do q temos. E mtas pessoas n seriam ajudadas como nós.

Oyster Award: Já pensou se a Virgem Maria tivesse abortado Jesus???


Categoria: ENGRAVIDOU POR QUE?

3. lugar: existem tantos métodos anticoncepcionais hj em dia...

2. lugar: Todo e qualquer método contraceptivo tem uma probabilidade de falha. Quem pratica sexo sem considerar essa probabilidade, está praticando CONCEPÇÃO IRRESPONSÁVEL. Abortamento, não é saída para irresponsáveis livrarem suas caras...

Oyster Award: Não conheço ninguem que tenha tomado pílula ou injeção que tenha engravidado


Categoria: MULHER, SER VIL.

3. lugar: A MULHER QUE PROVOCOU O ESTUPRADOR

2. lugar: E daí? Morrem tentando fazer o q ñ deveriam.

Oyster Award: A mulher tem sim direito de escolha, ela pode escolher quando, onde, como e p/ quem abrir as pernas


Categoria: LEI E ORDEM

3. lugar: Ainda bem que temos leis,mas a parte ruin é,que a lei é violada como mtas outras,mas volto a parte boa pois por ainda termos lei, isso dificulta bastante a pratica do aborto no País.

2. lugar: Debater legalização de um crime é o mesmo que debater liberdade aos criminosos.

Oyster Award: Enquanto o aborto for crime, as mulheres saberão que abortar é errado.


Categoria: GRANDES PENSADORES DA HUMANIDADE

3. lugar: sei que deve ser doloroso demais,sei que as vezes parece ser certo, mas pense bem,seu filho pode ter a chance de viver em diversos outros lares,pode dar alegrias a muitas famílias,pode dar a chance de varios sorrisos renacerem (o assunto era sobre aborto em fetos anencefálicos)

2. lugar: A fase embrionaria eh como qualquer outra fase da vida,assim como a infancia,a adolescencia e velhice.Quando uma crianca eh abortada ela ja eh prejudicada na primeira fase da
vida,sendo assim jah comeca a sua vida de um jeito errado"

Oyster Award: O que eu quero chegar é que muita gente na prática faz o aborto com a intenção de matar o feto.


Categoria: DEUS CASTIGA

3. lugar: DEUS TE DA O DOM DE SER MAE, DE TER NO VENTRE UMA CRIATURA CRIADA POR ELE, FILHO E UM PRESENTE DE DEUS PARA AS PESSOAS, QUEM NAO QUER OS TER DEVERIA TER O ULTERO SECO, PRA MIM, QUEM NAO QUER TER FILHOS, NAO SABE O QUE É AMAR, MUITO MENOS PODERA AMAR OS ANIMAIS...

2. lugar: Quem te informou que cada um de nós tem o direito a crença?

Oyster Award: A mulher que morre por complicações do aborto tem a chance de descobrir como a Justiça divina é rápida. A Bíblia diz que sangue se paga com sangue e é assim desde o começo dos tempos, as mulheres menstruam porque desobedeceram Deus e tentaram Adão com a maçã. Se uma mulher é tão má a ponto de permitir que lhe destrocem o filho na barriga, ela merece sentir todas as dores, ser humilhada e até ser presa, para sofrer em vida um pouquinho do que ela fez seu filho passar. Se ela morrer, é sangue pagando sangue, é essa a lei de Deus, está na Bíblia. A mulher que morre assim não vai para o inferno porque sua dívida foi quitada. A que não morre, vai, a menos que ela se arrependa muito e comece a realizar uma obra, ou tenha muitos filhos, ou passe a seguir a Palavra com rigor, mas mesmo assim a chance é muito grande, pelos meus conhecimentos. Estupro não é desculpa para aborto, porque se Deus mandou um estuprador violentar uma mulher, é porque ela merece passar por aquilo e precisa aguentar todas as consequências. Muitas mulheres sentem culpa depois de um estupro e só sente culpa quem deve alguma coisa, portanto, o dever é de aceitar tudo o que Deus manda porque a
vontade Dele é absoluta e assim como um filho deve obedecer ao pai e a mulher, o marido, devemos todos obedecer a Deus e nunca questionar as coisas que acontecem, devemos aceitar, pois só assim é possível ser feliz. Se fosse pra ser diferente, Deus tinha feito diferente.


Categoria: TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

3. lugar: Aborto é um produto da chamada revolução sexual. Aonde em nome da chamada liberdade, as mulheres transavam com quem desejassem, com qtos desejassem e etc. Ai começaram a surgir grávidas a torta e a direita e para evitar a justa cólera da sociedade pq o que se espera do jovem é que se porte como digno aprendiz para a vida adulta é que se porte como verdadeiramente adulto e não como se viu e se vê hj. Resultado, com o objetivo de resolver o problema, alguns médicos começaram na escuridão a
realizar procedimentos abortivos e alguns farmaceuticos a desenvolver drogas abortivas. Logo vieram também os políticos que viram nisso uma possibilidade de conquistar eleitores para si.

2. lugar: A indústria de preservativos e anticoncepcionais é uma das mais lucrativas do mundo. É muito dinheiro envolvido. A eficácia dos preservativos tende a ser superestimada, e seus riscos reais subestimados

Oyster Award: o Relatório Kissinger


Categoria: LENDAS URBANAS

3. lugar: Aborto no Escritório

Até a tarde do dia 23/12/06 as 15:05 quando presenciei um aborto no banheiro de onde trabalho...uma mulher abortou com a maior frieza...assim...na minha frente eu vi um bebê indefeso, sem poder escolher viver, e de outro um "MONTRO" (pois ela não pode ser
considerada mãe) Sem o menor arrependimento... Ele estava ali...no chão, pois ela havia tirado do vaso, para esconder de todos...
Ele estava todo formadinho...braçinhos, perninhas, cabeça...
Tão indefeso, tão pequeno... Eu quase morri de desespero..chorei tanto,tanto...entrei em estado de choque...passei varias noites sem dormir e até agora eu não me esqueço da cena do banheiro...

2. lugar: Cortei com a Unha

em menos de 1 minuto veio outra fisgada, e depois outra mais forte ainda, fui correndo pro banheiro e logo que me sentei,senti um peso, passei o papel higienico e senti que ja estava ali,logo que tirei a mão, meu bebê saiu de uma vez só,fiquei desesperada, pois o cordão umbilical não arrebentou e eu tive que corta-lo com a unha... foi horrivel, eu estava em estado de choque, me levantei, olhei para baixo, e só via sangue, então peguei o cabo da escovinha de lavar o vaso e puxei para fora da privada meu bebê...

Oyster Award: Aborto anal

Minha mãe viu um vídeo sobre aborto na facu dela e me contou como foi. O médico começou a arrancar os pedaços da criança até q ela fosse capaz de passar pelo ânus da mulher (se é q alguém q pede pra fazerem isso com o próprio FILHO é humano). Qdo o nenê foi sair, ele se agarrou no médico, sem saber qm era, mas implorando por ajuda...


Categoria: MERDICINA

3. lugar: Mas, cientificamente falando, aos 20 dias de gravidez, o ser já possui sistema nervoso, portanto já pensa. Se pensa, existe de fato.

2. lugar: por que não há nada mais saudavel do que deixar a natureza agir. a brutalidade da interrupção da gravidez ou desta quantidade abusiva de hormônios esta deixando muitas mulheres doentes, com o ciclo hormonal alterado, cheias de cancer, com dificuldades para engravidar em futuras gestações, e de nervosismos. mas isso eles não contam.

Oyster Award: Se a ciência não pode ter 100% de certeza, vale a pena sacrificar uma vida inutilmente? Quantos casos eu ja não vi de mães que optaram por ter seus filhos "anencéfalos" e para sua surpresa eram normais.


Categoria: FRASES DE EFEITO

3. lugar: Não importa o modo como a gravidez surja, o importante é não matar.

2. lugar: Aborto, na minha opinião, é uma bestialidade fútil. É cortar um braço por causa de uma farpa no dedo

Oyster Award: Abrir pernas é mais fácil que abrir livros?



Gostaria de agradecer a todos que colaboraram para essa premiação... em especial aqueles que tão carinhosamente soltaram essas pérolas de sabedoria "pró-vida" ! Continuem postando !

[Posts originais de 2006... da forma que salvei eles... todos autênticos... nada inventado... se divirtam! ]

        

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Argumentação machista extremamente irritante.


Costumo ser muito paciente com argumentações toscas, e acho que sempre que possível devemos ter paciência com pessoas desinformadas. Mas o diálogo abaixo é um bom exemplo do porquê alguns espaços feministas (basicamente no Facebook) optarem por não aceitar mais homens, e banir os que se comportam dessa forma. 

Sou da opinião que homens podem ser feministas, e que cada pessoa deve ser avaliada de acordo com as suas atitudes individuais, mas entendo também que ter que aturar  comportamentos como o do sujeito neste diálogo (que foi em particular, por inbox) acaba cansando mesmo.

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[Atualização] Essa foi na verdade a parte final de uma conversa que começou em uma postagem na minha timeline. Durante essa conversa ele fez várias declarações que evidenciaram bastante a sua total falta de compreensão de como as mulheres se sentem quanto às cantadas de rua. Ao lhe ser dito que mesmo quando o comentário é 'educado' as mulheres se sentem desconfortáveis, e que muitas vezes as mulheres são xingadas e até agredidas quando deixam claro que não gostaram, eles disse entre outras coisas:


"Quando um homem corajosamente decide cantar uma mulher na rua (carinhosamente elogia-la), pois ele a achou atraente, no mínimo que a mulher pode fazer é ficar quieta ou explicar educadamente que não quer papo ou que se sentiu incomodada.
A partir do momento que a mulher replica agressivamente a uma cantada cordial ai automaticamente qualquer senso de civilidade se perde, e a situação pode evoluir para os mais variados resultados."
Ou seja, se o homem reagir de forma agressiva quando a mulher deixar claro que não gostou, a 'culpa' é dela...
Depois:


"Se voces nao gostam de alguma coisa, simplesmente evitem/aceitem. Eu odeio ver gente pregando coisas religiosas sem evidencias... mas eu concordo com o direito dessa pessoa de profetizar qualquer nosense ela quiser... quem sou eu pra dizer: "olha eu me sinto super ofendido, eu acho que religiao eh o mal da sociedade, entao por favor pare de profetizar"

Se voces nao gostam de cantada, get over it, tem mulher que gosta."
Resumindo, na opinião dele amulheres não podem querer andar na rua em paz, tem que aceitar qualquer comentário calada...
Tentamos esclarecer que o que acontece nas ruas é basicamente sempre grosserias, e ele:
"Soh por que tem uns homens sem nocao, voce esta querendo banir o sistema de cantadas? hahahaha"
Em uma conversa com mais de 200 comentários ele ficou insistindo e batendo nessa mesma tecla até o fim.

Mais adiante ficamos sabendo do fato de que esse mesmo cara defendeu que um policial oferecer a alternativa de uma mulher fazer sexo com ele em troca dele não lhe dar uma multa era perfeitamente aceitável e não tinha nada demais. 

Tendo explicado tudo isso, será que dá para entender porque eu já não estava com paciência?

O argumento que ele usa, invocando a 'evolução' é altamente questionável. Não podemos afirmar como eram as coisas na pré-história, mas há evidências de que as mulheres não eram assim tão indefesas. 

Pessoalmente eu nunca disse nem acho que o machismo foi construído de propósito, de forma deliberada. Ele me acusa disso sem sequer perguntar o que penso. E diz que as mulheres ajudaram a construir essa cultura de machismo porque de certa forma era 'conveniente' também para elas; isso soa muito como dizer que os escravos colaboraram com o sistema escravagista, como se tivesse havido alguma escolha.

Não dá para querer justificar a existência do machismo hoje, não importa como e porque surgiu no passado. Assim como não se tenta mais justificar a escravidão, não dá mais para justificar o machismo.

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OBS. Era uma pessoa que não estava na minha lista de contatos. No final ele pergunta se deletei o tópico, mas eu só o deixei restrito a amigos para impedir que ele continuasse repetindo os mesmos argumentos toscos. Eu também cansei.